23 Jul 2019

Nenhum veículo de imprensa isento baseia sua política editorial na perseguição a um grupo político ou a pessoas - mas não é assim que  funciona The_Intercept, de Glenn Greenwald. No editorial em que explica a publicação das conversas hackeadas do ministro da Justiça, Sérgio Moro, o site explicitamente indica que se propõe a investigar Moro, os promotores da Lava Jato e determinados políticos, enquanto deixa de lado outros possíveis criminosos, como os ex-ministros do PT e o ex-presidente Lula.

"Esse é apenas o começo do que pretendemos ser uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, de Dental Dallagnol, e da Força-Tarefa da Lava Jato - além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detém um enorme poder político dentro e fora do Brasil", afirma o site.

A imparcialidade jornalística obriga a investigar tudo sobre todos - o princípio da isenção. Já The_Intercept não somente é partidário, ao criar um alvo preferencial, como suberverte valores. Coloca a Lava Jato como culpada, no lugar dos agentes da corrupção. Anuncia uma perseguição sistemática não somente à Lava Jato, como a indíviduos que, por antecipação, e antes de qualquer julgamento, considera nocivos ao país, enquanto os já julgados são tratados como inocentes.

Publicado em Perspectivas

A banca do ex-presidente havia recorrido da decisão, tomada pelo também ministro do STF Luiz Fux, após autorização concedida pelo ministro Ricardo Lewandovski na sexta, dia 28.

A entrevista, pedida pela jornalista Mônica Bergamo, foi suspensa por Fux após a autorização de Lewandovski, atendendo a recurso feito pelo Partido Novo.

Toffoli decidiu manter a decisão de Fux até que o caso seja levado ao plenário do tribunal. O ministro da segurança pública, Raul Jungmann, chegou a consultá-lo para saber se liberava a entrevista ou não. 

Levandowski autorizou a entrevista alegando que não se poderia negá-la a um "ex-presidente da República", sem considerar o fato de que ele se encontra com direitos civis e políticos suspensos na prisão.

"Eu tenho a impressão de que devemos trabalhar com mais consenso", disse Toffoli. ""Evitar decisões de caráter liminar."

Publicado em Foto do dia

O jornalista Otávio Frias Filho, braço e cérebro editorial da grupo Folha da Manhã, que publica o UOL e a Folha de São Paulo, sempre foi considerado um raro caso de sucesso como herdeiro nas empresas brasileiras de comunicação. Com ele, a Folha de São Paulo parecia o mais bem resolvido dos negócios de imprensa do país, que, junto com as mudanças do mercado digital, sofreram com a perda de suas lideranças: Roberto Marinho (Globo, 2003), Manuel Francisco do Nascimento Brito (Jornal do Brasil, 2003), Roberto Civita (Editora Abril, 2013), e Domingo Alzugaray (Istoé, 2017).

Otavinho, como era conhecido, dividia a administração com o irmão Luis Frias, mais voltado para a área comercial. Formavam uma dupla de sucesso, que mantinha o negócio em alto nível mesmo após a morte do pai, Octávio Frias de Oliveira, falecido em 2013. Com sua morte precoce, aos 61 anos, depois de um câncer no pâncreas detectado em setembro do ano passado, aumenta de forma também prematura o vazio da imprensa brasileira, com dificuldades de atravessar uma era de reciclagem que já levou o JB e promete levar também a Editora Abril, colocada em recuperação judicial na semana passada, com uma dívida declarada de 1,6 bilhão de reais.

Publicado em Política