16 Nov 2019
Quinta, 14 Fevereiro 2019 03:46

O trem do desgoverno em São Paulo

Na saída do aeroporto de Guarulhos, com certo tempo, pouco dinheiro e nenhuma bagagem, eu e minha filha adolescente resolvemos experimentar o serviço de trem que leva à estação da Luz, em São Paulo.

Projetada originalmente para atender à demanda da Copa do Mundo em 2014, a linha foi inaugurada apenas três anos depois (a tempo para a Copa da Rússia, ufa!) e, ainda assim, com limitações. Os trens expressos viajam apenas de duas em duas horas, das 10 às 22h, e somente de segunda a sexta – afinal ninguém viaja e nem trabalha no aeroporto nos finais de semana, certo Brasil?

Publicado em República livre
Quarta, 13 Fevereiro 2019 09:40

"É preciso levar vantagem em tudo, cerrrto?"

Esse é o enunciado da famosa Lei de Gerson, criado por um publicitário para uma marca de cigarro, explorando o sucesso da seleção campeã de 70 e de seu admirável armador. Esse lema, que envolveu inconscientemente o nome do jogador, sintetizou com precisão o espírito do regime PATRIMONIALISTA, impregnando, não apenas nossas relações estatais, mas também setores majoritários da sociedade brasileira.

Da corrupção sistêmica, denunciada no mensalão e na Lava Jato, explicitando o conluio criminoso de políticos e funcionários públicos com empreiteiros, passando por toda sorte de privilégios adquiridos pelas poderosas CORPORAÇÕES ESTATAIS e coligadas privadas, até os malfeitos perpetrados com naturalidade por amplas camadas populares, a esperteza plasmou a nossa cultura e se enraizou nas nossas práticas.

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Sexta, 04 Janeiro 2019 21:54

Na "bamba" vai

Lá em Minas, a palavra bamba qualifica normalmente uma pessoa habilidosa, mas tem também um significado temporal ou circunstancial. Daquela que “ganhou na sorte” ou “por acaso”, se diz: ganhou na bamba. E não tem nada a ver com jogo ou casamento, e sim com o imprevisto!

É o caso do então juiz Sérgio Moro, que presidia a investigação do rumoroso Banestado, provavelmente o nosso maior escândalo do mundo financeiro, totalmente impune. O principal doleiro implicado era o conhecido Youssef, que fez com o nosso juiz um acordo de delação premiada esclarecedor e que acabou inútil, pois as “celebridades” meliantes escaparam, levando junto o doleiro. Jura eterna do nosso juiz!!!

Publicado em Perspectivas
Sexta, 06 Julho 2018 11:14

A esperança no trem para Kazan

São 18:50 e o velho trem com ar soviético parte da plataforma 2 da Kasanskiy Voksal, com parada 11 horas depois em Kazan, antes de seguir por mais um dia e meio a Barnaul, numa viagem transcontinental.

Para lá rumam os brasileiros, vindos de vários lugares, carregando suas esperanças.

Publicado em Assuntos Nacionais

 O último ranking dos bilionários da revista Forbes perdeu uma centena e meia de nomes brasileiros, que entraram na lista entre 2014 e 2018, e saíram agora, com a crise econômica e a operação Lava Jato: caíram como subiram, feito meteoros.

Publicado em Economia
Segunda, 22 Janeiro 2018 12:16

O que o Brasil foi fazer em Davos

O presidente Michel Temer está levando ao Fórum Econômico de Davos, na Suíça, a mensagem de que o Brasil retomou seu rumo de crescimento e prosperidade, e está cada vez mais preparado para enfrentar os desafios do século XXI. Quer mostrar um Brasil competitivo e aberto e uma oportunidade de investimento, segundo o porta-voz da presidência, Alexandre Parola.

Isso, no entanto, ocorre após o país sofrer um novo rebaixamento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) porque o governo não conseguiu aprovar propostas importantes para o reequilíbrio das contas públicas, especialmente a reforma da Previdência. Projetos importantes, como a privatização da Eletrobras, enfrentam entraves judiciais. 

A Petrobras volta a ser uma das parceiras de Davos como patrocinadora. Seu presidente, Pedro Parente, será um dos palestrantes em debate sem elação com corrupção ou temas políticos. Ele falará sobre inovação, mudanças climáticas e transição energética. Poderá circular entre os chefes das finanças do mundo, além de mais de 70 chefes de Estado.

O ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), em especial, distribuirá no Fórum Econômico Mundial de Davos um folder em inglês sobre o potencial de investimento na geração de energia de fontes renováveis no Brasil. Afirma a investidores estrangeiros a venda de ações da Eletrobras, apesar de a privatização ainda constar de projeto de lei que precisa ser aprovado pelo Congresso. A proposta assinada pelo presidente Michel Temer está ainda sendo publicada no Diário Oficial da União.

Publicado em República livre

O presidente Michel Temer, diga-se o que se disser a respeito dele, ou da forma como chegou ao governo, já deu uma grande contribuição ao Brasil. Claramente, interrompeu a queda livre do Estado brasileiro, que a política ruinosa do PT claramente  conduzia para levar o Brasil a um caos semelhante ao que se encontra, hoje, a Venezuela.

Como os quadros do PT podem ser tudo, menos burros, e não dá para imaginar que seria possível ignorar dentro do governo o volume da corrupção, a destruição da Petrobras e outros malfeitos que levavam o país à ruína, é de se concluir que se tratava de uma política deliberada para levar o país a um processo de turbulência - e se aproveitar dele para algum malfeito pior.

Fosse como fosse, as elites brasileiras perceberam que era preciso intervir, dentro do que se permite constitucionalmente. Mais que pela corrupção, a queda de Dilma Rousseff, com a entronização de Temer, cortou o caminho para o desastre. Embora tenha crescido graças à democracia, por definição o respeito à opinião das minorias, quaisquer que sejam, mesmo as mais antidemocráticas, e até as contrárias à própria democracia, o PT se tornava uma ameaça não somente à economia como às instituições.

Temer teve o mérito de simplesmente estar onde estava. Embora irmanado com o PT em práticas que o levaram a sofrer pelo menos duas acusações de corrupção levadas ao Congresso, que convenientemente as varreu para baixo do tapete, o presidente saído da obscuridade onde se encontrava começou a inverter a lógica macabra da política do PT que levava o Estado à exaustão. O que já  foi o primeiro passo para a salvação.

Na prática, a esperança econômica está nas mãos do financista Henrique Meirelles, o homem abençoado pelos mercados para recolocar o Brasil no trilho. Mudanças no sistema trabalhista, aumento de impostos, diminuição dos juros, algo tendo sido feito para inverter a roda e devolver a tarefa de retomar o crescimento pela ação da iniciativa privada, e não pelo Estado. Este apenas começa a ser saneado, oara que possa executar novamente suas funções vitais, hoje em situação falimentar, que resulta, entre outras consequências perigosas, na paralisação da segurança pública nos estados, tambem quebrados pela crise.

Aí está a segunda tarefa que Temer ainda fica a dever:  colaborar para levar o Brasil na próxima eleição a um governo que não apenas dê seguimento à política atual no que ela tem de elementar - a recondução do Estado ao seu papel de Estado e a retomada do crescimento econômico pela via privada - como afaste a sombra das correntes que, mesmo dentro do jogo democrático, trabalham contra ele, especialmente no que a democracia tem de mais sagrado: a possibilidade da alternância no poder.

Para isso, a economia tem de melhorar a ponto de mostrar claramente que a luz no fim do túnel passa pela responsabilidade na administração pública, e não por promessas populistas que encobrem alguma agenda oculta.

Não será fácil, porque ainda não existe claramente o nome da liderança que vai conduzir o grande movimento nacional de volta a esse desenvolvimento sustentável. E porque em ano de eleição, ainda mais enfraquecido politicamente pelas acusações que contra ele pesam na área criminal, Temer terá dificuldade em aprovar mais reformas, como a da previdência.

É preciso ao menos manter o leme firme, porque o perigo de retrocesso existe.

 

Publicado em Perspectivas