28 Nov 2021

Redação ou praia?

Por   Ter, 07-Jul-2020

Um caso de dor-de-cotovelo explícito

Anos 90, noite de sexta-feira, a vida fluindo livre leve e solta nas várias pistas da Marginal do Tietê, em São Paulo. O fechamento da VEJA seguia a todo vapor. Tensão, concentração, cobrança e algum desespero. Horários apertados, deadline logo ali. Um momento de descontração: folga para ver o Jornal Nacional, na TV. No intervalo, comentários sobre uma matéria de surfe. “Como esses caras são alienados. Conversam em monossílabos”. Os praticantes do esporte havaiano eram tratados com desdém pela intelectualha jornalística. Nem uma palavra simpática à rapaziada que dropa ondas nas melhores praias do globo.

A arrogância é uma marca da profissão. Jornalistas costumam ser bem informados. E, para trabalhar na VEJA, bem formados. São pessoas preparadas, têm de se orgulhar disso e da importância de sua profissão. Mas é uma gente que precisa se patrulhar ou ser patrulhada para não sofrer uma babaquização desagradável.

Alguém, louco para cair fora dali e curtir a noite de sexta e o fim de semana, mas com a perspectiva de perder a noite trabalhando, olha para os colegas e chama na chincha: “Vem cá! Esses cabelos parafinados, que passaram o dia em algum paraíso praiano e agora estão tomando um daiquiri ao lado de uma gatinha bronzeada estão mesmo sendo chacoalhados por um bando de internos deste hospício numa noite de sexta?”

Jornalistas são “os caras”, mas às vezes são tão sem noção. Um caso de falta de simancol ou de dor-de-cotovelo explícito.

Mexi num vespeiro. Ó o auê aí, ó!