18 Out 2021

O valor da vida

Por   Seg, 11-Out-2021
Keaton, no filme: a vida tem preço Keaton, no filme: a vida tem preço

O filme Valor da Vida, que entrou em cartaz em setembro dos cinemas nacionais, fala sobre a indenização das famílias das vítimas dos ataques de 2001 ao World Trade Center, ao Pentágono e o Congresso americano. Porém, nestes tempos da Covid-19, com a morte em massa de pessoas, em boa parte graças à negligência do poder público federal,  trata de uma questão muito contemporânea. Quanto vale a vida? Qual o tamanho do dano que um governante negacionista pode causar a um país? E, sobretudo: é possível fazê-lo pagar?

No filme, baseado em fatos reais, o advogado Kenneth Feinberg (interpretado por Michael Keaton) é encarregado de coordenar o Fundo de Compensação às Vítimas do 11 de Setembro. Tarefa espinhosa, pois se trata de valorar cada vida, para o pagamento de indenizações aos familiares, assumido pelo governo, para evitar um dano geral à economia - da quebra as companhias aéreas às seguradoras.

Feinberg e a sua colega Camille Biros (Amy Ryan) negociam família por família. São avaliados no percurso pelo viúvo de uma das vítimas, Charles Wolf (Stanley Tucci), cujo blog pesa como influenciador sobre as famílias em negociação.

O filme não tem resposta definitiva para o caso, mas mostra como é possível, sim, colocar preço sobre vidas. Assim como é responsabilidade da comunidade vigiar e pressionar o poder público para que tome as medidas certas - e, sobretudo, seja cobrado pelas suas responsabilidades, na medida do dano causado.

No Brasil, onde a casa das vítimas daCovid-19 passou dos 600 mil, ficou muito clara a responsabilidade do poder público federal na tragédia, pela negação da sua gravidade, das medidas protocoladas pelas instituições científicas, a divulgação de tratamentos inócuos e o retardamento de soluções eficazes. A investigação sobre a influência governamental no tratamento de pacientes da operadora de saúde Prevent S}enio é umcomeço de apuração de responsabilidades.

Sim, é possível dar valor à vida. E quando responsabilidades são apuradas, não apenas se conserta o passado, tanto quanto é possível, como se evita repeti-lo, no futuro.