21 Jul 2019

Entre tapas e Bezos

  Sex, 08-Fev-2019
Lauren e Bezos: chantagem Lauren e Bezos: chantagem

Jeff Bezos, dono da Amazon, a gigante do varejo mundial, tinha uma amante. Sua mulher pediu o divórcio. O mundo dos negócios adorou a fofoca, ainda mais pela divisão súbita de uma das maiores fortunas do planeta.

Ficou ainda mais quente. As conversas particulares entre Jeff e sua suposta amante foram publicadas por um chantageador que, agora, ameaça publicar nudes dele e da mulher.

Jeff e MacKenzie Bezos divorciaram-se oficialmente em 9 de janeiro. Pelo Twitter, publicaram um comunicado conjunto.

"Depois de um longo período de exploração amorosa e separação experimental, nós decidimos nos divorciar e continuar nossa vida compartilhada como amigos", escreveram.

Eles se conheceram em 1992, numa entrevista de emprego no fundo de investimento em que Jeff trabalhava como vice-presidente em Nova York.

MacKenzie é escritora. Estudou com Toni Morrison, escritora americana que já ganhou o Nodel e o American Book Award de 2006 .

Casaram-se em 1993 e, no ano seguinte, se mudaram para Seattle (Washington), onde Jeff fundou a Amazon, ainda uma empresa de garagem. MacKenzie entrou como uma das primeiras funcionárias. Durante o primeiro ano da empresa, foi responsável pela contabilidade.

Juntos, tiveram três filhos e adotaram uma filha na China.

Como se sabe, o negócio cresceu - muito. A lei de divórcio de Washington estabelece que os bens do casal devem ser divididos entre os cônjuges. A fortuna de Jeff, também CEO da empresa aeroespacial Blue Origin e dono do Washington Post, foi avaliada em US$ 134 bilhões.

Na separação, MacKenzie passou a ser a mulher mais rica do mundo. Bem longe da segunda, Françoise Bettencourt Meyers, com US$ 49,8 bilhões.

O estopim da separação foi a ex-apresentadora de TV Lauren Sanchez. Após o divórcio, tabloides descobriram que Bezos estava namorando Lauren. O National Enquirer afirmou que o relacionamento existia há meses e publicou uma foto dos dois de mãos dadas.

Sanchez trabalhou em programas jornalísticos como "Good Day LA", da Fox, e chegou a ser nomeada para o Emmy Award. É ainda atriz, com participação em filmes como "O Dia Depois de Amanhã" e "Quarteto Fantástico". Separada recentemente do empresário Patrick Whitesell, é mãe de três filhos.

O Enquirer publicou ainda mensagens privadas entre Bezos e Lauren. Bezos conta que a ex-esposa sonhara que ele redecorava o quarto dos dois e agradecia a ex-apresentadora por indicar a contratação de Bono Vox, da banda U2.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não morre de amores por Bezos, colocou mais lenha na fogueira. Chamou-o de Bozo, como o palhaço.

Agora, Bezos quer saber como material privado chegou às mãos do Enquirer e ganhou livre circulação. Foi descartada a hipótese de seu celular ter sido hackeado. Não há também sinais de que Lauren tenha vazado qualquer coisa.

Restou um conhecido: Michel, irmão de Lauren. Gavin de Becker, consultor de segurança contratado por Bezos, afirmou ao Daily Beast que esse é o caminho das investigações.

Jeff publicou um texto no Medium no qual afirma ter sido chantageado pelos donos do Enquirer. Mais: revelou que o tabloide possui fotos suas e de Lauren pelados ou quase. Um dos emails postados por um executivo da Enquirer sugere que, entre outras coisas, aparece sua genitália.

O objetivo da chantagem seria forçar Bezos a parar uma investigação do jornal Washington Post sobre a ligação do Enquirer com Trump e seus interesses comerciais na Arábia Saudita.

Trump tem reclamado não apenas da cobertura crítica do Post como dos serviços da própria Amazon. Ele é amigo de David Pecker, executivo-chefe da American Media, proprietária do Enquirer.

O Enquirer, que destrata Bezos abertamente, comprou o uso exclusivo da história de Stormy Daniels, estrela pornográfica que, após dizer ter tido um caso com o presidente, foi paga pelos advogados para ficar em silêncio. Porém, em vez de publicar a história, o tabloide preferiu engavetá-la.

O irmão de Lauren também tem ligações pessoais com Trump. Trabalhou com Roger Stone, conselheiro do presidente, preso pelo FBI na investigação sobre a conexão da campanha de Trump com os russos, que a teriam financiado.

Pecker é ainda testemunha na investigação sobre os pagamentos a Stormy e a outra mulher que dizem ter tido relacionamentos íntimos com o presidente americano. Segundo o New York Times, ele teria negociado com a promotoria para escapar da prisão.

O Enquirer sustenta que a publicação desse novo material, agora sobre Bezos, é legítima. E o caso promete se arrastar na Justiça, na velha combinação entre homens de negócios, segredos sexuais e a política.