25 Mai 2019

A catástrofe nossa de cada dia

Por   Qui, 14-Mar-2019
Esse Olavo: todo dia xingando alguém Esse Olavo: todo dia xingando alguém

Nos últimos tempos, vivemos com a permanente sensação de que a desgraça está na nossa porta. Todo dia acontece alguma coisa trágica. Ou várias.

Dois estudantes mataram colegas numa escola na Grande São Paulo. No dia seguinte, quatro atiradores matam 50 pessoas e ferem outras tantas em mesquitas da... Nova Zelândia.

Não foi só isso. Fiquei sabendo também que morreram milhões de abelhas no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, por conta da dedetização. Isso é um grave dano ecológico, porque a produção de alimentos depende - e muito - da polinização.

Tá fácil?

Todo dia, parecemos à beira da catástrofe. Quando não é tragédia, é fofoca. Sabemos tudo e da vida de todos. Você viu que a Luana Piovani se separou do marido? A briga de Neymar e Marquezine no carnaval por causa da Anitta? E olha que isso nem parece novidade.

E o governo, então? Parece a novela das oito. Todo dia, ficamos sabendo quem passou a perna em quem. Cada disparo do presidente no Twitter é uma crise nacional. Esse Olavo está todo dia no Youtube xingando alguém.

Na imprensa, não existe mais a manchete do dia. É a manchete do minuto. Será que precisamos saber de tudo? 

Será que o mundo sempre foi cheio de problema assim ou nós é que agora demos pra ficar sabendo de tudo o tempo todo, só porque a internet não gasta papel?

O fato é que a transformação do noticiário num rosário de infortúnios em tempo real acaba sendo estressante. E vai virando vício. É de pirar. 

Chego a sentir saudade do tempo em que a gente ficava sabendo das coisas só às oito da noite, pelo Jornal Nacional. Ou no dia seguinte, pelo jornal impresso. O mundo não acabava. Esperava pelo menos o dia seguinte pra acabar.

Pior ainda é a discussão posterior. Além da notícia, surgem os milhões de comentários. Somos bombardeados com as ideias alheias.

Se você não fala nada, passa por morto. Se fala qualquer coisa, leva  de volta uma saraivada de balas. O patrulhamento virtual faz parte desse sistema demoníaco para nos deixar com os nervos à flor da pele.

Resolvi que não dá para continuar assim. Já arrumei um pedaço de pau, vou para Compostela fazer a caminhada do desapego.

Não estranhem se no próximo mês eu não responder ao celular.