2 Jul 2020

Mineiros esfregam Zema na cara do PSDB

  Seg, 29-Out-2018

Romeu Zema, empresário da cidade de  Araxá, tornou-se o primeiro governador eleito pelo Novo, com uma expressiva votação de 71,80% dos votos contra 28,20% do adversário, Antonio Anastasia, do PSDB. Uma lavada que reflete não apenas o carisma pessoal de Zema, dono de uma rede de 800 lojas espalhadas pelo interior em dez estados, com jeitão caipira e simpático, como a violenta rejeição ao PSDB pelos mineiros. 

Os mineiros deram uma ducha de água fria no tucanato, queimado no estado sobretudo pela figura do senador Aécio Neves, flagrado pedindo dinheiro ao celular para Joesley Batista, da JBS, um dos protagonistas da Lava Jato. Aécio ficou ainda mais parecido com o PT ou o MDB de Michel Temer ao barrar no Congresso o processo de cassação do seu mandato.

Candidato a deputado federal, onde precisava de menos votos para eleger-se, Aécio perdeu - saiu da disputa dizendo que iria dedicar-se agora à "iniciativa privada". Não foi só o tucanato que o eleitorado mineiro acabou enxotando. Os mineiros castigaram também a ex-presidente Dilma Rousseff, candidata ao Senado pelo estado, que liderava as pesquisas no início, mas também ficou de fora.

 

"O primeiro"

Zema é a melhor notícia da eleição para o partido Novo, que assim abocanha um estado com 10% da população e 8,6% do PIB nacional em sua primeira disputa.

"Provavelmente sou o primeiro governador eleito em Minas sem ter o apoio da classe política", disse Zema. "Fica provado que não é o poder dos grandes partidos, não é o poder das grandes facções que pode estar fazendo a diferença."

No caso do Novo, não foi mesmo. Seu maior sucesso eleitoral foi um candidato que desobedeceu a maioria das determinações partidárias - chegou a ser advertido no primeiro turno, por declarar apoio a Jair Bolsonaro, quando o candidato do Novo, João Amoêdo, ainda estava na disputa à presidência.

O Novo não usa o fundo partidário, como exemplo de conduta, por ser contrário a esse mecanismo de financiamento dos partidos.  Zema concorreu, em boa parte, com dinheiro do próprio bolso, o que não deixa de ser também uma distorção - pode-se dizer que só conseguiu fazer sua campanha por tratar-se de um milionário. "Não gastei um real de recurso público", afirmou ele.

Seu forte foi vender a imagem de empreendedor ao percorrer 200 cidades durante toda a campanha. Ela custou cerca de 3 milhões de reais, bem menos que a de seu adversário, o senador Antonio Anastasia, que pagou 11 milhões. Desse dinheiro, 235 mil saíram do próprio bolso de Zema. O restante veio da ajuda de amigos empresários.

Não foi só com menos dinheiro que Zema levou o governo de Minas. No primeiro turno, teve apenas seis segundos no horário eleitoral. Não fez coligação alguma, enquanto Anastasia contava com 12 partidos a se lado. Pode-se dizer que Zema demoliu o  sistema tradicional. Ainda assim, uma das primeiras coisas que fez foi ligar a Anastasia, que voltará à sua cadeira no Senado Federal. "Vamos precisar dele", disse.

"Livre 100%"

O maior desafio de zema será restabelecer as contas do estado, com um déficit estimado em 11,4 nilhoes de reais para 2019.  "O estado está falido, é um doente terminal", afirma. Precisará de muita ajuda. O Novo, que elegeu oito deputados federais, fez somente 3 dos 77 deputados estaduais em Minas. 

Promete pedir apoio ao Legislativo sem criar um balcão de negócios e devolver força á economia mineira utilizando as melhores cabeças. "Vou montar o melhor time que já esteve à frente de Minas", avisou. "Não tenho comprometimento com ninguém, estou livre 100%."

A ligação com Bolsonaro pode ajudar ao menos na renegociação das dívidas do estado com a União. "O porjeto do Bolsonaro em muito coincide com o que queremos, que é um governo mais enxuto, com mais liberdade para empreender e mais liberdade para o cidadão."

Dessa forma, Zema não apenas se transformou no político de maior peso dentro do partido, como passou a mostrar-lhe o norte - e será também o grande laboratório que o Novo terá para mostrar, daqui a quatro anos, quando disputar sua segunda eleição.