7 Jul 2020

"Tem de haver intervenção popular", diz Olavo de Carvalho

  Qua, 20-Nov-2019
Olavo: "intervenção militar é balela" Olavo: "intervenção militar é balela"

O escritor Olavo de Carvalho deu uma entrevista para A República na qual criticou a classe política, o judiciário, os militares e afirmou que o povo deveria realizar uma "intervenção popular". "Nunca se viu uma classe política tão arrogante, prepotente e autoritária como essa" disse. "E os juízes também." Segundo ele, os militares estariam assistindo à paralisia do país sem fazer nada.  E fez uma conclamação à revolta. "Apostar em intervenção militar é balela", disse. "Tem de haver intervenção popular."

A entrevista foi parte de um acordo de direito de resposta, após a publicação, por A República, de que teria sido levada ao então ministro Carlos Alberto do Santos Cruz a ideia de colocar Carvalho em programas da TV pública. Ele nega que isso tenha sido cogitado. Disse que foi convidado pelo presidente Jair Bolsonaro para o ministério da Cultura, mas recusou por sentir-se incompetente para o cargo. Veja a seguir a íntegra da entrevista, disponível em vídeo aqui.

R. O senhor afirma que não houve convite para ir para a TV Escola e que recusou também um ministério a convite do presidente Jair Bolsonaro. Recusou por que?

OC. Eu não tenho capacidade para ser ser ministro p. nenhuma. É uma coisa muito simples. Você entender de determinado assunto não quer dizer que você entenda o funcionamento de um órgão público que lida com aquilo. Eu não tenho a menor ideia da estrutura do Ministério, eu não conheço os funcionários de lá, o regulamento interno. Como vou chegar cag... regra? No Brasil todo mundo se considera habilitado a ser ministro de qualquer coisa. O sujeito acredita que, por ter jogado futebol de botão durante dois anos, pode ser ministro do Esporte. Outro, porque fez desenhinho na escola, acha que pode ser ministro da Cultura. Mas eu não sou assim. Eu conheço as minhas limitações. Sou um homem intelectualmente maduro. Não sou como essa legião de criancinhas presunçosas das quais o Brasil está repleto.

R. De qualquer forma o senhor tem sido consultado para a formação dos quadros do governo e, mais, teria dado contribuição ao governo, no sentido de lhe dar um projeto político. Ou não?

OC. Não. Eu nunca fui consultado a respeito de p. nenhuma. Isso é tudo inventado por jornalista infantil, pueril, fantasioso, boboca. Sugeri os nomes dos ministros, do Ernesto Araújo [das Relações Exteriores]  e do outro [Abraham Weintraud, da Educação]  porque eu tinha recusado convite para ser ministro da Cultura. Então, por educação, achei que tinha de sugerir alguém para algum cargo. Meus alunos, que tinham cargos públicos, sugeri que os abandonassem. Disse que se dedicassem à vida intelectual, que nao ficassem se metendo no governo. Agora, o pessoal da mídia brasileira, tudo bando de criminosos, vigaristas e psicopatas, sem maturidade, fica inventando que eu dou palpite em tudo,que eu fico nomeando pessoas e que eu também sou nomeado para não sei o que e não sei o que mais. Disseram que eu tinha sido nomeado para "special advisor" do Brasil na embaixada do Brasil em Washington. É falso. Não me convidaram para p. nenhuma. Disseram que meu genro foi promovido para a embaixada de Londres. É mentira, não aconteceu nada. A mídia brasielira é 100% fraude, hoje em dia. Estou dizendo isso como alguém com 50 anos de jornalismo nas costas. Esse pessoal não sabe. Eles inventam qualquer porcaria, meu Deus do céu. É tudo baseado numa narrativa que eles têm na cabeça.

 

R. Isso não impede o senhor de pensar sobre a realidade brasileira. E influir à sua maneira. Sua contribuição é como professor?

OC. Penso, examino, explico nas aulas e coloco algumas coisas nos meus posts no Facebook. Isto é tudo. Conversei com o presidente Bolsonaro umas quatro vezes, no máximo. Nenhuma delas por mais de dois minutos. O Eduardo Bolsonaro esteve aqui uma vez, assistiu um curso meu, no meio de trinta outras pessoas. Conversei com ele acho que dez minutos. Isso é tudo. Como no Brasil a classe jornalística está repleta de políticos fracassados, gente que queria subir no funcionalismo público, acham que sou igual a eles, e que isso é meu sonho. Meu Deus do céu. Eu sou escritor, o homem mais lido do Brasil. Inteiramente realizado na minha profissão. Eu não tenho nenhuma aspiração, nem política, nem comercial, nem p. nenhuma. Sou um homem plenamente satisfeito com o que eu tenho. Não sou um fracassado, um frustrado, como esse bando de jornalistinha de m. Tem gente que queria ser o governo do Estado e só conseguiu ser colunista de turfe de jornal.

 

R. O senhor tem sua visão a respeito do capitalismo, das mudanças globais, reflete sobre esse assunto. O governo está sabendo lidar com isso? Tem um projeto eficiente, dados os desafios globais com interferência direta no Brasil?

OC. Condição tem, mas se está fazendo, não sei. Não tenho informação sobre os meandros, as conversas internas. Sei o que me chega pela mídia, que é muito deficiente, seja através da internet, que é um pouco melhor, seja pelo que meus alunos me contam. Minhas análises hoje em dia são muito deficientes. Já estive mais informado sobre o Brasil em outras épocas. Por exemplo, perdi todo o contato com os militares brasileiros quinze anos atrás. Não sei o que eles pensam hoje. Tudo o que posso opinar hoje é puramente conjectural. É comparação com o que vi em outras épocas. Não tenho certeza de nada que possa estar dizendo.

 

R. Por que o senhor acha que os militares teriam algum tipo de informação especial? Parece que eles foram inclusive postos para escanteio no governo.

OC. Dei muitas aulas na Escola de Comando do Estado Maior e sei que o pessoal de Estado Maior discute esses assuntos todo dia. São as pessoas mais informadas deste país. Os outros eu não sei, mas esses têm a obrigação de estar informados e discutir. Estado Maior é discutir os assuntos. E oferecer as alternativas para o comando, daí o comando decide. Eu assistia muita discussão lá dentro, conhecia as correntes de opinião. Agora eu não conheço mais, não. Às vezes tenho uma impressão, outras vezes uma impressão oposta.

 

R. O senhor foi um crítico feroz dos militares, mesmo esses que estão trabalhando dentro do governo. Chegou a acusá-los de armar um golpe contra o presidente Bolsonaro.

OC. Não fui crítico feroz dos militares, fui crítico do general [Carlos Alberto dos] Santos Cruz. Você está ampliando o negócio, como se eu tivesse xingado todos os militares.

 

R. O vice-presidente Hamilton Mourão também levou umas lambadas da sua lavra.

OC. Ele que deu lambada no presidente primeiro, né? O presidente aparece falando uma coisa, depois ele vem falando o contrário. A coisa é duma arrogância, duma vaidade inteiramente descabida.

 

R. Ele também é militar do governo.

OC. Claro, mas você acha que ele, contradizendo o presidente abertamente, está fazendo sua função de vice-presidente? Nem de vice-presidente, nem de militar. Está procedendo como se fosse um candidato, um concorrente do presidente. Isso é simplesmente obsceno. Eu disse isso e repito. Agora parece que ele parou um pouquinho. Se tocou. Ele leu as minhas coisas e pensou, "estou exagerando", e maneirou um pouco.

 

R. Pelas coisas que o senhor escreveu, estava interpretando aquilo como um golpe em andamento, dentro do governo.

OC. Quem interpretou como golpe em andamento foi o Ciro Gomes. Eu apenas ouvi a opinião do Ciro Gomes e achei que tinha sentido, Não posso dizer que ele tinha razão. Mas por que cobram de mim isso aí, quando quem falou em golpe foi o Ciro Gomes? Protegem o Ciro Gomes, como se ele não tivesse falado nada, e eu passo a ser responsável pelo que ele disse. Isso é típico da mídia brasileira. O jornalista brasileiro... Eu sou um deles, mas hoje em dia, são todos f.d.p. Não sei se você é um deles ou não. Veremos. Gente que é analfabeto funcional, delirante, patológico. O que esses caras fazem hoje, se fizessem há 50 anos, seriam demitidos na hora. Não sabem nem escrever, meu Deus do céu.

 

R. O desemprego e as mudanças da internet, que desagregam muitos setores econômicos, trazem muita insegurança. O conservadorismo ganha força sempre que aparece uma situação de desagregação social. Está acontecendo isso no mundo?

OC. Ficamos mais de uma década sob as ordens de pessoas que roubaram mais de 8 trilhões do Brasil. Aumentaram a violência para 70 mil mortos por ano. Intitucionalizaram a corrupção em todos os níveis da administração pública. O país está destruído. Você estranha que depois as pessoas virem conservadoras?

 

R. Mas esse não é um processo que acontece somente no Brasil.

OC. Para, para. De jeito nenhum. Isso não aconteceu no mundo. A corrupção brasileira, esses 8 trilhões, nunca houve caso semelhante no mundo, na história humana.

 

R. Sim, mas a volta do conservadorismo acontece na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Itália.

OC. O pessoal tem o plano de uma nova ordem mundial. Está se cumprindo o que dizia o [economista e cientista político austríaco] Joseph Schumpeter. Quem vai destruir o capitalismo não são os proletários, são os capitalistas. E os capitalistas se transformaram naquilo que eu chamo de metacapitalistas. Meta quer dizer depois, o que vai para além. É o sujeito que ganhou tanto dinheiro no mundo do mercado que ele não aceita mais as regras do mercado. Ele quer controlar tudo. Então ele se torna um acionista do Estado. Junta-se um governo super-poderoso com meia dúzia de grandes empresas e isso controla a sociedade inteira por meio de engenharia social, propaganda, etc. Aqui nos Estados Unidos, a mídia inteira é de propriedade de seis empresas. seis indivíduos decidem tudo o que se pode pensar e o que não pode pensar.

 

R. O senhor fala de gente como Jeff Bezos, da Amazon, que comprou o Washington Post?

OC. Exatamente. Você tem uma concentração do poder, de manipular a opinião pública, como nunca houve na História. Essas empresas têm um poder parecido com o do KGB na União Soviética, é uma coisa monstruosa.

 

R. E qual a saída o senhor vê para isso?

OC. Como é que vou ver saída? Não me cabe ver saída de coisa nenhuma. É analisar o que está acontecendo. E sugerir para as pessoas quais são os desenvolvimentos possíveis. Mas não tenho obrigação de dar solução. No Brasil, todo mundo tem solução. Você pega esse Congresso Nacional, aquele bando de f.d.p. que tem lá, cada um tem solução para todos os brasileiros. Qualquer Kim Katacoquinho [deputado federal Kim Kataguiri] já vem com mil soluções no bolso. Apareceu seu Nhonho [referência ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia] com mil soluções. Seu Alconhonho [presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre] com mil soluções. Eu não sou como eles. Sei minhas limitações. Sou um sujeito intelectualmente maduro, intelectualmente saudável. Não sou presunçoso e megalômano como esse bando de idiotas. As pessoas, como estão acostumadas a isso, acham que sou igual a eles. Apenas com o signo ideológico trocado. Olavo entra de Nhonho da direita. É um absurdo, não sou isso aí. Sou um cientista político. Se você quer saber, sou o único cientista político dentro do Brasil. Os outros não têm capacidade para analisar m. nenhuma. Tudo o que eles dizem não acontece. Estou acertando todas as previsões há trinta anos. E a previsão certa é o teste da ciência. Se a ciência não é capaz de prever o comportamento do que está estudando, não tem o domínio desses fenômenos. Assim como o experimento em laboratório é o teste nas ciências físicas, a previsão certa é o teste nas ciências humanas. Nem previsão eleitoral eles conseguem fazer. A coisa mais simples do mundo. Quando o Lula foi eleito pela primeira vez, os especialistas entre aspas disseram que ele não teria mais de 30% dos votos. Eu disse: "a vitória do Lula não é apenas certa, mas inevitável". O Lula ganhou, ficou todo mundo quietinho. Com o Bolsonaro, a mesma coisa. E com o Trump, também. Eu acerto, eles erram. Mas continuam empinando o narizinho para falar de mim. São um bando de ignorantes falando de um homem de estudo. É uma situação intelectualmente patológica.

 
R. E como o senhor vê a saída do Lula da cadeia e possibilidade do STF anular sua sentença, permitindo até que ele seja candidato?

 OC. O problema não é o Lula, é que esse senhor Toffoli [Dias Toffoli, presidente do STF]  não sabe ler. Não entende o que ele escreve. Não percebe que essa sentença dele é auto-contraditória. Um dos princípios do Direito é o "ad impossibilia nem tenetur", ninguém é obrigado ao impossível. Ele escreveu uma sentença pela qual ele se obriga a julgar todos os inquéritos criminais do país.

 

R. São onze ministros no STF.

OC. São onze ministros. É duma estupidez, uma impossibilidade material tão grande, que um cara que escreve uma coisa dessa devia ser demitido imediatamente, por total inépcia. Não é porque vai favorecer o Lula ou não sei quem. Pode ter sido a intenção dele, mas isso comprova que ele é analfabeto funcional, não sabe o que escreve. Assim como centenas de deputados e juízes nesse país. O analfabetismo funcional é o maior problema do Brasil, porque espalhou incompetentes em toda a administração pública e privada. Na privada, menos.  Mas a administração pública é um terror.

 

R. Dada a impossibilidade de julgar tudo, fica a impressão de que é uma coisa encomendada para poucos.

OC. É verdade. É feito para favorecer a poucos, mas ele cria uma situação juridicamente inviável. Assim, assina sentença auto-contraditória, absurda, para favorecer o amigo dele. Então o lugar desse cara não é nem na prisão, é no hospício. Ele tem de ir para um manicômio judiciário amanhã.

 

R. E se Lula puder concorrer? O senhor, que já previu a eleição dele uma vez, diria que vai ficar como?

OC. O Lula não levanta mais. Você pode ter certeza de que há uma fila de neolulas esperando. Cada um deles vai querer enterrar o Lula o mais rápido possível. O Lula nunca foi um líder. Quando dizem que o Lula é um líder carismático, é porque não sabem nem o que é um líder, nem o que é carismático. O Lula foi apenas um símbolo unificador do partido. Ele nunca teve voz ativa, nunca mandou em nada. Enquanto o pessoal estava na assembleia, ele ia tomar cafezinho, voltava e perguntava o que tinham decidido. Daí ele vestia a camiseta e saía repetindo aquilo. Era um porta-voz, um símbolo. Nunca foi um líder, nunca liderou coisíssima nenhuma. O cérebro dele era o Frei Betto. Lula não pensava nada. Nem é capaz de ler o Pato Donald. Frei Betto dizia alguma coisa, o Lula repetia o que Frei Betto mandava e pronto. É um imbecil, pinguço, estuprador de cabrita e um sujeito que se gaba de ter tentado estuprar, verdadeiramente ou não, um colega de cela. Então verdadeiramente é um doente mental. E o pessoal não só elege o cara, como o beatifica. A Veja chegou a dar na capa foto do Lula fazendo imposição de mãos no pessoal do Nordeste. Era o poder curativo dos reis. Luís XIV, chegando lá: "majestade, estou com hemorróidas!". Ele fazia a imposição de mãos, curava as hemorróidas. É uma coisa absolutamente ridícula. O Brasil perdeu a a capacidade de medir as qualidades e defeitos, as forças e fraquezas das pessoas. 

 

R. O senhor acha que esse movimento do STF, e as críticas feitas à Lava Jato, são uma nova oportunidade para a continuidade do sistema corrompido dos governos do PT?

OC. Não viu as entrevistas do José Dirceu? Eles não querem só tirar o Lula da cadeia, querem voltar a ocupar o governo. Isso não quer dizer vencer uma eleição. Não é por meio eleitoral. É por meio de golpe. Eles estão dando golpe neste momento. É que estão dando mal. Mas é evidente que esse pessoal do STF todo trabalha para eles, trabalha para o Foro de São Paulo. Isso é óbvio.

 

R. Ouvi de gente ligada à CUT que o Nicolás Maduro estava certo, que se tivesse os militares ao lado,  e milícias armadas, como a venezuelana, o PT não teriam perdido o poder.

OC. Quem não sabe que o sonho dos comunistas sempre foi esse, foi o que sempre quiseram? Me dê um exemplo de país onde eles tenham tomado o poder, pacificamente, e mantido o rodízio do poder, a democracia? Nenhum. Quando tomam o poder, é para sempre. E para matar todos os adversários. São assassinos e genocidas por vocação. Nos últimos meses, dezenas de líderes esquerdistas têm pregado homicídio. Aquele Mauro Iasi [historiador] a Gleisi Hogffmann [presidente do PT]. A Gleisi Hoffmann, na mesma frase, incita a violência e critica os políticos que incitam a violência. É outra analfabeta funcional, não sabe o que está falando. E o Brasil está repleto de gente assim.

 

R. O que seria melhor para o Brasil: o governo governar pensando na oposição, ou fazer uma gestão mais propositiva, de melhorar a economia?

OC. Só sei uma coisa. O Brasil tem um povo. São 210 milhões de habitantes. Por que o pessoal não faz o que o povo quer, meu Deus do céu? A fórmula certa de governo ninguém tem. Mas o povo tem o direito de uma vez na vida escolher o que ele quer. Hoje, o que se chama de instituições democráticas? O Congresso e o STF. E o Congresso e o STF fazem só bloquear as decisões do povo. Então o que eles chamam de democracia é o inverso. Trata-se de uma oligarquia e a democracia está proibida. A democracia não é o governo das instituições. É o governo do povo, pelo povo e para o povo. Já esqueceram, será? Agora, o povo não pode decidir nada. Por exemplo, em 2005 teve o plebiscito das armas. Mais de 70% da população votou pela liberação das armas. Alguém obedeceu? Ninguém obedeceu. Esses f.d.p. do Congresso, do STF, cinicamente mandam o povo calar a boca, dizendo, "aqui quem manda somos nós". "Nós somos democratas, vocês são fascistas". É uma nação de fascistas governada por líderes democratas. Já parou para pensar nisso?

 

R. O senhor é a favor de uma reforma constitucional?

OC. Não tenho solução nenhuma. Desde 2013, falo para esse pessoal, os líderes das ruas, os senadores: parem de querer liderar. Pergunte ao povo o que ele quer, e deixe o povo escolher.

 

R. No sistema representativo eles deveriam representar o povo, embora muitos representem seus próprios interesses?

OC. Sem sombra de dúvida. Por que? Na Constituição está escrito que o poder soberano é do povo, que o exerce seja por meio de seus representantes, seja diretamente. Evidentemente, quando o povo exerce o poder diretamente, tem mais  autoridade que os seus representantes. É como um sujeito que passa uma procuração para o outro. Um procurador é apenas um pau mandado. Ele tem que fazer o que o signatário da procuração mandou fazer. Então esses f.d.p todos têm que obedecer o povo. E eles estão lá para fazer o que eles querem, como eles bem entendem. Desprezam a opinião popular, são dum cinismo, duma arrogância, duma prepotência como nunca se viu no mundo. Nunca se viu uma classe política tão arrogante, prepotente e autoritária como essa. Classe política e os juízes também. E os militares estão assistindo tudo isso e dizem assim, "ah, se vocês querem que a gente intervenha, vocês venham na rua e peçam". Pessoal já pediu mil vezes e eles não querem saber de nada. Pedir intervenção militar é outra besteira. Tem de haver intervenção popular, o povo tem de agir, o povo tem de impor a sua vontade. Esses camaradas têm de aprender isso aí, e têm de aprender agora. O Brasil precisa de uma democracia plebiscitária. Não como um regime perfeito, mas como uma transição para outro regime melhor, que não sei como será, o povo que vai decidir. Pela primeira vez, em 2013, o povo decidiu assumir o controle do seu destino. Mas está lutando por isso até hoje. Tem aí os Nhonhos, os Toffonhonhos, os Alconhonhos, os Saponhonhos, que estão lá para impedir que isso aconteça.