28 Nov 2021

Sai Weintraub, ministro da falta de Educação

  Qui, 18-Jun-2020
Weintraub e o guarda-chuva; agora, é verdade Weintraub e o guarda-chuva; agora, é verdade

Como já se anunciava, o presidente Jair Bolsonaro demitiu o ministro da Educação, Abraham Weintraub, nesta quinta-feira. As coisas não mudam muito, já que, em vez de fazer o que deveria por conta própria, Bolsonaro agiu somente por conta da pressão contra um ministro que primou, em todos os sentidos, pela falta de educação. E transformou a pasta num palanque ideológico, para agradar o chefe, ganhar prestígio na ala bolsonarista, e ser usado como um chuço pelo presidente contra desafetos - a única coisa que explica os 14 meses e 10 dias passados dentro do governo, o que, no caso de Bolsonaro, chega a ser um caso raro de longevidade.

A gota d´'água que tirou Weintraub do Ministério foi a forma como se referiu aos ministros do Supremo Tribunal, na já célebre reunião de 22 de abril, cujo vídeo veio a público por determinação do próprio STF.

Em meio a um mar de boçalidades, reveladoras da qualidade do governo e de seus integrantes, Weintraub refere-se aos ministro da Suprema Corte como "vagabundos" que ele gostaria de defenestrar.

Acabou defenestrado. "Desta vez é verdade", disse, na saída. Isto porque, no passado, já posou de guarda-chuva para dizer que "choviam fake news" sobre sua demissão. Recebeu convite para ser o diretor representante do Brasil no Banco Mundial, com um salário equivalente a 115 mil reais. Com apoio do presidente, continua debochando do país.

A gestão de Weintraub foi um desastre em todos os sentidos. Pelo Twitter, seguindo o modelo do presidente, entrou em incontáveis assuntos que não lhe competiam. Atacou do governador paulista, João Dória, ao presidente da França, Emmanuel Makron. As vilezas que escreveu e falou contra a China tomaram peso de crise diplomática.

Weintraub participou de manifestações de rua em plena pandemia para derrubar o STF e o Congresso nacional. Já no Ministério que tocava, colecionou projetos parados e desavenças com as universidades e o magistério federal. Congressistas pediram seu impedimento, barrado pelo STF.

Para Bolsonaro, estava bom. Significa que o presidente deve colocar no lugar de Weintraub alguém do mesmo calibre. E que, para resolver o problema de verdade, o STF deveria dar um tiro um pouco mais alto.