2 Jul 2020

Polícia Federal faz devassa na tropa bolsonarista

  Qua, 27-Mai-2020
Allan dos Santos e a PF: notícia verdadeira Allan dos Santos e a PF: notícia verdadeira

Um dia depois de vasculhar a vida do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, na chamada "operação Placebo", a Polícia Federal realizou outra batida, cumprindo 29 mandados em cinco estados, como parte da investigação para o inquérito sobre as fake news, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Foram alvo colaboradores próximos do presidente Jair Bolsonaro, como oito parlamentares, entre eles as deputadas do PSL Carla Zambelli e Bia Kicis, o ex-deputado Roberto Jefferson, Allan dos Santos, operador do blog Terça Livre, integrante da milícia digital bolsonarista, e o empresário Luciano Hang, dono da Havan, financiador da indústria de fake news de extrema direita. 

"Inquérito político e ideológico", disse o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente, apontado no inquérito como o coordenador da milícia digital bolsonarista. "Você que ri disso não entende o quão em perigo está."

Carlos não viu política nem ideologia no dia anterior, como os que entenderam na batida contra Witzel uma perseguição ao governador. O fato é que o presidente se encontra no ataque, tanto quanto na defesa, por conta do inquérito da Polícia Civil que apura, no Rio, as contas do seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, de Fabrício Queiroz, seu ex-assessor, além das ligações da família com a milícia suspeita de assassinar a vereadora Marielle Franco.

Na tarde desta quarta-feira, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a suspensão do inquérito das fake news, por meio de uma medida cautelar. Alegou para isso a ausência do Ministpério Público, que precisaria participar dessa fase da investigação, com supervisão ou anuência prévia". 

Seguiu Aras: "A investigação preliminar conduzida pelo STF não pode ser realizada à revelia da atribuição constitucional do Ministério Público na fase pré-processual da persecução penal, havendo de ser observados os direitos e as garantias fundamentais dos sujeitos da apuração".

"Véio" da Havan

De foram atropelada ou não, a PF seguiu os madados de busca e apreensão, inclusive na casa de empresários incluídos na investigação das Fake News: Edgard Corona, dono das academias Smart Fit, o investidor Otávio Oscar Fakhoury e Luciano hang, um dos financiadores das campanhas digitais de Bolsonaro e frequentador das redes sociais, onde se notabilizou como o "véio da Havan".

Moraes não determinou busca e apreensão no caso dos oito parlamentares citados no inquérito, mas que sejam ouvidos no prazo de dez dias. Eles ficam ainda proibidos de apagar mensagens nas suas redes sociais.

Há ainda um segundo inquérito que corre no STF contra Bolsonaro, criado a partir das denúncias do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, segundo as quais Bolsonaro deseja utilizar a PF para proteger familiares, políticos aliados e amigos.

Ofensiva

Não é rpeciso nenhum inquérito para verificar que o presidente passou a utilizar a PF numa ofensiva política, desde a saída de Moro. Ele mesmo declarou nesta quarta-feira a um grupo de apoiadores na porta do palácio da Alvorada que a PF deve realizar outras investigações sobre governadores que contrariam suas posições em relação ao coronavírus. 

"Vai ter mais", disse ele. "Enquanto eu for presidente, vai ter mais." Bolsonaro já havia chamado Witzel de "estrume" na reunião do dia 22 de abril, cujo conteúdo foi divulgado a pedido de Moro pelo STF. O tribunal, porém, também tem o poder de acionar a PF.

Bolsonaro quer fazer parecer que se trata de uma guerra institucional entre o Judiciário e o Executivo, quando se trata na realidade de uma retaliação pessoal, pelo fato de sua família estar sendo investigada, no Rio de Janeiro.

Aproveita-se do fato de que na política brasileira todos têm uma vidraça a ser quebrada - e acredita que vence no final quem tem mais força, ou ocupa mais espaço, não quem necessariamente tem razão.

Dessa forma, a politização do Judiciário vai se tornando uma nova ameaça, em que a Polícia Federal se torna joguete na mão dos poderosos que procuram mais salvar a própria pele do que se ocupam de dirigir a Nação.

E Brasília vai se tornando um cenário de faroeste, em que pistoleiros atiram uns nos outros, com grande probabilidade de que caiam todos mortos.