2 Jul 2020

Pezão completa a lista da vergonha no Rio

  Qui, 29-Nov-2018
Pezão preso: não fica  um, meu irmão Pezão preso: não fica um, meu irmão

Não foi surpresa para ninguém, especialmente os moradores de um estado cujos últimos três governadores já tinham sido presos por corrupção. Nesta quinta-feira, foi a vez do atual ocupante do Palácio Laranjeiras, Luiz Fernando Pezão, ser levado pela Polícia Federal. O vice, Francisco Dornelles, ficou no seu lugar.

Foram expedidos ainda mandados de prisão contra boa parte da cúpula do governo fluminense: o secretário de obras do Rio, José Iran Peixoto Júnior; o secretário de governo Affonso Henriques da Cruz; Luiz Carlos Barroso, lotado na Casa Civil; além de Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador, dos empresários Cláudio Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gonçalves, da JRO Pavimentação, e Luiz Amorim e César de Amorim, da High Control Luis.

Pezão foi preso preventivamente, sem prazo para ser solto, enquanto a polícia prossegue em suas investigações. 

O pedido, feito pela Procuradoria-Geral da República, foi feito para que ele não possa interferir, tanto política quanto financeiramente. Solto, "poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa", segundo a justificativa da PGR. Além disso, apesar de tudo o que já se viu, segundo as investigações os crimes continuavam em curso.

De acordo com a procuradora Raquel Dodge, Pezão "integra o núcleo político de uma organização criminosa que, ao longo dos últimos anos, cometeu vários crimes contra a administração pública, com destaque para a corrupção e a lavagem de dinheiro."

De acordo com o apurado, ele teria recebido cerca de 25 milhões de reais em propinas somente entre 2007 e 2015. Corrigido, esse valor seria hoje de 39 milhões, valor que a PGR pretende repatriar aos cofres públicos. 

Parte da corrupção teria ocorrido durante o período em que Pezão foi secretário de obras e vice-governador de Sérgio Cabral (MDB), de 2007 a 2014. Cabral está preso desde 2016. 

A PGR, no entanto, identificou a formação por Pezão de "um esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros", além de suceder Cabral no governo e nas suas operações.

"Pezão deu suporte político aos demais membros da organização que estão abaixo dele na estrutura do poder público e, para tanto, recebeu valores vultosos, desviados dos cofres públicos e que foram objeto de posterior lavagem", afirma a PGR no pedido de prisão junto ao Superior Tribunal de Justiça.

Pezão é o quarto governador sucessivo do Rio a ser preso - além de Cabral, integram a lista da vergonha Anthony e Rosinha Garotinho. É o primeiro, contudo, a ir para a cadeia em pleno exercício do mandato. Também já foram presos o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (MDB) e outros parlamentares.

Wilson Witzel (PSC), linha dura eleito para suceder Pezão, afirmou que a transição não será afetada e reforçou seu compromisso de "seguir trabalhando para mudar e reconstruir o Rio de Janeiro".