21 Jul 2019

Nesta segunda-feira no Palácio do Planalto, o grupo que representa a alta cúpula do governo reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro. Os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (GSI), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Paulo Guedes (Economia) externaram suas preocupações com o andamento da administração, que corre o risco de colapso.

Os membros da cúpula pretenderam arrumar a casa, de forma a tirar o governo da paralisia em que se encontra. Com isso, além da pressão externa, Bolsonaro passou a sofrer também pressão interna de seus próprios colaboradores para mudar.

Ao comentar a prisão do ex-presidente Michel Temer, o presidente Jair Bolsonaro reafirmou sua vontade de manter um relacionamento diferente com o Congresso, com o qual o ex-presidente viveu de acordos para sobreviver no cargo e, ainda assim, sem conseguir passar a reforma da Previdência. "Está claro que a política em nome da governabilidade, feita no passado, não estava correta", disse.

O presidente, porém, está agora no mesmo ponto que seu antecessor. Começou a enfrentar a resistência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aliado na formação de uma base de sustentação parlamentar, mas que na prática vem enviando sinais de que criará obstáculos para as reformas.

O fato é que, ao não levar suas propostas adiante, Bolsonaro vai sendo emparedado. E se vê diante da ingovernabilidade.

O ex-presidente Michel Temer e seu ex-ministro Moreira Franco, ex-governador fluminense, foram presos na manhã desta terça-feira, por ordem do juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro. Outros dez mandados de prisão foram expedidos na "Operação Radioatividade", incluindo a do coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer e considerado o seu braço direito financeiro.

O presidente Jair Bolsonaro tem a pior avaliação no terceiro mês de mandato entre presidentes desde Fernando Collor, de acordo com a pesquisa divulgada pelo Ibope, na qual aparece com somente 34% de aprovação (ótimo e bom), 34% de regular  e 32% de ruim ou péssimo.

Considerado um fenômeno das redes sociais, onde colocou todas as sus fichas também no começo de governo, Bolsonaro deve esse resultado justamente ao início desastrado na comunicação e a ministérios em que a combinação do discurso desastrado com a falta de ação formaram uma combinação ruinosa.

Nesta terça-feira, o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reuniu os líderes dos partidos que foram responsáveis pela sua reeleição, como PP, PSD, MDB, DEM e PR. Deixou de fora o PSL, do presidente Jair Bolsonaro.

No encontro, discutiu-se a "falta de articulação" do governo, que seria responsável pela dificuldade de levar adiante os projetos que já tramitam na casa, em especial o pacote anti-crime e a Nova Previdência. Mesmo o PSL está dividido com relação à aposentadoria.

O Supremo contra-ataca

em | Qua, 20-Mar-2019

Com seus membros investigados pela Receita Federal e o Ministério Público por enriquecimento ilícito, os ministros do Supremo Tribunal Federal partiram para o contra-ataque, no que promete ser uma guerra capaz de abalar as instituições da República.

Depois de votar por 6 a 5 que crimes comuns relacionados a leis eleitorais devem ir integralmente para a Justiça eleitoral, tirando os políticos da mira da Lava Jato, os ministros de STF vêm agindo sistematicamente para esvaziar investigações que podem resultar no questionamento de seu próprio comportamento.

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, vem sendo preparada para ser a mão suave do governo. Desde que fez seu discurso em libras, língua de sinais para surdos, na entrega da faixa presidencial, Michelle vem sendo preparada para atuar na área social. Uma ligeira compensação pela imagem assumidamente machista do presidente, e uma suavização do discurso de Jair Bolsonaro, que é por vezes anti-social.

Em sua viagem a Washington, nos EUA, o presidente Jair Bolsonaro tem feito mais que estabelecer novas rotas comerciais com a maior economia do mundo. Vem marcando a posição de seu governo - por seu empenho no alinhamento com o presidente americano, fez com que fosse chamado pelo Wall Street Journal de "Trump tropical". 

Já na noite da chegada, no domingo, jantou na casa do embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Sérgio Amaral. Do seu lado esquerdo à mesa, estava Steve Bannon, ex-guru deTrump na área digital, na qual o presidente brasileiro segue o americano como modelo. À sua direita, estava Olavo de Carvalho, que na véspera chegara a dizer que, da forma como vai, o governo de Bolsonaro não duraria "seis meses".

Deixou sua marca por onde passou - do apoio a uma solução armada para resolver o caso da "nossa Venezuela"  à liberação de visto para americanos, japoneses, australianos e candenses sem pedir contrapartida. Por um lado, abriu o Brasil, colocando o país como defensor da liberdade. De outro, deixou a preocupação de ter ido um pouco além do que devia.

Pela segunda vez em três dias, e a terceira desde que assumiu, há pouco mais de dois meses, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, anunciou a troca do ocupante da secretaria-executiva do Ministério da Educação - cargo mais importante da pasta depois do seu. Patrono de idas e vindas, como a famosa carta do hino, e cumulando pedidos de desculpas públicas pelo que diz ou faz no cargo, Vélez na prática se tornou o ministro da confusão. E navega sem rumo, nem autoridade, num posto essencial para o governo, vitimado por discussões ideológicas, por trás das quais está a cupidez pelo segundo maior orçamento federal, depois da Saúde. 

Por seis votos a cinco, o Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quinta-feira que processos da Operação Lava Jato que envolvem crimes eleitorais devem tramitar exclusivamente na Justiça Eleitoral. Delitos conexos, como corrupção e lavagem de dinheiro, deixariam a Justiça Federal, que trata de crimes comuns, para serem julgados apenas no âmbito eleitoral.

O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que a decisão poder levar à anulação de condenações anteriores, caso seja entendido que o juiz federal julgou alguém pelo crime de caixa dois, por exemplo, o que seria da competência da Justiça Eleitoral. Com isso, o STF esvazia a Lava Jato, que tem atuado na justiça comum, ameaçando de revisão inclusive casos já julgados.