4 Jun 2020

Depois do célebre Twitter de Carlos Bolsonaro, afirmando que a democracia atrasa as reformas necessárias ao país, a tropa de choque bolsonarista começou a disseminar nas redes sociais mensagens atribuindo a crise econômica e a dificuldade das reformas ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. É uma maneira de aliviar a responsabilidade do governo, por um lado, e de outro pressionar ou desautorizar as instituições republicanas e forçá-las a ceder.

A campanha toma forma ao tempo em que repercute a operação "Desintegração" da Polícia Federal, que entrou no Congresso para fazer uma blitz no gabinete do líder do próprio governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), por suspeita de corrupção - o que foi intepretado pela cúpula do Senado como um ato de pressão do próprio governo e também do STF, que autorizou a operação. 

A Polícia Federal deu uma batida na manhã desta quinta-feira no Congresso Nacional, para atender a um mandado de busca e apreensão nos gabinetes do senador Bezerra Coelho (MDB-PE) e seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE). Ambos são investigados por corrupção quando o senador era ministro da Integração Social, no governo Dilma Rousseff.

Bezerra Coelho é um desses políticos que está sempre ao lado do governo, qualquer que seja. Ruim ficou para quem aceitou esse apoio, em especial o presidente Jair Bolsonaro. Este reafirma sua independência da velha política, mas tem como líder no Senado não apenas um ex-ministro do governo do PT como alguém sob suspeita - e cuja utilidade é ser justamente versado nas velhas práticas condenadas pelo eleitorado que o colocou para governar.

A decisão de tentar barrar no Senado a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a corrupção no Judiciário cindiu de vez o partido do presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, investigado por corrupção no Rio de Janeiro, defende o posicionamento do partido contra a chamada "Lava Toga". E colocou do lado contrário os membros do partido fiéis à bandeira anti-corrupção, num movimento que provocou uma rachadura com potencial desastroso para a legenda.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras encaminhou ao Ministério Público no dia 11 de junho um relatório sobre movimentações consideradas suspeitas nas contas do deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), casado com o dono do site The_Intercept, Glenn Greenwald.

De acordo com o relatório, enviado ao Ministério Público dois dias após o site The Intercept Brasil publicar sua série de conversas grampeadas por hackers hoje em prisão preventiva, Miranda movimentou R$ 2,5 milhões em sua conta bancária entre 2 de abril de 2018 a 28 de março de 2019, valor que seria incompatível com seus rendimentos, que passaram a ser de 33 mil reais como deputado, quando ocupou a vaga de Jean Willys.

O vereador agora licenciado do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro se destacou no governo do pai, o presidente Jair Bolsonaro, como seu suposto mentor nas redes sociais - área em que atuou com sucesso desde a campanha eleitoral. Por isso, sempre foi visto como uma espécie de "deep throat" de Bolsonaro - o garganta profunda, aquele que fala em público o que o próprio pai não pode falar, fazendo algum tipo de jogo. Dessa forma, seus tuítes são sensíveis. E, por vezes, proféticos - como as críticas a ministros como Gustavo Bebbiano e Carlos Alberto dos Santos Cruz, que caíram logo depois.

Agora, também pelo Twitter, Carlos atacou a própria democracia - segundo ele, um sistema deficiente e sujeitado pelas "classes dominantes". Uma ideia que, partindo de quem parte, e com esse histórico, levantou preocupação sobre os verdadeiros interesses do clã Bolsonaro, que por sinal só está onde está pelo voto democrático popular.

Depois de visitar o presidente Jair Bolsonaro pela manhã, momento registrado numa foto em que apareceu com uma pistola enfiada na cintura, o deputado Eduardo Bolsonaro foi na tarde da última segunda-feira a um evento criado para discutir o incentivo aos investimentos estrangeiros no Brasil, promovido pela Abrig, associação de profissionais de relações entre as empresas privadas e o governo. No encontro, para o qual ele chegou antes da hora, ouviu palestrantes e fez anotações com letra de forma miúda, como um aluno aplicado, Eduardo afirmou que o empresariado brasileiro tem na gestão de seu pai uma oportunidade única para atrair novos negócios e prosperar.

"Aproveitem o momento", disse ele, "porque não sabemos como será depois". Afirmou que seu "maior sonho" seria uma "reforma da Constituição e das leis, de forma que, se vier um novamente um governo estatizante, não poderá agir" - referência clara ao PT e aos partidos mais de esquerda. Resta, porém, saber exatamente qual é o projeto para o desenvolvimento deste governo, além do discurso liberal. E, dentro dessa política ainda em formação, o papel de Eduardo tem se revelado mais importante do que parece aos críticos, que vêem nele erroneamente somente o filho que o pai quer colocar na embaixada em Washington.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, é visto como o integrante com maiores dificuldades no governo, mas quanto mais as coisas parecem complicadas para ele, maior é sua popularidade. A mais recente pesquisa de opinião, reliada pelo Datafolha, indica que ele é conhecido por 94% dos brasileiros e 54% avaliam sua gestão no Ministério da Justiça como ótima ou boa e outros 24% como regular - há 20% que a consideram ruim ou péssima É bem mais que o presidente Jair Bolsonaro, que tem apenas 29% de aprovação, com 30% de avaliação regular e 38% de "ruim ou péssimo".

Identificado não apenas com a Lava Jato como o juiz que é contra todo o sistema, Moro virou uma espécie de boneco de piche: quem bate nele fica grudado e, quanto mais batem, ou bloqueiam suas ações, mais ele se fortalece. Isto pelo simples fato de que quem se coloca lado contrário passa a ser considerado adversário do combate à corrupção, bandeira tão colada hoje a Moro como a cruz em Cristo.

Os ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Matheus foram presos novamente na manhã desta terça-feira, preventivamente, por conta de mais uma investigação sobre suas atividades no governo. Dessa vez, se trata de contratos com a prefeitura de Campos de Goytacazes, por meio dos quais eles teriam embolsado mais de R$ 25 milhões em propina da empreiteira Odebrecht, de acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Com eles, foi preso também o atual subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Sérgio dos Santos Barcelos, nomeado no mês passado, também envolvido. Com isso, o governador Wilson Witzel determinou sua exoneração.

Olavo de Carvalho enviou para A República uma notificação requerendo direito de resposta a uma notícia publicada em 14 de junho, segundo a qual o secretário de comunicação do governo, Fabio Wajngarten, teria feito uma proposta ao ex-ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz para colocá-lo em programas da TV pública federal. Nesse documento, Olavo afirma que não fez qualquer pedido nesse sentido. Argumentou que chegou a ter convite melhor, feito pelo presidente Jair Bolsonaro, para ser ministro da Educação, e o recusou, "embora honrado" (leia a declaração integral aqui)

Por meio de seu advogado, Olavo de Carvalho enviou uma notificação extrajudicial com pedido de direito de resposta para A República, no qual nega ter cogitado "produzir programas de televisão ou qualquer outro conteúdo em mídia para o governo federal". Em 14 de junho, A República publicou que o ex-ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, teria negado duas vezes o pedido feito pelo secretário de Comunicação Social do Planalto, Fabio Wajngarten, para colocar Olavo em programas na TV pública federal. Na notificação, Carvalho afirma que a notícia é "desprovida de qualquer fundamento". A República publica aqui, com o mesmo destaque e duração da notícia em questão, a resposta de Olavo: