23 Jul 2019

Na sexta-feira, o Superior Tribunal Militar negou o pedido de liberdade de nove militares envolvidos na morte do músico Evaldo Rosa dos Santos com mais de 80 disparos no último domingo, dia 7, no Rio. Enquanto o caso seguia seu curso na Justiça, o presidente Jair Bolsonaro não perdeu mais uma oportunidade de transformar um caso isolado em crise política. Em Macapá, numa entrevista coletiva,m afirmou que "o Exército não matou ninguém, não".

O episódio aumenta a ferida aberta entre Bolsonaro e os militares de seu governo, que têm perdido espaço na administração e veem o ponto de vista do presidente divergir do seu nas coisas que deveriam ser objetivas, incluindo admitir um erro evidente, que o próprio chefe das Forças Armadas prefere negar.

Depois de apresentar a nova cara da política externa brasileira em uma visita a Israel, o presidente Jair Bolsonaro participou de um almoço com cerca de 100 lideranças evangélicas, na quinta-feira, dia 11, reunidas no Rio para o Congresso do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb).

Estava em busca do apaziguamento de ânimos político-religiosos, que andavam exaltados. 

O Ministério Público Federal do Distrito Federal reenviou na quarta-feira à Justiça Federal duas denúncias contra o ex-presidente Michel Temer (MDB) que tinham sido engavetados durante seu governo por decisão da Câmara dos Deputados.

Ao deixar o cargo, Temer perdeu o foro privilegiado. E os processos voltaram à primeira instância. As acusações tiveram de passar por nova análise do Ministério Público, que decidiu reapresentá-las. 

O presidente Jair Bolsonaro demitiu o ministro da Educação, Ricardo Vélez, como já era esperado. Porém, deixou claro que as coisas não mudam muito, ao escolher Abraham Weintraub para o lugar. 

Economista de formação, com passagem como diretor estatutário do Grupo Votorantim, Weintraub defende uma ideologização do ensino à direita e um expurgo de conteúdo considerado de "esquerda" dos livros escolares. Segundo Weintraub, a esquerda se combate melhor, assim como acredita o escritor Olavo de Carvalho, dizendo "alguns palavrões" - uma nova versão da antiga linha dura, que se poderia chamar agora de "língua dura".

Para fazer passar a reforma da Previdência, primeira das várias medidas para restaurar as funções do Estado brasileiro, o governo começa agora a enfrentar o que o presidente Jair Bolsonaro chamou de "velha política". Nesta quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, passou por uma sabatina na Câmara, que terminou em desagradável bate-boca. Nesta quinta, o próprio Bolsonaro recebe líderes de partidos para falar do mesmo assunto. Ao final, o governo mostra-se pouco disposto a ceder ao que chama de "velho" - uma política mais conciliadora, da qual Bolsonaro ainda procura se manter à distância, martelando no centro uma imagem negativa na imprensa e nas redes sociais.

Por 35 votos a 14, a Câmara Municipal do Rio acolheu nesta terça-feira (2) um pedido de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (PRB) por crime de responsabilidade em contratos de outdoors e sinalizações públicas na cidade.

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, é uma unanimidade nacional. Ha três meses no cargo, depois de anunciar e demitir três secretários executivos, sem transmitir nenhum plano de trabalho coerente, já foi publicamente bombardeado até mesmo por seu padrinho no cargo, o guru-filósofo Olavo de Carvalho que, segundo ele mesmo, telefonou ao ministro com ofensas de baixo calão, livrando-se da responsabilidade pela indicação.

O presidente Jair Bolsonaro é o único fio a mantê-lo no cargo. Mas já parece tênue. Na quarta-feira, em entrevista à TV Bandeirantes, pela primeira vez o presidente admitiu que as coisas não estão indo bem no MEC. “Temos que resolver a questão da Educação", disse. "Realmente não estão dando certo as coisas lá, é um ministério muito importante. Na minha volta da viagem de Israel eu vou conversar com o Vélez.”

Nem demorou tanto.

Criada para tirar poder da ex-presidente Dilma Rousseff, e desengavetada na noite da terça-feira passada na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição do Orçamento faria mais que tirar margem de manobra para as ações do Executivo. Ao mesmo tempo, acobertaria a criação de um verdadeiro cheque em branco aos parlamentares, que teriam recursos para os projetos aprovados, independente do teto de gastos, que limita o crescimento das despesas da União.

Na noite desta terça-feira, a Câmara aprovou em sessão-relâmpago um projeto de emenda constitucional elaborado em 2015, que tinha o objetivo de colocar o governo de Dilma Rousseff numa camisa de força orçamentária, engavetado somente porque o impeachment veio antes. Num esforço que facilmente teria aprovado a mudança constitucional para a reforma da Previdência, a chamada "PEC do Orçamento", que praticamente toma do Executivo o comando do orçamento da União, passou com 448 votos em primeira votação e 453 na segunda.

Foi apoiada inclusive por lideranças e deputados da base governista e do próprio partido do presidente Jair Bolsonaro. Uma demonstração de que a Câmara pode se mobilizar rapidamente para aprovar de forma maciça projetos que unem todos os parlamentares e que o governo gostaria de ter visto a seu favor. Está vendo formar-se uma ampla coalisão - mas contra ele.

Às nove da manhã desta terça-feira (26), o presidente Jair Bolsonaro foi ao cinema, na companhia da mulher, Michelle, e da ministra da Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves. Assistiu num shopping de Brasília O Milagre da Fé - uma história de superação, exibida para uma plateia de surdos-mudos, de quem a primeira-dama se aproximou desde seu discurso na linguagem de libras, na posse presidencial.

Dali, o presidente saiu para seu próprio desafio de superação, em meio à crise com o Poder Legislativo, que barrou a reforma da Previdência e o pacote anticrime, desmantelando o apoio a Bolsonaro, inclusive o de seu próprio partido, o PSL.