19 Fev 2020

A delação do ex-ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, quebrou duas barreiras dentro do processo da Operação Lava-jato, que busca desmontar e punir a corrupção institucionalizada durante os governos dos ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Pela primeira vez, o depoimento veio de um membro do mais alto escalão do governo – interlocutor direto de Dilma e Lula. O depoimento de Palocci quebrou também outro extraordinário paradigma – a lei do silêncio que impera no PT.

Os políticos vinculados à legenda têm boas razões para evitar a delação – e não somente por lealdade aos companheiros de legenda e correligionários. A história de gente que enfrentou a corrupção ou falou demais sobre o que acontece nos bastidores dos governos do partido costuma acabar de forma violenta. Enfrentar os esquemas de corrupção por dentro do PT ou dedurar gente do partido têm equivalido historicamente a uma sentença de morte.

Depois que o Congresso rejeitou a primeira denúncia contra o presidente Michel Temer, em julho passado, ficou claro que qualquer iniciativa da Justiça contra o presidente será barrada pelos parlamentares, em nome da estabilidade e da reforma econômica, o que praticamente lhe deu carta branca para terminar o seu mandato. Ainda assim, as acusações vão se empilhando na porta do Congresso, o que sugere que Temer irá governar das trincheiras até passar a faixa ao seu sucessor eleito.

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