28 Nov 2021

Desde que assumiu, o presidente Jair Bolsonaro rapidamente começou a desfazer compromissos com forças que o elegeram para moldar o governo com algo mais próximo dele mesmo. Primeiro, livrou-se de Gustavo Bebbiano, sinalizando seu afastamento do seu próprio partido, o PSL, e colaboradores mais moderados, como o general carlos Alberto dos Santos Cruz. Com a saída do ministro da Justiça, Bolsonaro  coloca mais Bolsonaro no governo.

Para o Ministerio da Justiça, o rpesidente nomeou André Luiz de Almeida Mendonça, que ocupava a chefia da Advocacia Geral da União. No comando da Polícia Federal, apesar das advertências de Moro e do protesto dos delegados da instituição, confirmou Alexandre Ramagem, por critérios que seguem a lógica do bolsonarismo.

O presidente Jair Bolsonaro atua quebrando barreiras - incluindo as que não pode. E o sistema começou a reagir, nas várias frentes onde ele toma iniciativas que não lhe cabem - ou que não são permitidas, da forma que ele faz. Ao atropelar subordinados, a ética e a lei, o presidente vai lançando um bumerangue que começa a dar a volta na sua própria direção.

Paulo Guedes, desde o inicio, tem um plano coerente para tentar ajustar a economia por meio do incentivo aos bancos. O mercado financeiro amou e ainda confia nele. 

Ao atropelar o ministro Sérgio Moro com sua decisão de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, como vinha querendo há muito tempo, o presidente Jair Bolsonaro agiu no sentido de fazer o que nenhum de seus antecessores jamais ousou: brecar investigações que podem alcançá-lo. Em especial, os negócios no antigo gabinete como deputado estadual de seu filho Flávio, operados pelo ex-assessor e amigo pessoal do presidente, Fabrício Queiroz.

Os militares do governo tentaram negociar para manter Moro no governo. Porém, o estrago de Bolsonaro já estava feito. Com Moro saindo, Bolsonaro fica nu, exposto na tentativa de acobertar crimes que podem envolvê-lo ou a seu filho. Na saída, Moro deu entrevista lembrando que a autonomia da PF foi preservada mesmo durante os governos do PT, o que permitiu o seguimento da Lava Jato. Mais: disse que pediu a Bolsonaro uma causa para demitir o diretor-geral. "Eu disse ao presidente que seria uma interferência política na PF", relatou Moro. "E ele disse: é mesmo."

O Brasil assiste hoje o crescimento de um movimento ainda pequeno em número, embora barulhento, de gente que pede um regime autoritário no país. A maior ameaça autoritária, porém, não vem daí. Ela passa pelo enfraquecimento geral da democracia brasileira, da qual o presidente Jair Bolsonaro, com suas ideias, sua postura, seu comportamento e seus seguidores à beira do fanatismo político, é apenas o sintoma mais visível.

O governo de São Paulo anunciou nesta terça-feira um plano de retomada da atividade, que começa a ser colocado em prática a partir de 11 de maio. Acena, assim, com o fim do isolamento social para quem não está no grupo de risco. O governador João Doria (PSDB) afirmou que a fila para testes para covid-19 no estado foi zerada e que vai reprimir manifestações em ruas que dão acesso a hospitais.

Dória segue a distensão que outros países já vêm fazendo, como a Itália, depois de concluírem que o isolamento não cortou a epidemia. E tira o discurso do presidente Jair Bolsonaro, que manobrou para jogar sobre os governadores todo o ônus pela paralisação econômica durante o Covid-19.

Em agosto de 1964, quando o novo regime ainda se consolidava numa ebulição de interesses e possibilidades, um punhado de políticos civis visitava quartéis a fim de instigar militares a asfixiar o que restava da oposição e endurecer as regras do jogo (quase) democrático -- o que de fato viria a acontecer,  aos poucos, a prestações, até a instauração da autocracia oficial em dezembro de 1968, com o AI-5. 

O aparente recuo público após comparecer à manifestação pró-intervenção militar do presidente Jair Bolsonaro acomodou a ala militar dentro do governo, que, como ele, não gosta da dificuldade do Executivo em aprovar medidas no Congresso, segundo ouviu Igor Gielow, da Folha de S. Paulo, de fontes do Legislativo e do Judiciário em contato com o Ministério da Defesa.  Bolsonaro sente-se emparedado também por não conseguir impor uma política de não isolamento aos governos estaduais - a quem constitucionalmente, conforme confirmou o Supremo Tribunal Federal, cabe a decisão, caso a caso.

Contudo, Bolsonaro conseguiu o que queria. Com base na sua experiência militar,  faz no governo uma guerra de posição - ataca e recua, mas a cada ataque, avança um pouco mais. Após o domingo, a militância bolsonarista passou a apoiar abertamente o golpe. E o presidente desafia abertamente a legitimidade dos Poderes Legislativo e Judiciário.

"Se criminalizarem os intervencionistas, então não vejo outra saída senão uma intervenção militar, pois estariam usando o Estado para impor a ideologia de um discurso único", escreveu no Twitter Allan dos Santos, um dos articuladores da milícia digital bolsonarista, que na estratégia atual utiliza como base um site denominado "opovonopoder.com.br".

Depois de ir a um ato pró-golpe, pelo fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, no qual discursou diante do Quartel General das Forças Armadas em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro, ao sair para o trabalho na manhã desta segunda-feira, negou tudo o que disse. Classificou o propósito da manifestação e do seu próprio discurso, divulgado por ele mesmo nas redes sociais, como "invencionice" da imprensa. "O pessoal conspira para chegar ao poder, eu já estou no poder", disse ele. As máscaras, porém, já caíram no Bolsonaro do Covid-19. Entre o presidente do domingo e o de segunda-feira, fica apenas o político que não inspira confiança e age, no poder, como um terrorista.

Neste domingo, houve uma concentração de centenas de pessoas em frente aqos quartéis em várias cidades do país, em manifestação convocada pela milícia digital do rpesidente Jair Bolsonaro, com a pregação aberta de um golpe que fecha o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, inspirado no AI-5, que instituiu o regime de exceção do país diurante os governos militares. As Forças Armadas foram incitadas a colaborar. Bolsonaro deixou dissimulações de lado para iniciar uma campanha aberta de movimentos de rua para reinstituir uma ditadura no Brasiul, aproveitando-se da incerteza lançada pela pandemia do vírus corona. "Todos no Brasil têm de entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro", disse ele. "Chega da velha política.". Em outro momento, Bolsonaro reiterou seu projeto autoritarista. "Não queremos negociar nada", disse ele, na caçamba de uma caminhonete branca.