23 Jul 2019

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo no último domingo, defendeu a criação de uma coalização de forças de centro para evitar a eleição dos dois elementos que estão hoje à frente nas pesquisas de intenção de voto: Luís Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. 

Já lá se vão pelo menos duas décadas que o financista Henrique Meirelles busca condições pragmáticas para um dia vir a ocupar a Presidência da República. Mais que um sonho diáfano, acalentado desde a adolescência, trata-se de um plano meticulosamente preparado, cadenciado, paciente, com idas e vindas, fluxos e afluxos. E, para ele, o momento surge agora.

A Lava Jato já derrubou ministros do presidente Michel Temer, cujo primeiro escalão do governo já teve boa parte de seus membros durando apenas uma noite de verão. Dessa vez, o alvo é um político que saiu da vidraça antes de levar a primeira pedra.

O ano que vem será conturbado por uma eleição presidencial de extremos, em meio a um cenário de crise econômica. Porém, é certo que qualquer candidato, não importa o partido, terá de seguir um único roteiro se quiser vencer e tirar o país de onde estamos: um discurso contra a corrupção, pelo crescimento e a retomada do emprego e a restauração do Estado. E deve comprometer-se no plano de governo com uma privatização ampla e a devolução do Estado às suas funções reguladoras e sociais. É o único caminho capaz de restaurar a confiança do país e restabelecer o princípio da autoridade, o equilíbrio financeiro e a retomada do crescimento de forma sustentável.

O governador de São Paulo barra as CPIs na Assembleia do Estado, mas se encontra politicamente sitiado, depois da delação de corrupção das empreiteiras. Como o presidente Michel Temer, ele sofre o desgaste de passar agora a viver sob fogo. Inclusive dentro do próprio partido: seus opositores receiam que, ao atravessar 2018 se explicando, Alckmin acabará enfraquecido na disputa presidencial. A ideia de apoiar a reforma da Previdência e se aproximar de Temer numa frente de centro-direita nunca pareceu tão ruim, por associá-lo também às práticas já politicamente condenadas do PMDB - cujo chamado "quadrilhão" está mais perto da cadeia que do sucesso eleitoral no ano que vem. O governador entra, assim, num processo de "temerização".

Apareceu o primeiro nome de governo que teria participado da formação de cartéis pelas empreiteiras para dividir entre si as obras no estado de São Paulo entre 1998 e 2014. Segundo delação da Odebrecht ao CADE, "Paulo Preto", o ex-diretor de engenharia da Dersa Paulo Vieira de Souza, teria organizado pelo lado do governo paulista os consórcios e direcionado licitações do Programa Viário, obras lançadas em 2008 de cerca de R$ 5,5 bilhões.

Paulo Preto é um controvertido personagem, apontado pela oposição em São Paulo como o arrecadador de fundos do PSDB, demitido da Dersa e cuja história de repente veio à luz quando foi preso em flagrante numa loja Gucci do Shopping Iguatemi em São Paulo, em 12 de junho do ano passado, negociando um bracelete de brilhantes roubado, avaliado em R$ 20 mil.

O Supremo Tribunal Federal (STF), diferente do que fez com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), confirmou a decisçao do ministro Edson Fachin de levar adiante os processos contra políticos do PMDB denunciados junto com o presidente Michel Temer por corrupção. Porém, tirou o caso das mãos do juiz Sérgio Moro.

Em seu 10º depoimento à Lava Jato, ontem, quinta-feira, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, admitiu ter recebido dinheiro da Carioca Engenharia, que irrigou o caixa dois de campanhas.

A Comissao Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) aprovou relatório final sobre o caso JBS, com a inclusão de um pedido de investigação do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, que apresentou ao Congresso também duas denúncias contra o presidente Michel Temer.

 

A marcação da data para o julgamento de Luís Inácio Lula da Silva em segunda instância, para o dia 24 de janeiro, fez os líderes do PT acirrarem seu discurso e apontarem para uma radicalização do partido em 2018. Condenado pela Lava Jato, o ex-ministro José Dirceu convocou os militantes por meio de uma mensagem por escrito a promoverem na data o “dia da revolta”. Em mensagens, veiculadas pelo jornal Folha de S. Paulo, Dirceu afirmou ontem que "a hora é de ação, não de palavras". Sugeriu colocar em prática "a fúria e revolta, a indignação e mesmo o ódio". E que sejam criados pelo partido comitês em defesa de Lula, para, em suas palavras, "desmascarar e combater a fraude jurídica e o golpe político".