19 Fev 2020

Depois que o Supremo Tribunal removeu na noite de quinta-feira a prisão automática após a segunda instância, por 6 votos a 5, as redes sociais se encheram de fake news e material de propaganda sugestivos de um golpe militar. Associam a decisão do STF a uma demonização da libertação do ex-presidente Lula, principal interessado na reviravolta jurídica perpetrada na mais alta corte do país. Esse conteúdo revela justamente a quem interessa exacerbar o conflito - e os riscos que corremos com essa tentativa de manipulação da opinião pública.

O presidente Jair Bolsonaro nunca deu importância à cultura. Pelo menos, à diversidade da Cultura, instrumento essencial da educaçao, que visa jsutamente estimular o livre pensamento. Agora, promoveu o mais bizarro movimento de seu governo: tranferiu a Secretaria especial de Cultura, que era o antigo Ministério, do Ministério da Cidadania para o do Turismo. O secretário Ricardo Braga foi exonerado. 

Para o lugar, o presidente nomeou Roberto Alvim, ex-diretor do Cenro de Artes Cenicas, que chamou a atenção recentemente por chamar a atriz fernanda Montenegro de "intocável" e "mentirosa", o que caiu no agrado do bolsonarismo.

Depois de afastar o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, o presidente Jair Bolsonaro começou a expurgar os militares restantes no governo. Nesta segunda-feira, pediu demissão, depois de longa fritura, o chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Maynard Marques da Santa Rosa.

Com ele, saiu também os generais Lauro Luís Pires da Silva. Contam-se entre demissionários o secretário especial adjunto, Ilídio Gaspar Filho, secretário de Ações Estratégicas e Walter Félix Cardoso Junior, bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, há três décadas no Exército, assessor de Lauro Silva. Circulou ontem entre miliatres uma mensagem atribuída a Félix explicando que a saída do grupo se deve "a desalinhamento cultural e conceitual".

Santa Rosa é um estrategista do Exército e o último quadro importante no governo ligado ao vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Vinha sendo fritado pelo ministro Jorge Oliveira, titular da Secretaria-Geral da Presidência, a ponto de requisitar oficiais ao Exército, porque lhe tiraram a equipe. Assim, Bolsonaro vai ocupando mais espaço e se livrando das alianças de campanha, incluindo os militares.

O presidente Jair Bolsonaro já tinha um problema para resolver sobre seu passado, que era a relação com seu ex-assessor e amigo Fabrício Queiroz, operador das contas do presidente e de seus filhos, que ocupava o posto de chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, hoje investigado criminalmente. Agora, Bolsonaro auemntou sozinho seu possível envolvimento com a investigação do assassinato da vereadora carioca do PSOL, Marielle Franco. Depois de rebater uma informação dada pela TV Globo na terça-feira, segundo a qual um porteiro afirmou à polícia que a autorização para um suspeito de matar Marielle entrar no condomínio onde ele mora teria partido de sua casa, Bolsonaro deixou escapar, numa entrevista neste sábado, que pegou a gravação dos vídeos da portaria "antes que fosse  adulterada". O que, além de interferência direta num material de investigação criminal, é uma atitude estranha para quem afirma não ter qualquer relação ter com o caso. Como ele sabia que seu condomínio seria investigado? 

Uma série de eventos confirmam a intenção deliberada do presidente Jair Bolsonaro, à frente de seus filhos, de instalar no país o terrorismo de Estado. Trata-se de um método para implantar um regime autoritário, desestabilizando as instituições do país e da sociedade organizada, por meio de uma comunicação de guerrilha e do uso da máquina pública.

Mesmo isolando-se cada vez mais dessa forma, Bolsonaro jamais recuou. Foi elucidativo o vídeo que o presidente postou, no qual aparece identificado como um velho leão,  lutando contra um bando de hienas, cada uma associada a instituições republicanas, como o STF, veículos de imprensa ou entidades da sociedade civil.

Até agora as operações do ex-PM Fabrício Queiroz estavam restritas à chefia do gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro, o atual senador Flávio Bolsonaro, em seu mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro. Uma série de áudios de Queiroz, porém, veio à tona - e mostra que era o pai, Bolsonaro, quem administrava as nomeações e exonerações não só de seu gabinete como de seus filhos.

Num desses áudios, Queiroz chega a dizer que o Ministério Público tem "um meteoro" contra eles. Com isso a bomba Queiroz passa do colo de Flávio para a do próprio Bolsonaro. O presidente admitiu que até 2018 "tinha liberdade" para conversar com o ex-assessor e afirmou à Folha de S. Paulo que considera sua ingerência no gabinete de parentes algo "normal".

Nesta terça-feira, avançou no Sendo a aprovação da reforma da Previdência, com algumas modificações que não alteraram a espinha da emenda constitucional. Foi uma grande vitória do governo, a primeira, única e possivelmente a última. O esfacelamento do apoio ao presidente Jair Bolsonaro no Congresso, que culmina com a implosão de seu próprio partido, o PSL, indica que o governo a partir  deve ser emparedado para a aprovação das próximas reformas - como a da segurança, do funcionalismo público e do sistema triburário. "Fica difícil apoiar um presidente que toda hora toca fogo no circo", resumiu o senador Álvaro Dias (PODEMOS-PR)

A briga fatricida no PSL criada pelo presidente Jair Bolsonaro acabou jogando a milícia virtual bolsonarista contra aqueles que até a semana passada o apoiavam - e os dissidentes trataram também de expô-la à luz do dia. Foi o caso da deputada Joice Hasselman, que votou pela permanência do deputado Waldir (PSL-GO) na liderança do partido, contra o presidente. O posto acabou ficando com Eduardo Bolsonaro, que assim desistiu de ser embaixador em Washington. Joice foi destituída da liderança do governo no Congresso e passou a atirar contra o presidente, da qual sempre foi uma das grandes defensoras, e contra o próprio Eduardo.

"Nao tenho medo de você, moleque", disparou contra Eduardo. Acusou-o de usar "robôs, neuróticos e paus-mandados" na guerrilha virtual, "pagos com dinheiro público". E afirmou que o presidente, dessa forma, "ficará sozinho".

Acabou mal para o presidente Jair Bolsonaro sua tentativa de tomar o PSL do  seu presidente, Luciano Bivar, com a dupla de intenção de apoderar-se dos recursos do partido e tornar a legenda mais a cara da "direita" com ele sonha - sem vínculo com candidatos laranjas e jeito de arco-íris ideológico. Num só movimento, o presidente na prática desmontou esta semana, num efeito dominó, a maior parte do que lhe restava de apoio político.

Primeiro, acabou perdendo o que tinha dentro do próprio partido. Seus dois filhos foram destituídos da liderança regional do PSL -  o senador Flávio no Rio, e o deputado Eduardo em São Paulo. Ao mesmo tempo, o presidente ganhou outro inimigo gratuito e perigoso, ao trocar sua liderança no Congresso. Entrou um deputado do MDB, Eduardo Gomes, e saiu Joice Hasselman, maior influencer digital dentro do PSL, dizendo que "a traição é o modus operandi do governo". 

Ao acenar com apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal que querem eliminar a prisão após a segunda instância, Bolsonaro perdeu ainda muito mais. Retribuiu a gentileza dos ministros que formam a maioria da Segunda Turma, que suspendeu as investigações sobre seu filho Flávio. Com isso, porém, Bolsonaro minou a confiança do eleitorado que via nele o capitão caçador de bandidos - e tudo indica que também a dos militares.

O juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, absolveu nesta quarta-feira o ex-presidente Michel Temer de “obstrução de Justiça”. A denúncia partiu de denúncia do então procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, por conta da gravaçao de uma conversa de Temer com Joesley Batista, dono da JBS. Para o juiz, que analisou a gravação original, não houve crime. Pelo contrário, apontou uma iniciativa danosa de Janot, prejudicial ao presidente.