21 Jul 2019

O bárbaro massacre de estudantes e funcionários da escola Raul Brasil, em Suzano, levantou uma onda de comoção em todo o país. O massacre se junta à  sensação de disseminação da violência no cotidiano, espalhada em todos os campos da vida nacional.

A violência está por perto no adolescente que entra na escola para matar colegas. Na prisão de policiais acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco, a bordo de milícias que tinham parentes empregados no gabinete do filho do presidente - sendo que o atirador morava no mesmo condomínio que ele.

Não se pode dizer que há envolvimento do presidente e sua família com a milícia e o crime, muito menos que ele é responsável pelo que aconteceu em Suzano. Porém, o chefe de governo representa o Estado. Está claro que há uma responsabilidade do Estado em tudo o que está acontecendo. E que não há coincidências.

Depois de 11 dias de folga por conta do Carnaval, o Congresso recomeçou a trabalhar. O projeto da Nova Previdência, que está na casa desde o dia 28 de fevereiro, começará a ser apreciado a partir desta quarta-feira, quando deve ser constituída a Comissão de Constituição e Justiça, que analisará primeiro a sua legalidade.

Os congressistas, porém, vêm usando a falta da parte da reforma que diz respeito à aposentadoria dos militares como pretexto para postergar sua análise.  .

Líderes partidários da Câmara fecharam um acordo na noite da segunda-feira (11), para que a Comissão só vote a admissibilidade da reforma depois que o governo enviar o texto sobre os militares.

É um desafio ao governo, sinal de que a Previdência não passará de qualquer forma.

O influenciador político Olavo de Carvalho, que indicou pelo menos dois ministros de Estado (Ricardo Vélez, na Educação, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores), além de um número de funcionários de primeiro e segundo escalão que ele mesmo conta em "umas poucas dezenas", exortou pelas redes sociais na sextafeira, dia 8, todos o seus "alunos" a saírem do governo "o mais cedo possível", para "voltar à sua vida de estudos". "O presente governo está repleto de inimigos do povo e andar em companhia desses pústulas só é bom para quem seja como eles", escreveu.

Carvalho passa a impressão de que se trata de uma retirada voluntária, quando o que ocorreu foi um afastamento de seus colaboradores, a começar pelo primeiro escalão do Ministério da Educação. “O expurgo de alunos do Olavo de Carvalho do MEC é a maior traição dentro do governo Bolsonaro que se viu até agora", postou no Facebook Silvio Grimaldo de Camargo, um dos oito "discípulos" afastados após uma reunião de Vélez com militares e membros da Casa Civil na tarde da sexta-feira.

Transformado de guru em opositor, Carvalho se manifesta por meio de vídeos, em tom agressivo, como o dono da verdade, composta por um moralismo recheado de palavrões e ofensas gratuitas. Reuniu ao seu redor um grupo fervoroso que o trata como a um aiatolá brasileiro radicado na Virgínia - e se tornou a maior ameaça ao governo dentro do próprio governo.

O presidente Jair Bolsonaro avisou com antecedência que gostava do estilo do americano Donald Trump, que, no governo, resolveu seguir como se estivesse em campanha, não no poder. E, como Trump, vem fazendo provocações que muitas vezes se voltam contra ele mesmo, num efeito bumerangue.

Tal qual  Trump, Bolsonaro parece não se acomodar no paletó da presidência. Continua como antes da investidura do cargo. Mal baixou a poeira da publicação de um vídeo com obscenidades em sua conta no Twitter, voltou a levantar espuma contra o vento, dessa vez num discurso para militares, na cerimônia de 211º aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, na Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, centro do Rio de Janeiro. 

A morte do neto Arthur, de meningite, aos 7 anos de idade, foi o mais duro golpe para o ex-presidente Lula, que deixou a prisão na Polícia Federal em Curitiba neste sábado de Carnaval pela primeira vez para encontrar os parentes no velório.

Lula já tinha sofrido uma pesada perda, em 29 de janeiro, quando faleceu seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, que o colocou ainda jovem no movimento sindicalista. Na ocasião, a Justiça negou ao ex-presidente o direito, concedido a presos comuns, de deixar Curitiba - a alegação foi o receio de tumulto. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, aceitou recurso para liberá-lo, mas tarde demais para que Lula chegasse ao enterro a tempo, e ele desistiu.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, revogou a nomeação da cientista política Ilona Szabó, do Instituto Igarapé, levada como suplente para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. A indicação foi bombardeada nas redes sociais por seguidores de Bolsonaro, gerou a saída em protesto de outro militante desarmamentista, Renato Sérgio de Lima, e deixou no ar um clima de constrangimento no Ministério da Justiça.

"Moro disse que lamentava, mas estava sendo pressionado", afirmou Szabó. O episódio foi comemorado assim pelo filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, em seu Twitter: "Após exonaração de Ilana Szabó outro que era contra o projeto anti-crime de Moro pede para sair", escreveu Eduardo. "O desarmamentista Renato Sérgio de Lima, do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, dispensou-se em solidariedade a Szabó #grandedia"

O Ministério Público solicitou às empresas de compartilhamento de mensagens no WhatsApp e Facebook para relacionar nomes e contratos de todos os candidatos, partidos e coligações que compraram seus serviços nas eleições de 2018. O objetivo é identificar o uso de "laranjas" para disparar notícias falsas tanto contra Jair Bolsonaro (PSL) como Fernando Haddad (PT).

Além da advogada Guiomar Mendes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, a Receita Federal tem investigado também as contas de Roberta Maria Rangel, mulher do presidente do tribunal, Dias Toffoli. A investigação, ainda preliminar, ganhou importância por duas razões. A primeira é a suspeita de que o recebimento de dinheiro via escritórios de advocacia em nome das esposas possa ser um negócio paralelo de compra de influência dos ministros da mais alta corte republicana.

Outro problema foi o vazamento da investigação à imprensa, com o protesto público de Mendes, que reclamou da devassa nas suas contas e sobretudo do devassamento de sua vida financeira, que é privada. Segundo apurou o Estado de S. Paulo, o presidente Jair Bolsonaro telefonou para Mendes, garantindo que trataria de verificar os responsáveis pelo vazamento dentro do órgão, subordinado ao Ministério da Economia e, portanto, ao presidente da República.

Na primeira pesquisa de opinião sobre a atual gestão, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi considerado ótimo ou bom por 38,9% da população, segundo o instituto MDA, em levantamento encomendado pela Confederação Nacional do Transporte. Para 29% dos pesquisados, o governo é regular. Para 19%, ruim ou péssimo. E 13,1% não souberam opinar.

Os ministros "ideológicos" do governo Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez, da Educação, e Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, enfrentaram forte resistência à ideia de filmar os alunos nas escolas cantando o hino nacional. Ela surgiu como uma recomendação de Vélez, por meio de carta às instituições, na segunda-feira. E causou uma reação em cadeia, que transbordou das escolas para entrar nas redes sociais, onde a iniciativa foi classificada como "fascistóide" e Vélez comparado a "Mussolini".