19 Set 2019

Prisão dos Garotinho revela outras negociatas

  Ter, 03-Set-2019
Rosinha é presa: superfaturamento Rosinha é presa: superfaturamento

Os ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Matheus foram presos novamente na manhã desta terça-feira, preventivamente, por conta de mais uma investigação sobre suas atividades no governo. Dessa vez, se trata de contratos com a prefeitura de Campos de Goytacazes, por meio dos quais eles teriam embolsado mais de R$ 25 milhões em propina da empreiteira Odebrecht, de acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Com eles, foi preso também o atual subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Sérgio dos Santos Barcelos, nomeado no mês passado, também envolvido. Com isso, o governador Wilson Witzel determinou sua exoneração.

O esquema de superfaturamento funcionava em um projeto de construção de casas populares dos programas "Morar Feliz I" e "Morar Feliz II", nos dois mandatos de Rosinha como prefeita na cidade, entre 2009 e 2016. E envolve mais gente colocada no alto escalão da atual política fluminense.

Foram presos ainda Alvarenga Cardoso Gomes e Gabriela Trindade Quintanilha, que "exerciam funções de apoio à organização criminosa, notadamente quanto ao efetivo recebimento das quantias indevidas", segundo o MP. Barcelos teria sido intermediário das negociatas; Ângelo Gomes teria trabalhado para os Garotinho em 2012, e Gabriela Quintanilha em 2014. Até junho, Barcelos era chefe de gabinete do líder do PSL na Assembleia Legislativa do Estado do Rio, Gil Vianna. Ângelo Gomes é assessor parlamentar do vice-presidente da Alerj, o deputado Jair Bittencourt (PP). Gabriela Quintanilha é assessora parlamentar da deputada Lucinha (PSDB na Alerj.

"Gabriela Quintanilha exerce a função de assessora parlamentar em meu gabinete desde 2015", disse a deputada ao UOL, em comunicado. "Durante este período não ocorreu nada que desabonasse a conduta dela. Vou esperar o curso das investigações, para tomar as medidas cabíveis."

O advogado de Garotinho e Rosinha, Vanildo José da Costa Júnior, afirmou que a prisão "é absolutamente ilegal, infundada e se refere a supostos fatos pretéritos". Alega que não houve superfaturamento nas obras, dado que a Odebrecht move ação para obter reassarcimento de prejuízo. A empreteira informou somente que tem colaborado com as autoridades para esclarecer os fatos.

Garotinho e Rosinha foram levados para a Cidade da Polícia, na zona norte da capital, de onde seriam encaminhados para o presídio de Benfica. É a quarta vez que Garotinho é preso. Rosinha, a segunda. O ex-governador foi detido pela primeira vez em 2016 por suspeita de compra de votos. Em 2017, por suspeita de fraude eleitoral (setembro) e novamente por suspeita de repasses irregulares para campanha eleitoral (novembro).

Os dois ex-governadores nega as acusações e têm dito serem alvo de perseguição política. O caso, porém, mostra que os problemas do Rio de Janeiro não estao apenas no passado, mas ainda rondam os gabinetes em pleno funcionamento.