2 Jul 2020

O presidente cai no discurso vazio

  Sex, 19-Jun-2020

O presidente Jair Bolsonaro fez sua live de quinta-feira, dessa vez desacompanhado, exceto pela intérprete que passa suas palavras para a linguagem dos surdos-mudos. E falou sobre a prisão de seu amigo e ex-colaborador Fabrício Queiroz, preso na quinta-feira.

O presidente pareceu também sozinho no sentido literal, distribuindo mais queixas que fazendo uma defesa sólida para si mesmo. Disse que "não havia nenhum mandado de prisão", contra Queiroz, o que nada significa, a partir do momento em que passou a haver. e reclamou a "ação espetaculosa" da polícia civil de São Paulo, que abordou Queiroz na casa do advogado do presidente, numa propriedade em Atibaia, no interior de São Paulo.

"Foi feita uma prisão espetaculosa", disse Bolsonaro. "Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da Terra. [...] Se tivessem pedido ao advogado, creio eu, o comparecimento dele a qualquer local, ele teria comparecido."

O presidente afirmou que Queioz se encontrava em Atibaia para tratar de seu câncer. 

"Por que ele estava naquela região de São Paulo?", disse. "Porque é perto do hospital onde ele faz tratamento de câncer. Da minha parte, está encerrado o caso Queiroz."

Ainda gabou-se do seu "sistema de inteligência particular", que o teria avisado da prisão do amigo antes de ver na imprensa.

O presidente se encontra na mesma situação de outros antecessores, que vão perdendo o próprio discurso, esfrangalhado diante dos fatos que transparecem à opinião pública.

Não disse em nenhum momento que estava afastado de Queiroz, nem explicou por que têm o mesmo advogado, Frederick Wassef, em cuja casa Queiroz se encontrava.

Tão perto de Queiroz como sempre foi, Bolsonaro não explicou os 400 mil reais que o ex-assessor recebeu de Capitão Adriano, o miliciano morto recentemente pela polícia na Bahia, quando se encontrava foragido. E cuja ex-mulher e mãe trabalhavam no gabinete do filho Flávio, então deputado estadual, contratadas por Queiroz.

O círculo de relações de Bolsonaro vai ficando mais claro, à medida em que vêm à luz o que a polícia civil do Rio de janeiro vai apurando sobre os negócios do presidente até o momento em que foi eleito.

Como na tradução em libras, ele vai ficando com um discurso cada vez mais vazio.