2 Jul 2020

Ministros formam na prática o governo de crise

  Qua, 01-Abr-2020
Moro, Mandetta, Braga e Guedes Moro, Mandetta, Braga e Guedes

O presidente Jair Bolsonaro moderou o seu discurso e mandou transferir nesta segunda-feira a entrevista do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Bolsonaro, para o Palácio do Planalto - uma tentativa de encampar o que está fazendo o próprio ministério e mostrar que ali ainda fica a sede do governo.  Contudo, a entrevista coletiva deixou claro que o governo na crise é formado na prática hoje por Mandetta, o ministro da Economia Paulo Guedes e da Justiça, Sérgio Moro, que participaram da mesa de entrevistas ao lado do chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto. Quando perguntados sobre o que pensavam do isolamento social na epidemia, Braga respondeu por todos. "Os ministros concordam com posição do Mandetta."

Mais tarde, o presidente surgiu em cadeia nacional, em pronunciamento sonorizado por panelaços em grandes cidades de todo o país. Bolsonaro procurou se reposicionar, admitindo a importância da preservação da saúde, mas insistiu na continuidade das atividades econômicas, e ainda distorceu as palavras do presidente da Organização Mundial de Saúde, Tendros Ghebreyesus.

Segundo Bolsonaro, Ghebreyesus teria afirmado ser contra o isolamento e apoiado a necessidade de manter a atividade econômica, em benefício dos menos favorecidos. Na verdade, o presidente da OMS defendeu que os governos devem agir para auxiliar as pessoas em dificuldades financeiras durante o período de isolamento. O que, por sinal, o triunvirato que tomou a liderança do governo está fazendo. Como ressaltou o próprio Bolsonaro, o governo está elaborando um pacote de ajuda tanto para autônomos como para trabalhadores com carteira assinada que tenham o trabalho suspenso ou reduzido. 

O modo tortuoso de operação de Bolsonaro causa mal estar dentro do governo e produz um contraveneno. Assim que saiu do ar, o presidente deu lugar ao Jornal Nacional, que imediatamente se encarregou de desmentir o que ele acabara de dizer, em relação à OMS.

Mostrou ainda o impacto da epidemia no mundo, incluindo os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump já defendeu no passado a manutenção da atividade econômica e depois voltou atrás.

"Não sigam o presidente"

Também em horário nobre, o governo de São Paulo lançou uma campanha publicitária em favor da quarentena. "A economia pode ser recuperada, a vida não", afirma o vídeo.

O governo paulista tem mobilizado recursos para completar hospitais de campanha, um deles já inaugurado, no estádio do Pacaembu, e outro no pavilhão do Anhembi. E tem disponibilizado a rede Bom Prato para distribuição de comida à população também no jantar, além do almoço e do café da manhã, no período do Covid, ao menos até maio. A refeição no Bom Prato custa 1 real.

"Atendam às recomendações médicas, as de sanitaristas, de profissionais especializados na medicina de infectologia, aqueles que conhecem este tema",  afirmou o governador paulista, João Dória. "E não em informações que são colocadas nas redes sociais ou, lamento e não gostaria de voltar a este tema, mas neste caso não sigam as orientações do presidente da República do Brasil. Ele não orienta corretamente a população e, lamentavelmente, não lidera o Brasil no combate ao coronavírus e na preservação da vida."

Dória negou, porém, que o estado possa fazer um lockdown - o isolamento compulsório, como ocorre hoje, por exemplo, na Itália. 

O secretário da saúde, José Henrique Germann, afirmou que é rpeciso acompanhar a evolução da epidemia. "Vamos observar isso, mas, pelos casos iniciais que temos, eu diria que não vamos ter a necessidade de repetir o isolamento muitas vezes mais para frente e nem fazer o compulsório, tipo lockdown", disse ele.