6 Jun 2020

Ex-colaborador de Bolsonaro afirma que PF adiou investigação para favorecê-lo

  Seg, 18-Mai-2020
Marinho: i formação privilegiada Marinho: i formação privilegiada

No domingo, o empresário Paulo Marinho, colaborador na campanha eleitoral do presidente jair Bolsonaro, afirmou que a Polícia Federal teria atrasado a investigaçãoo hoje senador Flávio Bolsonaro teria sido avisado antes da operação por um delegado da Polícia Federal da investigação sobre as contas de seu gabinete como deputado estadual do Rio de Janeiro, instruindo que desligasse o ex-assessor Fabrício Queiroz. A operação da PF ainda teria sido adiada para não prejudicar a campanha de Bolsonaro.

O relator da operação Furna da Onça, o desembargador federal Abel Gomes, negou o adiamento. Segundo ele, em nota divulgada pelo TRF2, a operação foi "deflagrada no momento que se concluiu mais oportuno, conforme entendimento conjunto entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Judiciário". A afirmação foi feita em nota divulgada pelo TRF2.

Segundo Gomes, a decisão não teria visado especificamente Flávio, com o entendimento de que "uma operação dirigida a ocupantes de cargos eletivos, deputados em vias de reeleição, não deveria ser deflagrada em período eleitoral, visto que poderia suscitar a ideia de uso político de uma situação que era exclusivamente jurídico-criminal".

Os órgãos teriam concordado em realizar a ação após o segundo turno das eleições. A Operação Furna da Onça, contudo, não foi realizada após o encerramento do primeiro turno, quando se definem os caregos legislativos. Só aconteceu em 8 de novembro de 2018, quando Bolsonaro já estava eleito em segundo turno.

A equipe da Lava Jato não procurava especificamente por contas de Flavio. Investigou a participação de deputados estaduais fluminenses que pagava propina mensal no mandato 2011-14 na Alerj. No entanto, no percurso, foram detectadas movimentações atípicas na conta de Queiroz, funcionário do gabinete de Flávio.

Gomes, contudo, afirmou que o agente da Polícia federal que teria informado Flávio da investigação deve ser identificado, apurando-se o caso "com urgência, para a devida instauração dos procedimentos cabíveis, dada a sua gravidade".

Flávio Bolsonaro negou as acusações de Marinho e afirma que ele tem interesse em derrubá-lo para ficar com sua vaga no Senado — o empresário é seu suplente. "O desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena", disse. "Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão." Segundo Flávio, Marinho não teria votos e por isso quer ficar com seu lugar no "tapetão".

A PF informou no domingo que vai instaurar procedimento para investigar eventual desvio de conduta em relação à divulgação de informações sobre a Operação Furna da Onça.

Marinho tem se colocado como pré-candidato do PSDB à prefeitura do Rio. Em sua casa, funcionava a central de inteligência da campanha de Bolsonaro á presidência. Suas acusações se somam às do ex-ministro Sérgio Moro, que acusou Bolsonaro de querer trocar a superintendência da PF no Rio de janeiro para ter mais controle e acesso a informações de investigação.

Pelo Twitter, morro escreveu esperar que "os fatos revelados, com coragem, pelo Sr. Paulo Marinho sejam totalmente esclarecidos". Marinho respondeu, duas horas depois: "Com certeza serão".

PF investiga vaza