6 Jun 2020

Caso Flávio Bolsonaro e Queiroz vira outra pandemia

  Ter, 19-Mai-2020
Flávio: dinheiro público e benefício próprio Flávio: dinheiro público e benefício próprio

As investigações nas contas do gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando deputado estadual no Rio de Janeiro podem virar outra pandemia no governo de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro.

O gabinete de Flávio, operado por Fabrício Queiroz, amigo de longa data do presidente, já era suspeito por conta da entrada de dinheiro vivo, seja pela prática da rachadinha como por possíveis depósitos em dinheiro vivo vindo das milícias.

Para completar, a Polícia Civil fluminense descobriu que o PSL nacional repassou, a pedido de Flávio, 500 mil reais ao escritório de advocacia de um ex-assessor hoje envolvido no suposto vazamento de informações da Polícia Federal em benefício da família do presidente.

Dessa forma, Flávio teria pago para receber informações privilegiadas. No final de semana, o ex-assessor de campanha de Bolsonaro, o empresário Paulo Marinho, afirmou que a Polícia Federal não apenas os informou previamente da Operação Furnas, que investigou as contas na Alerj, como atrasou a sua deflagração para não prejudicar a campanha tanto de Flávio quanto do pai.

Por meio do PSL nacional, Flávio repassou o dinheiro ao escritório de Victor Granado Alves na forma de um contrato de 13 meses e meio ao preço de 40 mil reais mensais.

As notas fiscais da prestação de contas do PSL nacional de 2019 assinalavam "serviços jurídicos" ao diretório do Rio, comandado por Flávio, desde fevereiro do ano passado.

O PSL informou que houve notificação de rescisão do contrato em 15 de janeiro deste ano. porém, uma cláusula determinava que eventual rompimento só se daria 60 dias após a comunicação.

Mariana Teixeira Frassetto Granado, uma das sócias do escritório, hoje é assessora parlamentar de Flávio, lotada no seu gabinete com salário bruto de R$ 22.943,73.

Segundo o portal de Transparência do Senado, foi contratada em março de 2019, mês subsequente á contratação pelo PSL do Granado Advogados Associados.

Ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, Victor foi citado por Marinho em entrevista a Mônica Bergamo, colunista da Folha de S. paulo, como um dos assessores do senador que teriam recebido de um delegado da Polícia Federal a informação de uma operação envolvendo pessoas do seu gabinete.

O contrato previa a prestação de serviços de regularização dos diretórios do PSL no Rio, mas relatórios das atividades de março de 2019 revelam que o trabalho incluía "consultoria jurídica prestada às bancadas parlamentares em geral" e "atendimentos diversos".

Marinho afirmou à Folha que o senador foi informado da operação Furna da Onça dois meses antes, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições.

O delegado, supostamente simpatizante da candidatura de Bolsonaro à Presidência, teria sugerido a demissão de Queiroz e de sua filha, que trabalhava no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro.

De acordo com Marinho, ambos foram exonerados em 15 de outubro de 2018 por ordem de Bolsonaro, então aina candidato a presidente.

O Supremo Tribunal Federal instaurou um inquérito sobre as relações de Bolsonaro com a Polícia Federal após uma denúncia do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. O Ministério Público Federal também já instaurou um procedimento para analisar o suposto vazamento.

Marinho deporá nesta quarta-feira. Na entrevista à Folha, afirmou que o encontro com o delegado da PF para o vazamento das informações ocorreu na porta da Superintendência da PF no Rio, que fica na Praça Mauá. Além do advogado, teriam participado também o coronel Miguel Braga, chefe de gabinete do senador e Valdenice de Oliveira Meliga, a Val, ex-tesoureira do PSL do Rio.

Val é irmã dos gêmeos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, policiais presos em uma investigação que apura uma quadrilha de PMs especializada em extorsões, suspeitos de atuarem numa milícia da zona oeste do Rio.