17 Nov 2019

Bolsonaro ironiza Rodrigo Maia: "nosso general"

  Qua, 10-Jul-2019
Maia: disputa pelo poder Maia: disputa pelo poder

No dia em que o plenário da Câmara começou a discutir a Nova Previdência e  se agitaram os movimentos na defesa de interesses, o presidente Jair Bolsonaro usou da ironia para dizer o que espera do processo. Chamou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que colocou atrás de si a coalizão desejada pelo governo, de "nosso general".

"Segundo informações de vocês mesmos [jornalistas], Rodrigo Maia é o nosso general dentro da Câmara agora para aprovar, com toda certeza, antes do recesso, nos dois turnos, essa nova Previdência", disse o presidente ao sair de uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Numa demonstração de força própria, Maia pretendeu começar a votação da Nova Previdência ainda na noite de terça-feira. Aprovada em primeiro turno, projetou a votação em segundo turno entre quinta e sexta-feira.

Dessa forma, a Nova Previdência vai saindo mais uma obra de Maia que de Bolsonaro ou mesmo do ministro da Economia, Paulo Guedes. Nas comissões, caíram alguns elementos da proposta original, como o sistema de capitalização. Mas foram mantidas as idades para o direito à aposentadoria e a economia de 1 trilhão de reais em dez anos pretendida pelo governo.

Aliados do governo acreditam que, mesmo passando na Câmara, a reforma só será avaliada no Senado após o recesso parlamentar, a partir de 1 de agosto.

O governo trabalha para evitar a apresentação de destaques, mas o próprio Bolsonaro já afirmou publicamente que tenta negociar a reinclusão de uma aposentadoria especial aos policiais militares, que tradicionalmente foram seu pilar político quando deputado federal.

"Vitória do Parlamento"

Já Maia afirmou na segunda-feira que a aprovação da reforma será uma "vitória construída pelo Parlamento, e não pelo governo". Disse que a relação com Bolsonaro é de "desconfiança" e cobrou medidas para a restauração do crescimento econômico.

"A construção do texto foi uma construção parlamentar, e a construção da vitória, se ela acontecer, será uma construção do Parlamento, não será uma construção do governo", disse.

Não se trata de uma guerra apenas de vaidades. É um confronto pelo poder - em que o Congresso quer mostrar que pode conter um presidente que, no fundo, considera um erro eleitoral.