21 Jul 2019

Bolsonaro almoça com evangélicos em busca da paz

  Qui, 11-Abr-2019
O presidente e os evangélicos: política com fé O presidente e os evangélicos: política com fé

Depois de apresentar a nova cara da política externa brasileira em uma visita a Israel, o presidente Jair Bolsonaro participou de um almoço com cerca de 100 lideranças evangélicas, na quinta-feira, dia 11, reunidas no Rio para o Congresso do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb).

Estava em busca do apaziguamento de ânimos político-religiosos, que andavam exaltados. 

O evento, promovido pelo pastor Silas Malafaia, que intermediou o encontro com o presidente, é voltado para líderes ministeriais de diferentes correntes eaangélicas e acontece na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), na Penha.

O almoço, porém, foi realizado num hotel da Barra. Teve frango, picanha e penne à bolonhesa. E Malafaia como anfitrião, procurando refazer as pontes do presidente com as lideranças religiosas.

No almoço, Bolsonaro sentou-se à frente de Malafaia. Contou de sua viagem com os filhos a Israel em 2016, quando foi batizado no rio Jordão, e queixou-se das críticas a seus filhos. "Muitos tentaram afastar de mim [os filhos], disse. "Mas ninguém afasta um filho do pai, o pai do filho."

O presidente elogiou o ex-senador Magno Malta, aliado na campanha, seu elo de ligação mais forte com os evangélicos, mas que ficou de fora do governo. Malta estava presente ao almoço, de frente para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Depois do afastamento de Malta, a chamada bancada evangélica afastou-se do presidente, que agora precisa de apoio no Congresso para fazer passar a reforma da Previdência e o pacote Anti-Crime. “Quase chorei, confesso", disse ele, sobre o afastamento do ex-senador. "Que nunca mais nos afastemos”.

Ligação afetiva

O presidente explicou que sua ligação com Israel é afetiva. E reafirmou seu compromisso de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém. Até aqui, o governo somente criou um escritório de representação comercial na cidade, mantendo a embaixada em Tel Aviv. Porém, apontou um processo gradual. "Queremos cumprir esse compromisso, mas, como um bom casamento, tem que namorar, ficar noivo", disse o Bolsonaro.

Malafaia saiu do evento com bandeiras brancas. "Não votamos em Bolsonaro exclusivamente por causa de agenda moral", disse ele à imprensa, depois da sobremesa. "Votamos porque ele tem vida limpa, [por causa da] questão da segurança, da corrupção, de um novo país, de desemprego, máquina emperrada."

Disse ainda que é injusto o cenário mostrado pela mais recente pesquisa do Datafolha, segundo a qual em três meses de governo Bolsonaro tem uma avaliação pior junto à população que a de seus antecessores, em primeiro mandato. "Nos últimos 24 anos, quem governou o país?" - disse. "Quem foi eleito presidente e encontrou estado de calamidade, roubalheira como o presidente Bolsonaro?"

Malafaia defendeu união, serenidade e diálogo, contra as intrigas que têm causado turbulências neste início de governo. "Que Deus abençoe a nação brasileira", afirmou, ao final.

"Imortal"

Nas duas mesas principais, sob um telão onde se lia “Deus abençoe o Brasil!”, estavam também o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC) e o prefeito Marcelo Crivella (PRB), além de Malta e Alcolumbre.

Ao redor, encontravam-se as lideranças das maiores correntes evangélicas do país, como os patronos das duas maiores Assembleias de Deus - José Wellington Bezerra da Costa (do ministério Belém) e Manoel Ferreira (ministério Madureira). Além de Malafaia, que comanda a Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Também estava presente o pastor John Hagee, da igreja texana Cornerstone, líder dos Christians United for Israel.

Os convidados prometiam não discutir a mudança da embaixada brasileira para Israel, mas Hagee contou que em 2017 teve uma reunião desse tipo com Donald Trump, na Casa Branca.

Disse ao presidente americano que ele se tornaria imortal no dia em que transferisse o corpo diplomático dos EUA para Jerusalém, o que Trump acabou fazendo.

"O Brasil pertence à ONU, mas não é subserviente a ela", disse Malafaia. "Não somos nós que vamos dizer a uma nação onde é sua capital.”

O pastor defendeu o intercâmbio tecnológico com os israelenses, em especial para resolver o problema da seca nordestina, que tem problemas semelhantes ao da Palestina. Com isso, espera que o governo reduza a popularidade de Lula, conquistando simpatias na região. “Ele vai arrancar o último pão da boca desses esquerdopatas”, disse.