13 Jul 2020

Bolsonaro avisa que vai abandonar o PSL

  Seg, 11-Nov-2019
O presidente: menos apoio do que parece O presidente: menos apoio do que parece

Em mais um passo na sua trajetória já singular, o presidente Jair Bolsonaro comunicou nesta segunda-feira que deixará seu partido, o PSL. Afirmou a interlocutores que deve fundar uma legenda purista de direita e ficará sem sigla, enquanto isso não acontecer.

O presidente quer coletar assinaturas de parlamentares para a formação da nova legenda. Circularam vários nomes para ela, como "Conservadores" e "Aliança".  A saída de Bolsonaro ainda está para ser oficializada.

A maior parte dos integrantes da legenda bolsonarista viria do PSL. Contudo, diferentemente de prefeitos e governadores, os parlamentares não podem sair da legenda sem perder o mandato, por conta da lei da fidelidade partidária. Mesmo que fossem expulsos, não poderiam carregar a verba correspondente do Fundo Partidário, o que funciona como grande inibidor.

O presidente considera sua permanência no PSL insustentável. Alega que o partido perdeu credibilidade, após a denúncia da utilização de candidatos laranjas.

Soa como diversionismo para outras razões, já que o presidente mantém intocado no seu gabinete um dos principais acusados do laranjal, já indiciado criminalmente: o ministro do Turismo, Álvaro Antônio, ex-deputado e coordenador da campanha do PSL em Minas Gerais.

Em Brasília, ninguém pode atirar a primeira pedra. Nem Bolsonaro. Ele também já admitiu publicamente ter recebido 200 mil reais repassados pelo seu antigo partido, o PP, originários da JBS, em sua campanha de 2014. Alega que mandou devolver o dinheiro. Recebeu outros 200 mil. Aceitou a nova remessa por ser do "fundo partidário". O dinheiro teria ido para outro deputado, com o "carimbo embaixo do papel".

Bolsonaro tem realizado um expurgo progressivo no governo de todos os aliados que inflaram sua campanha eleitoral. Afastou militares como o general Santos Cruz e iolou o vice, Hamilton Mourão. Brigou com líderes do PSL na Câmara e no Congresso e demitiu do ministério logo de saída o ex-presidente da legenda, Gustavo Bebbiano.

Enquanto vai ficando num círculo cada vez menor, Bolsonaro aumenta o número de desafetos que vai fazendo agora na sua trajetória como presidente. De acordo com um levantamento da Folha de S. Paulo, cerca de 20 dos mais de 50 parlamentares do partido estariam dispostos a seguir com o presidente para a nova legenda, incluindo seus dois filhos, o deputado Eduardo e o senador Flávio.

O purismo é a única justificativa para a criação de uma legenda, que, apesar do peso da eleição de Bolsonaro, dividiria ainda mais a base governista. Nesta segunda-feira (11), o deputado federal José Medeiros (MT) sugeriu nas redes sociais que Bolsonaro se filie ao Podemos. O senador Álvaro Dias, hoje principal liderança do partido, nesse caso provavelmente sairia pela outra porta.

Outra ideia que circulou foi o PEN, hoje com o nome de Patriota, ou a União Democrática Nacional, partido em fase final de criação na Justiça Eleitoral.

Bolsonaro, porém, deve ficar no governo como ficou em seus 28 anos de mandato: utilizando do esforço ideológico para fazer parecer que que sua força é maior do que é na realidade.