19 Fev 2020

ABI denuncia Bolsonaro por obstrução de Justiça

  Sex, 15-Nov-2019
Bolsonaro: sob suspeição Bolsonaro: sob suspeição

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) apresentou uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL) por obstrução de Justiça nas investigações da morte da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A ação foi movida no dia 8 de novembro, após o presidente afirmar ter pegado, por meio do filho Carlos, as gravações da portaria no condomínio onde tem casa, no Rio de Janeiro, sob a justificativa de evitar que fossem “adulteradas”.

“Nós pegamos, antes que alguém tentasse adulterar, toda a memória da secretária eletrônica”, disse o presidente, em 2 de novembro.

Na notícia-crime, a ABI alega que o presidente e seu filho "acessaram, em data ainda imprecisa, por meios impróprios, elementos probatórios de uma investigação criminal sigilosa e em andamento, os quais poderiam elucidar o iter criminis percorrido pelos principais suspeitos do assassinato”.

A conduta de ambos, de acordo com a ABI, "carece de investigação". “É imperioso verificar quando e de que modo ocorreu o acesso, pelo presidente e pelo vereador, ao computador do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, bem como às gravações das conversas realizadas pela portaria e, especialmente, se a Polícia Civil já havia realizado a coleta e perícia das gravações e do respectivo computador, o que até o momento segue sem razoáveis esclarecimentos”, afirma a entidade na ação.

O relator do caso será o ministro Alexandre Moraes. A queixa foi encaminahda ao STF pelo fato de o presidebte possuir foro privilegiado. Bolsonaro acabou aparecendo na ivestigção do caso Marielle depois que o Jornal Nacional, da TV Globo, afirmou que um porteiro registrou a entrada de um suspeito da morte de Marielle no condomínio do presidente na noite do crime, e teria recebido do "seu jair" a autorização de entrada, mesmo estando Bolsonaro naquela noite em Brasília.

Tendo autorizado a entrada do suspeito ou não, o presidente aacabou agindo, ele mesmo, de forma suspeita depois. Cabe agora ao STF determinar até que ponto a investigação pode virar um inquérito criminal - no mínimo, um constrangimento a mais para o presidente.