17 Out 2019

Na manhã desta terça-feira, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão em escritórios ligados ao deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.O mandado, expedido pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado, atende a pedidos da polícia e do Ministério Público na investigação sobre os laranjas utilizados para desviar dinheiro do fundo partidário em 2018. A casa de Bivar em Recife também foi alvo da PF. 

Em operação autorizada pelo Supremo tribunal Federal, a Polícia Federal atendeu a um mandado de busca e apreensão em 16 endereços ligados ao ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor (PROS-AL) em Alagoas e no Paraná.

A "Operação Arremate", segundo a PF, visa "combater um esquema de lavagem de capitais por meio de compras de imóveis" em leilões judiciais.

O presidente Jair Bolsonaro precipitou uma crise com seu partido, o PSL - e, como nada do que ele faz, não é por acaso. Primeiro, pediu a um apoiador que não publicasse um vídeo ao seu lado, no qual ele falava que era pré-candidato à prefeitura de Recife, com apoio do presidente e de Luciano Bivar, presidente da legenda. Bolsonaro disse que Bivar estava "queimado" e iria "queimar o filme" dele também. Depois, o presidente cochichou-lhe ao ouvido: "esquece o PSL". O episódio  criou na legenda um movimento de apoio a Bivar - e acelerou seu afastamento do presidente.

Bolsonaro poderia querer ficar longe do PSL por conta do escândalo do laranjal - desvio de dinheiro das campanhas femininas para o bolso de medalhões do partido, em caso investigado hoje pela Polícia Federal. O presidente, porém, não demitiu o principal implicado no esquema hoje dentro do governo - o ministro do Turismo, Marcelo Antônio. O problema, então, é outro.

Uma reportagem do UOL indica que uma investigação da Polícia Federal teria descoberto, por meio de depoimentos e documentos, que o laranjal do PSL teria beneficiado também a campanha do presidente Jair Bolsonaro - além do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Segundo a reportagem, Haissander Souza de Paula, assessor parlamentar de Antônio, coordenador de sua campanha a deputado federal no Vale do Rio Doce (MG), disse em seu depoimento à PF que "acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro".

Na manhã deste sábado, 5 de outubro, o engenheiro elétrico Luís Bucciarelli liderou na Vila Leopoldina, em São Paulo, um mutirão dentro do Zancone - um centro de acolhimento onde dormem diariamente 100 desabrigados, com apoio da prefeitura de São Paulo. Ali, cerca de 300 pessoas desde cedo trabalharam na implantação de uma horta comunitária, que servirá para a preparação da comida servida no refeitório do primeiro andar. Bucciarelli também colaborou para a confecção de dois bancos de jardim, levantou 1.800 reais em doações e material para a oficina de serigrafia, cuja produção serve como fonte de renda para os internos.

A iniciativa de Bucciarelli faz parte do programa de treinamento do RenovaBR, que no sábado movimentou seus 1.500 alunos numa ação social simultânea em 445 cidades brasileiras. A ONG que se propõe a formar políticos melhores instituiu essa etapa no processo seletivo de seus candidatos, que no final podem concorrer por qualquer partido. A condição da ONG para as ações é que elas tivessem efeito duradouro, envolvimento com uma comunidade local e divulgação pelas redes sociais e a imprensa.

Filiado ao Partido Novo, Bucciarelli planeja ser candidato a vereador em São Paulo nas próximas eleições. Colocou em ação toda a família - a esposa, Mônica, que serviu o lanche e organizou a pequena biblioteca do centro, os filhos e o irmão - além de amigos e colaboradores de sua primeira campanha, para deputado federal, no ano passado. Não se elegeu, mas conquistou 13 mil votos e ficou convencido de estar no caminho certo. Por isso, inscreveu-se no programa de capacitação do RenovaBR e passou em todas as fases da triagem até aqui.

O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que se notabilizou como o xerife da Lava Jato, resolveu escrever um livro de memórias e fazer a revelação, antecipada pela revista Veja, de que teria planejado ir ao Supremo Tribunal Federal para matar o ministro Gilmar Mendes - teria desistido na hora, tomado por uma miraculosa paralisia. É algo difícil de comprovar, mesmo para alguém com suposta fé pública, que pode apenas estar delirando ou inventando uma mentira para promover o livro. Contudo, no momento em que a Lava Jato sofre ataques de todos os lados, especialmente do próprio STF, que votou casuísticamente uma nova interpretação da lei que pode anular todos os seus processos, incluindo o do ex-presidente Lula, o tiro de Janot acabou saindo contra ele mesmo,  por colocar seu juízo em suspeição e, por conseguinte, o de toda a operação anti-corrupção.

Numa sessão extraordinária, armada nos bastidores como uma resposta ou contragolpe à ação da Polícia Federal que fez uma blitz no gabinete do senador Fernando Bezerra, o Congresso derrubou na noite desta terça-feira dezoito dos 33 vetos do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de lei contra o "abuso de autoridade", pedidos pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. Com isso, o Congresso não apenas se coloca ao lado de Bezerra, investigado por corrupção no mandado e por sua gestão como ministro da Integração de Dilma Rousseff, como se coloca em confronto direto com o Executivo, avisando que resistirá a uma devassa.

Todo mundo sabe que a diplomacia não é o forte do presidente Jair Bolsonaro. Assim, não foi exatamente uma surpresa seu discurso na abertura da 74a. Assembleia Geral da ONU, com um tom que sugeria mais um mujahedin tropical que o presidente de uma nação pacífica.  Nos 30 minutos durante os quais ocupou o microfone, Bolsonaro em nome da "soberania" brasileira atacou supostas tentativas por parte de se "instrumentalizar a questão ambiental e políticas indigenistas" em favor de interesses estrangeiros. Assim como faz domesticamente, criticou a imrpensa internacional por ser "sensacionalista" em relação às queimadas na Amazônia e chamou de "falácia" a ideia de que a floresta que ultrapassa as fronteiras do Brasil é um patrimônio da Humanidade.

A morte da menina Ágatha Félix, de oito anos, atingida por uma bala perdida na sexta-feira passada, no Rio de Janeiro, chocou o país e reacendeu a revolta nacional contra a violência - algo que já vimos anteriormente, sem que isso trouxesse algum tipo de solução, como no caso de Marielle Franco. Ainda que se trate da morte brutal de uma inocente, é pelo combate inteligente ao crime, a educação e um amplo trabalho de restauração da civilidade que se pode evitar a preocupação com os mortos somente quando já é tarde demais. A morte de Ágatha já serviu de pretexto tanto para aqueles que mantém  discurso do uso da violência contra a violência, como daqueles que têm interesse em retardar as soluções reais. Esse é um perigo ainda maior.

Depois do célebre Twitter de Carlos Bolsonaro, afirmando que a democracia atrasa as reformas necessárias ao país, a tropa de choque bolsonarista começou a disseminar nas redes sociais mensagens atribuindo a crise econômica e a dificuldade das reformas ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. É uma maneira de aliviar a responsabilidade do governo, por um lado, e de outro pressionar ou desautorizar as instituições republicanas e forçá-las a ceder.

A campanha toma forma ao tempo em que repercute a operação "Desintegração" da Polícia Federal, que entrou no Congresso para fazer uma blitz no gabinete do líder do próprio governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), por suspeita de corrupção - o que foi intepretado pela cúpula do Senado como um ato de pressão do próprio governo e também do STF, que autorizou a operação. 

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