19 Set 2019

Viva a imprensa livre!

Por   Ter, 06-Ago-2019

Jornais, revistas e sites informam, ao seu modo, as boas notícias do governo

O presidente Bolsonaro não gosta da imprensa e a recíproca é verdadeira. Vem de longe essa rusga. O presidente não deixa passar uma oportunidade para questionar o chamado quarto poder. E é verdade que ele sofre marcação cerrada dos jornalistas.

Parece que em função disso resolveu dar mais uma estocada no setor ao anunciar que as empresas de capital aberto, já tão combalidas, não precisarão mais gastar uma pequena fortuna publicando seus balanços nos diários comerciais. Poderão fazê-lo a custo zero nos sites da CVM ou no Diário Oficial da União.

É um corte milionário no faturamento dos jornais. Ele fez isso para facilitar a vida das empresas e, principalmente, se vingar da marcação que vem sofrendo da imprensa, que segundo ele só divulga o que é contra sua gestão e torce por um desastre econômico

Mas não é verdade que a imprensa torça para um desastre econômico que leve de roldão o governo Bolsonaro, razão pela qual não estaria divulgando os fatos positivos para o governo.

Jornalistas da esquerda mais radical e viuvinhas do PT bem que gostariam, mas os jornalões e revistas, muitos moribundos, assim como a mídia eletrônica, têm um nome a zelar e precisam da melhora das condições econômicas para não afundar de vez, e não se furtam a publicar todas as ações do executivo bem como os fatos que, mesmo não partindo de Brasília, são favoráveis à atual administração.

É claro que quando o ministro das Relações Exteriores nega o aquecimento global, não com informação científica, mas porque foi a Roma na primavera e estava muito frio, ele ganha destaque e ajuda a encobrir as boas notícias do governo. Mas o ministro esquisitão perde para seu chefe, em matéria de tirar a atenção do que interessa.

Como, por exemplo, mexer com a memória de um militante da esquerda morto pelos órgãos de repressão nos anos de chumbo. Atitudes como essa do presidente são como dar milho pra bode. A oposição deitou e rolou. A polêmica monopolizou espaço nas primeiras páginas. Mas o jornalismo não se resume a isso e não significa que por causa disso as notícias relevantes são omitidas.

O que ocorre é que dão maior ênfase à fofoca, às picuinhas, aos factoides do presidente e dos seus. E o presidente não se faz de rogado. Alimenta a mídia com seus desatinos, pouco preocupado com a promoção do que importa. Se não, vejamos:

Foi a imprensa que nos informou do corte de meio ponto da taxa básica de juros, que agora está fixada em modestos 6% ao ano, um recorde histórico. Foi nos noticiários de internet, TV e rádio que soubemos primeiro da inflação de 0,01% no mês de junho, que mantém no ano a previsão abaixo da meta.

Também nos informaram dos planos de liberação de cerca de 30 bilhões do FGTS e do PIS-PASEP, beneficiando 96 milhões de trabalhadores, o que ajudará a animar a economia. Sobretudo, foi pela imprensa que acompanhamos o trâmite da Reforma da Previdência e os preparativos para tramitação da Reforma Tributária.

Soubemos ainda que a Petrobras reduziu o preço do gás de botijão em 8,16%, com impacto direto no bolso dos brasileiros mais pobres. Nos informaram, também, que a estatal do petróleo obteve o maior lucro de sua história para um trimestre, 18,9 bilhões, de abril a junho. A Petrobras, ainda segundo divulgou a imprensa, vendeu parte de sua participação na BR Distribuidora por 9 bilhões de reais e deixou de ser a empresa mais endividada do mundo.

Os EUA e Brasil fecharam parceria para investimentos em infraestrutura no país e o ministro Tarcísio de Freitas anunciou a conclusão da ferrovia Norte-Sul que liga o porto de Itaqui, no Maranhão, ao Porto de Santos. O secretário Salim Mattar já tem pronto o projeto de desestatização dos Correios e da Casa da Moeda, nos contam publicações variadas.

Com o objetivo de atrair investimentos para o Brasil, “desonerando os aportes direcionados a empreendimentos produtivos”, o governo zerou o imposto de importação sobre bens de capital e de informática, deu na revista de economia.

Sem contar as negociações para acordos comerciais com EUA, UE, Israel e Japão e o fortalecimento do Mercosul. Paralelamente, o Brasil passou a ser considerado aliado prioritário extra-OTAN dos Estados Unidos.

Tudo isso nos foi contado pela imprensa livre, que ainda nos mostra o mercado de capitais se revigorando, os investimentos voltando e o BNDEs retomando sua vocação.

E não para por aí. Um rol imenso de boas notícias tem sido divulgado pela grande imprensa, cumprindo sua função social, mesmo que às vezes de má vontade.

Estão incluídas nesse rol notícias como a redução dos índices de violência, o projeto de Lei da Liberdade Econômica que vai desburocratizar a vida do pequeno empresário e o plano do Ministério da Educação para o financiamento das universidades estatais com recursos da iniciativa privada.

Quase que clandestinamente, é verdade, ficamos sabendo que o programa Mais Médicos, rebatizado de Médicos Pelo Brasil, foi relançado com salários de 11 mil a 15 mil reais, mais gratificação para quem for alocado nas áreas mais remotas, num total de 18 mil vagas.

Não é pouco para um governo que acaba de completar seu primeiro semestre no poder. E a imprensa, bem ou mal, tem dado publicidade a tudo isso.

Viva a imprensa livre, que permaneça escrava dos fatos. Mesmo com certo ranço e com o presidente se esforçando para tudo parecer pior do que realmente é.