19 Nov 2019

Um terceiro turno em discussão

Por   Seg, 26-Nov-2018
o Congresso: novo desafio a Bolsonaro o Congresso: novo desafio a Bolsonaro

Após vencer as eleições em dois turnos, Bolsonaro está sendo desafiado a vencer um imprevisto terceiro turno, desta vez não contra um partido político, mas contra a forma de governar utilizada pelo regime em seu estado de decadência: o presidencialismo de coalizão, o regime do toma-lá-dá-cá ou da relação incestuosa entre o executivo e o parlamento. 

Fora a clara definição do seu único adversário direto, o PT, o presidente eleito deixou clara sua preferência por negociar apoio com grandes corporações, como os ruralistas, a turma da bala e os evangélicos, preterindo a desgastada base partidária, exemplarmente representada pela candidatura tucana e literalmente esmagada no primeiro turno, por Bolsonaro e sua micro legenda.

O PSL dispunha de alguns segundos apenas, o que fez com que a campanha vencedora utilizasse principalmente as redes e as repercussões midiáticas de seus eventos. Por essas razões, os partidos políticos foram também notórios derrotados nessas eleições, apesar das artimanhas arranjadas para evitar a significativa renovação da representação parlamentar, sacada pelo gênio popular.

Como as agremiações políticas é que têm legitimidade para aprovar as propostas programáticas do novo governo, o que é verdade, fala-se que então ele terá dificuldades nessas negociações, o que sugeriria a restauração do “presidencialismo de coalizão”. Em entrevista à Folha, sobre o assunto, a cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida relativiza a pecha negativa dessa forma de governo no Brasil e afirma: “A participação no governo ocorre em qualquer lugar do mundo. Os partidos que ganharam a eleição vão para os ministérios, simples assim”.

É o caso de se perguntar que partidos ganharam a eleição, salvo a micro legenda do PSL, a ponto de terem legitimamente o direito de aspirar a gestão de algum ministério. Sabemos claramente dos partidos que perderam as eleições, o PT e o PSDB, de políticos que traíram seus candidatos, de outros que se dividiram de forma oportunista e de frações partidárias que foram aderindo por gravidade ao vencedor, à medida que se definia o pleito. Mas, falar em partidos que “ganharam a eleição”, nesse caso, não corresponde aos fatos.

Por isso eu não creio que nossos partidos serão obstáculo intransponível à aprovação do programa de Bolsonaro, a não ser que seu conteúdo ameace mortalmente o estamento burocrático, como fez Meirelles, ou um desastrado evento político provoque súbito descrédito irreparável do novo governo.

Um programa viável, que minimize as contradições mais aberrantes do anunciado ministério, tem condições de ser discutido com a seriedade imposta pela vitória nas urnas.