24 Ago 2019

The_Intercept revela apenas a imprensa tendenciosa

Por   Seg, 10-Jun-2019
Greenwald com Lula: interesses ocultos Greenwald com Lula: interesses ocultos

O vazamento pelo site The_Intercept de áudios gravados com o ministro Sérgio Moro, nos seus tempos de juiz, revela apenas uma coisa: as intenções da imprensa tendenciosa.

O site inglês é gerido no Rio de Janeiro por Glenn Greenwald, marido do deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), por sua vez suplente do deputado federal Jean Wyllis. Miranda ocupa sua cadeira no Congresso desde que o titular abandonou o cargo, alegando sentir-se ameaçado de morte por estar no Brasil sob o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Ao procurar desmoralizar o processo por meio do qual foram realizados os julgamentos da Lava Jato, Greenwald tem um alvo claro: fazer pressão pela liberdade do ex-presidente Lula. As reportagens do site serão utilizadas pelo PT para recorrer novamente à ONU, na tentativa de criar um suposto clamor internacional em favor de Lula. Já condenado em primeira instância num segundo processo, e com meia dúzia de inquéritos caminhando para a conclusão, Lula sabe que, sem pressão política, não conseguirá sair da cadeia.

Na tentativa de colaborar com a libertação de Lula, The_Intercept acaba questionando todo o trabalho da Lava Jato, sem o qual estaria de pé até hoje a grande rede de corrupção que praticamente destruiu o Brasil. Se é verdade que a Lava Jato andou no limite da lei para chegar aos culpados e mandar para a cadeia gente como os diretores da empreiteira Odebrecht e o próprio Lula, é também verdade que, sem ela, o Brasil continuaria sendo espoliado da forma mais vil, e a bandidagem continuaria comendo solta.

Isso não tem a menor importância para Greewald e seu site. A tese de que Lula deveria estar fora da cadeia, sob o preceito de que é preciso esgotar todos os foros para levar alguém a ser preso, contraria a realidade de um país em que há 250 mil encarcerados que jamais foram julgados sequer em primeira instância. E é defendida apenas por gente como o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Dependêssemos de Mendes, o Brasil seria governado por Nicolás Maduro sob as ordens de Pablo Escobar.

Até os mortos sabem que a Lava Jato foi a única força capaz de derrubar o monstro pantagruélico da corrupção no Brasil. Se o promotor Deltan Dallagnol tinha dúvidas sobre a culpa de Lula no trabalho de investigação, fica provado não que a investigação é inválida, mas a lisura do promotor. Em vez de pré-julgar, Dallagnol teve escrúpulos suficientes para duvidar da culpabilidade de Lula, antes de concluir seu trabalho.

Admitir a possibilidade de inocência do réu, mesmo que o caminho da investigação resulte no contrário, é apenas a forma de a Justiça ser mais justa. Mostrar que o promotor e o juiz conversavam, como fez The_Intercept, também não invalida provas nem o processo contra Lula. É a maneira como a Justiça trabalha - e nada muito diferente de qualquer lugar do mundo considerado civilizado.

Quem condenou Lula, assim como outros alvos da Lava Jato, não foi Moro, muito menos Dallagnol. Eles são peças da Justiça brasileira. A condenação de Lula foi confirmada por um tribunal de segunda instância e 16 recursos foram negados ao ex-presidente, inclusive pelo STF.

A tentativa de desmoralizar Moro ou Dallagnol é a mesma de quebrar as pernas da Justiça brasileira, não por coincidência no momento em que ela começa a funcionar. E só cumpre o papel de jogar fora o avanço brasileiro contra a corrupção. The_Intercept serve não ao Brasil, mas a um movimento político tendencioso, que só pensa nos seus próprios interesses, e nada no bem do país, que é servir à coletividade.

A imprensa tendenciosa alimenta a propaganda de quem está por trás daquilo que ela publica. The_Intercept alimenta uma rede mundial que procura interferir na política brasileira com interesses que não são os do Brasil. Ceder a essa pressão devolveria o Brasil a uma sujeição externa. Certa imprensa estrangeira pode ignorar, mas ainda existe a livre determinação dos povos.

Jornalismo tendencioso não é jornalismo. Com as intenções por trás daquilo que publica, The_Intercept não tira credibilidade de Moro, seja como ministro, seja como juiz. Apenas perde a credibilidade que o veículo poderia ter. E deixa no ar a pergunta: por que Greenwald, que é inglês, não vai fazer esse serviço sujo em seu próprio país?