6 Jun 2020

Somos um povo miserável

Por   Qui, 16-Abr-2020

E somos governados por macacos escolhidos por nós

O melhor do Brasil é o brasileiro. Slogan, sei lá de que campanha, esta frase é sobretudo mentirosa.

A natureza, as praias, campos e montanhas, a fauna e o clima são melhores que o povo que habita esta terra.

Na colônia e no império, enquanto a aristocracia cabocla dormia, vultos negros transportam nas costas barris de merda dos casarões, palacetes e palácios para despejo nas praias.

Veio a República e no seio da capital o povo padecia em habitações precárias na Gamboa, Saúde e toda a zona portuária, sendo vitimada pelo miasma da cidade insalubre.

Para sanear o meio ambiente, a autoridade retirou dali as gentes, expulsando-as para as encostas e subúrbios. Ao se livrar do impaludismo, livrou-se a autoridade do rebotalho herdado com a abolição da escravidão.

Ou seja, o povo foi varrido para baixo do tapete, juntamente com a sujeira que incomodava o andar de cima da sociedade. Defender os interesses do povo não é nosso forte. Somos maus com o próximo.

Ao criar o Sistema Único de Saúde, os constituintes de 1988 quebraram a tradição. O SUS é oneroso, suga recursos pesados do Orçamento, mas é um justo retorno à sociedade de parte de sua contribuição para manter a máquina e seus condutores.

Incompetência, sucateamento e mau uso dos recursos depredam o Sistema, mas sua capilaridade é nacional numa rede de atendimento que universaliza a assistência médica dos brasileiros. É um exemplo de como nos esforçamos para destruir tudo o que presta para continuar a viver na tanga.

Toda essa lamúria me vem da constatação de que não somos solidários nem no câncer, pois em plena crise sanitária provocada pela pandemia do coronavírus testemunhamos a ação desavergonhada de gatunos, que tentam levar vantagem da situação.

E não estou falando dos governadores que, incompetentes para conter o déficit de sua administração, buscam no tesouro nacional uma solução para sua inadimplência por meio dos desembolsos que deveriam ser destinados apenas para o enfrentamento da crise emergencial na saúde.

Podemos criticar, apontando o dedo para os macacos que ocupam os palácios de governo. Mas se o jabuti está empoleirado num galho, alguém o colocou lá, já que jabuti não sobe em árvore. E quem botou o quelônio naquela altura foi o povo. São, então, o retrato do povo que os elegeu.

E quem é e como age uma parte desse povo, num momento extremo como o que estamos vivendo?

Vejamos: A polícia identificou uma fraude para recebimento dos 600 reais destinados a desempregados e paralisados pela Covid-19.

Mal o governo acabou de colocar o sistema no ar, os bandidos já estavam prontos para aplicar o golpe, que em poucos dias fez 6,7 milhões de vítimas.

Uma porção de picaretas praticou o crime de estelionato e falsidade ideológica de olho na mixaria destinada aos menos favorecidos.

Em São Paulo, a polícia desbaratou uma quadrilha responsável pelo roubo de 2 milhões de itens médicos para combate à pandemia, surrupiados de dentro do terminal de cargas do Aeroporto de Cumbica. Incluindo 15 000 testes para o coronavírus.

Dez chineses foram presos, mostrando que a importação de novos cidadãos não tem sido para melhorar nossa gente. Os cretinos foram presos ao tentar vender a carga para os verdadeiros donos.

Poder-se-ia dizer que se trata de crime organizado, não representativo do povo em geral. Mas um contingente de 104 milhões de pessoas tentou receber os 600 reais e teve o pedido negado.

A maioria porque não tinha direito ou não provou que tinha. Mas uma parcela significativa era tentativa de botar a mão num dinheiro fácil.

“Atenção, fraudadores! Vocês vão acabar na cadeia”, avisou Onyx Lorenzoni, ministro da Cidadania.

Em Osório, Rio Grande do Sul, um caminhoneiro foi preso com uma carga de álcool gel falsificado, que ele vinha há tempos vendendo na região. Na zona norte de São Paulo, a polícia estourou uma fábrica clandestina do álcool e apreendeu 375 frascos do produto falso.

Na zona leste, o Garra, da polícia civil, prendeu um homem que vendia uma mistura de etanol com gel de cabelo. Um depósito de distribuição do produto falso foi fechado pela polícia fluminense em São João do Meriti.

Ainda no Rio, farmácias foram pegas vendendo ilegalmente testes para detecção do vírus. Temos tudo para dar errado e o rombo na economia provocado pelo Covid-19, que nos garante uma década mais de atraso na luta para tirar o país da lona, só colabora para um grande desastre nacional.