6 Jun 2020

Previsões para depois do apocalipse

Por   Seg, 06-Abr-2020
Bolsonaro: futuro em jogo Bolsonaro: futuro em jogo

Muitos perguntam se Jair Bolsonaro fica até o final ou se haverá alguma solução política que abrevie seu mandato. E qual o tamanho da crise econômica? – indagam os mais aflitos.

É obvio que nem o melhor dos videntes tem as respostas. Contudo, é possível fazer uso da análise prospectiva para traçar um cenário provável. Vou então arriscar algumas previsões:

1) Bolsonaro continuará sendo Bolsonaro até o final do mandato, sustentado pela carta de fiança das Forças Armadas e cercado de generais com a missão de ajudá-lo a decidir com racionalidade. Algumas vezes conseguirão; outras não. Os filhos estarão por perto até o fim.

2) A praga do apocalipse já está criando uma aliança entre governadores, Congresso e Judiciário, aliança esta que deve derreter cada vez mais os poderes do presidente, criando assim algum sistema político aberrante, misto de presidencialismo minguado com parlamentarismo frágil. Paradoxalmente, Bolsonaro deverá subir em popularidade por conta de sua aposta na liberação da quarentena.

3) Não vai haver nenhuma solução política heterodoxa, nem de Bolsonaro nem do Parlamento, porque as Forças Armadas não apoiam nada que fuja do mais estrito cumprimento da Carta Magna. Mas tende a haver uma reforma política profunda, muito provavelmente conduzida pelo Congresso eleito em 2022. Talvez até mesmo uma Constituinte.

4) O flagelo do coronavírus deve ser menor que o previsto por conta de uma confluência de fatores: parte em razão governo federal, parte pela ação da medidas que estão sendo tomadas pelos governadores, aliadas à consciência da população. O apoio do Exército será essencial e decisivo, principalmente quando entenderem que uma pandemia é uma guerra e deve ser administrada por militares. Vale lembrar que Trump já entregou o comando ao militares.

5) A crise econômica de 2020 deverá ser muito profunda e o ministro da Economia pode vir a ser crucificado pela opinião pública por conta da soberba e da resistência a tomar medidas fora da cartilha do liberalismo. Com a interferência do Congresso, podemos caminhar para uma social democracia capenga.

6) A recuperação econômica deverá ocorrer a partir do segundo semestre de 2021, decolando em 2022. Muito mais em função do empreendorismo do brasileiro. As medidas macroeconômicas e as reformas estruturais que serão aprovadas pelo Congresso por exigência dos empresários darão condições para isso.

7) Europa e EUA devem emergir da pandemia reativando as indústrias locais e reduzindo a dependência da China. Já estão planeando isso. Brasil deve seguir atrás. Deve haver uma retomada do setor produtivo e do emprego. A bolsa deve chegar a 200 pontos ate fins de 2022. É muito dificil destruir por completo um pais que tem um PIB de 7,3 trilhões. Ademais, a crise global fabricará uma inflação que será absorvida por todo mundo e que pode ser facilmente corrigida dentro de casa.

8) As esquerdas continuarão completamente zuretas, míopes e abiloladas, sem projeto, sem rumo, sem causa, sem nomes, sem autocrítica, ainda submetendo-se aos caprichos do inocento Lula. Devem ir de Haddad e Ciro Gomes nas próximas eleições. Representante público dos interesses e do dinheiro chinês, Ciro terá mais fôlego. O PT pode ir para a cova.

9) O centro tende a se unir e encontrar um candidato forte, talvez Dória, talvez Caiado, talvez alguém que surja do Apocalipse. Mas deve perder no segundo turno.

10) A muito custo e contragosto, Bolsonaro deve se curvar à lógica e indicar Sérgio Moro para o Supremo a fim de se livrar de um concorrente à Presidência. Com apenas 47 anos, Moro tem todo o tempo do mundo. Vai aceitar; o Supremo é tudo o que ele sonha. Quanto a esse Mandetta, é só fogo de palha sem maior dimensão, alguém que fala muito bem e passa credibilidade. Deve terminar concorrendo ao Senado ou ao governo do MS.

11) Bolsonaro, em campanha permanente, deve ser reeleito presidente em 2022 com o voto do povão que anda de ônibus e almoça em marmitex. Sobretudo embalado pela retomada da economia e, ainda, ajudado pelo novo partido 100% conservador que está fundando, o Aliança. Apesar de seus repentes emocionais, as pesquisas mostram que um extrato significativo do eleitorado gosta dele assim mesmo, e que aprova as linhas gerais de seu governo. Quanto ao vice, dificilmente será Mourão, que deve ser candidato ao Senado pelo Rio ou pelo RS.

12) No embate permanente entre Bolsonaro e o Congresso, ficará cada vez mais explicito que o atual sistema político há muito não nos representa. Será necessária uma reforma política profunda, talvez até mesmo uma Constituinte. É bem provável que os 35 grupos econômicos que controlam 2/3 da economia e 2/3 da política oriente suas excelências a adotar o parlamentarismo. Bolsonaro e seus seguidores decerto vão para as ruas, tal qual João Goulart. Depois disso, resta tudo nebuloso.

Esclareço que esta é uma versão lapidada do post original, publicado na noite de domingo. A partir dele, humildemente incorporei muitas contribuições e observações pertinentes, afinal, ninguém é dono da verdade, sobretudo quando se trata de antever o futuro. Agradecimentos especiais às contribuições de Gerhard Eric Boehme e Paulo Fernando.