24 Ago 2019

Editorial do The_Intercept tem base na perseguição

Por   Ter, 11-Jun-2019
Greenwald e o texto do The_Intercept Greenwald e o texto do The_Intercept

Nenhum veículo de imprensa isento baseia sua política editorial na perseguição a um grupo político ou a pessoas - mas não é assim que  funciona The_Intercept, de Glenn Greenwald. No editorial em que explica a publicação das conversas hackeadas do ministro da Justiça, Sérgio Moro, o site explicitamente indica que se propõe a investigar Moro, os promotores da Lava Jato e determinados políticos, enquanto deixa de lado outros possíveis criminosos, como os ex-ministros do PT e o ex-presidente Lula.

"Esse é apenas o começo do que pretendemos ser uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, de Dental Dallagnol, e da Força-Tarefa da Lava Jato - além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detém um enorme poder político dentro e fora do Brasil", afirma o site.

A imparcialidade jornalística obriga a investigar tudo sobre todos - o princípio da isenção. Já The_Intercept não somente é partidário, ao criar um alvo preferencial, como suberverte valores. Coloca a Lava Jato como culpada, no lugar dos agentes da corrupção. Anuncia uma perseguição sistemática não somente à Lava Jato, como a indíviduos que, por antecipação, e antes de qualquer julgamento, considera nocivos ao país, enquanto os já julgados são tratados como inocentes.

A série - e a proposta editorial - do Intercept é, ela sim, o que há de mais nocivo na era digital: um veículo defensor de interesses ocultos sob um discurso de jornalismo profissional. Seu alinhamento se revela, em primeiro lugar, pela posição político partidária das pessoas que o dirigem, que têm num veículo digital uma instrumento influenciador - não somente no Brasil, por meio de sua página em português, como em inglês, língua nativa de Greenwald.

Greenwald é amigo dos hackers há bastante tempo. Advogado de formação, com especialização em direito constitucional, tornou-se conhecido em junho de 2013 ao revelar programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos, em parceria com Edward Snowden, ex-funcionário do serviços de informação americano. O material foi publicado, através de Greewald, pelo jornal britânico The Guardian.

Pela reportagem, Greenwald e Snowden receberam em 2014 o Prêmio Pulitzer de jornalismo, nos Estados Unidos, e no Brasil o Esso, com a publicação desse material pelo jornal O Globo. No mesmo ano, Greenwald fundou The Intercept, que recebeu 250 milhões de dólares de Pierre Omidyar, fundador da eBay, quando este decidiu financiar startups de comunicação por meio da First Look Media.

 A proposta inicial do The_Intercept, de "produzir um jornalismo corajoso, confrontando uma ampla gama de tópicos como corrupção, política financeira ou violação de liberdades civis", logo revelou-se bastante partidária, feita com base na escolha de alvos coincidentes com as opções pessoais de Greenwald.

Ele é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), que chegou ao Congresso como suplente de Jean Wyllis, depois que este abandonou o cargo alegando sentir-se ameaçado de morte na era Jair Bolsonaro. Vive no Brasil depois que a polícia britânica passou a pressioná-lo por usar, em nome da imprensa, o mesmo método de hackeamento que afirmou ser criminoso, quando feito pelo governo americano. 

Após a publicação do relatório de Snowden, Greenwald reportou a invasão de sua residência, em Londres, e o desaparecimento de um laptop. O jornal The Guardian sofreu investigação pelo GCHQ, serviço de inteligência britânico, e foi obrigado a destruir seus computadores diante dos agentes, em 20 de julho de 2013.

No livro "The Snowden Files", o jornalista Luke Harding relata que os repórteres envolvidos na investigação foram mantidos sob vigilância da polícia britânica. Em agosto de 2013, a Polícia Metropolitana de Londres prendeu David Miranda no aeroporto, quando embarcava da Inglaterra para o Brasil. O companheiro de Greewald foi interrogado por nove horas e teve objetos pessoais apreendidos, mediante o uso da lei britânica antiterrorismo. 

Greenwald afirmou, na época, que se tratava de intimidação. Processou a polícia londrina, mas a detenção de Miranda foi considerada legal.

Em 2013, durante o governo de Dilma Rousseff, foi instalada no Senado Federal do Brasil uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Espionagem para investigar a denúncia de Greenwald de que os Estados Unidos estariam também espionando o Brasil. Em 3 de setembro de 2013, foi aprovado requerimento solicitando proteção da Polícia Federal para Greenwald e Miranda, na condição de testemunhas-chave.

Foram aconselhados a não deixar mais o Brasil, sob risco de serem presos na Inglaterra ou nos Estados Unidos. Desde então, Greenwald passou a dirigir suas baterias contra os adversários do PT. Defendeu que o impeachment de Dilma teria sido um golpe de Estado. O jornal O Estado de S. Paulo já o classificou como um "ativista da causa petista", no editorial "O Jogo Sujo da Desinformação".

Greenwald defendeu também que o Brasil desse asilo político a Snowden. A concessão de asilo é uma prerrogativa do Executivo, por meio do Ministério da Justiça, hoje com Sérgio Moro.

Exilado provisoriamente na Rússia, que deve rever sua situação ainda este ano, Snowden é outro que não pode voltar para casa. Como Julian Assange, fundador do Wikileaks, expulso da embaixada do Equador, onde estava abrigado, e preso em 11 de abril passado pela polícia londrina, Snowden é aquele tipo de personagem que, no fim das contas, ninguém quer.

O vice-líder do governo na Camara dos Deputados, Carlos Jordy (PSL-RJ), já defendeu em seu Twitter a deportação de Greenwald "Amigo do Lula", afirmou.

No Brasil, graças à promessa de ceder informações que nunca entregou, Greenwald recebeu proteção e mesmo uma rede de solidariedade, junto à esquerda radical. Encontrou agora, também, um novo alvo para, a pretexto de combater o sistema, instalar o seu próprio - no qual a polícia é o bandido, e o bandido, a polícia. Como Snowden, é uma batata quente para qualquer país.