24 Ago 2019

Para um novo Congresso, esqueça os partidos

Por   Seg, 27-Ago-2018

Loucura é fazer a mesma coisa e esperar resultado diferente. Esta definição que transita entre o erudito e o vulgar me ocorre quando observo o processo político em curso que nos dará em outubro um novo presidente e um novo Congresso.

Uma oportunidade imperdível para renovar a liderança política do País e, descendo dela, a liderança administrativa, os milhares de cargos de confiança que funcionam ora como blindagem dos padrinhos políticos contra a frustração dos eleitores, ora como cabos eleitorais, teúdos e manteúdos pelo Estado para perpetuar os mandatos.

Nunca antes neste Pais – com licença do insistente usuário desta expressão - foi tão necessário renovar a Política , tão profunda, extensa e tão óbvias a corrupção que campeia, a ineficiência do serviço público, a morosidade cabotina da Justiça, o mega-custo da administração, somando-se tudo num estamento que excede em privilégios o que negligencia em seus deveres.

Poupando aos leitores a crônica das mazelas sociais e as patifarias financeiras, prefiro confessar aqui meu receio de que o processo eleitoral resulte em nova decepção. Afinal , apesar da clara e enfática manifestação popular pela reforma politica, o processo eleitoral repete o roteiro de conchavos onde se mercadejam cargos e posições. Nenhum partido coloca de forma transparente como escolhem seus candidatos. Nenhum partido ou candidato à presidência ou governos estaduais revela claramente o gênero de compromissos assumidos, em quais ideias e projetos lastreiam sua candidatura e onde estão os congressistas que ele deseja e precisa eleger para levar avante, com eficiência e ética, seus planos de governo, seu projeto para o País. Não ouvimos planos ou projeto, apenas o de sempre – vagas promessas, generalidade óbvias.

E aqui que se joga a sorte do País

O Congresso é a chave-mestra do futuro. Ele é realmente o único Poder independente, aquele que pode impedir, destituir, mudar, ampliar, promover, limitar os demais poderes. Esta independência, contudo, precisa coragem cívica, espírito público, continência fisiológica. Valores escassos no atual Congresso.

É nossa tarefa escolher em outubro os congressistas que reúnam , não uma ou outra, mas todas estas virtudes . Todas elas são necessárias e em grau de excelência, porque o desastre econômico só perde em gravidade para o desastre ético e moral. Só assim o Congresso terá força politica e autoridade moral capaz de debelar a epidemia de corrupção, na pior hipótese limitá-la aos inevitáveis casos descritos na psicopatologia social. Em resumo nosso voto precisa refundar a instituição Congresso para que ele transforme o Estado parasitário que temos no instrumento eficaz e ético de desenvolvimento sonhado pela Nação.

Os próximos congressistas que desejamos - um alerta relevante - não podem ser escolhidos apenas pela indicação partidária , desde que nela se abrigam mercenários alheios ao interesse público, traficantes de influências, demagogos contumazes, promitentes de ilusões.

Em resumo, o aval partidária não é suficiente. É preciso confirmar a inteireza moral e o espírito público do candidato com outras fontes, especialmente naquelas nascidas da indignação popular. No melhor dos mundos, se isto existe na Política, o escolhido pelo eleitor precisa ser o resultado da busca no passado político e pessoal do candidato para achar neles a comunhão de valores projetos entre eleitor e candidato.