23 Jul 2019

Um dilema que os insensatos não querem encarar

Na entrada da cidade de São Bento do Sapucaí, sobre um mastro de ferro em um antiquário semiabandonado, tremula hoje em trapos uma bandeira do Brasil. Esquecida por quem a colocou ali, ignorante da lei, que não permite o uso de uma bandeira desfigurada, ela é mais do que um símbolo: é o retrato bem atual daquilo que somos, em vez daquilo que queríamos ser.

O pedaço que falta nessa bandeira é a o que deveria ter sido realizado pelo Brasil ao longo dos últimos séculos. Nos quinhentos anos que nos separam da chegada dos portugueses à costa brasileira,  Nações ricas foram construídas com maior rapidez e durabilidade.

Os Estados Unidos se tornaram a Nação mais rica do planeta. Países como a Austrália e o Canadá possuem um nível de vida muito superior ao nosso. Os países do Velho Mundo, se bem que inicialmente às custas da colonização, se transformaram em países ricos, com um padrão de vida mais equilibrado entre todos os cidadãos, dentro de modelos democráticos que se sustentam há muito tempo, apesar das crises eventuais.

Na véspera do Dia Internacional da Mulher, assisti tardiamente a The Wife, ou A Esposa, filme indicado para o Oscar pela atuação de Glenn Close na categoria dramática. Teria sido sua primeira estatueta, apesar das seis indicações recebidas nas quatro décadas de carreira. Mas não aconteceu: o prêmio foi concedido à atriz de A Favorita, Olivia Colman que, no palco, mostrou-se tão grata quanto estupefata e, cheia de humor, pediu desculpas a Glenn Close.

O UOL estreou em meio às festas de carnaval a coluna do ex-deputado Jean Wyllys, que deixou seu mandato e o Brasil sob a alegação de que sentia medo de ser assassinado por milicianos supostamente ligados à família do presidente Jair Bolsonaro.

Os veículos de imprensa do Grupo Folha têm como política editorial a abertura a colunistas de todos os matizes políticos, como uma publicação pluralista, em nome do respeito a todos os pontos de vista. A coluna de Wyllys, porém, nada tem de democrática, ou plural.

Rapidamente, revelou-se uma metralhadora de ofensas sem nenhum controle. Em vez de uma visão progressista da política e do comportamento, manifesta puro ódio, do tipo que só alimenta os polos engalfinhados nessa batalha sem fim que não traz qualquer benefício para o país.

Temos dificuldade de aceitar os fatos

O Entrudo ainda faz vítimas nas festas de Momo 

A Quarta Revolução Industrial, ou simplesmente “Indústria 4.0”, completa uma sequência de mudanças estruturais dos sistemas de produção que basicamente abordaram a mecanização (entre 1760 e 1840), a massificação (1870 a 1914) e a informatização (desde 1960 até o início do século XXI). Nesta quarta etapa da indústria, não se trata apenas de produção.

O ministro da educação, Ricardo Vélez, foi espinafrado do Oiapoque ao Chuí pela famosa comunicação em que pede às escolas a leitura de um texto nas escolas, que as crianças cantem o hino nacional e enviem um vídeo ao ministério ou ao Palácio do Planalto. Foi obrigado a retratar-se, retransmitir a carta com cortes e emendas e acabou acumulando mais um pequeno vexame à trajetória ainda curta mas já cheia de incidentes do governo.

Ocorre que o problema maior com a carta de Vélez não é dele. Não há nada de errado em pedir que se cante o hino nas escolas, pelo contrário - ensinar e praticar o hino faz parte da educação cívica que se transmite no ambiente escolar desde sempre. Produzir vídeos com isso, desde que com autorização e de forma voluntária, também não é nenhum absurdo.

Cantar o hino não faz de ninguém um patriota

Após derrotar as esquerdas com uma plataforma ideológica radical, o governo Bolsonaro amadurece seu programa de atuação política com definições que vale a pena discutir.