14 Nov 2019

É só o que nos cabe saber nesse furdúncio da Lava Jato

O governo Bolsonaro é malvadão ou tem um projeto mais complexo?

O mercado digital tem se mostrado um caminho viável para a diminuição da lacuna entre gêneros na ocupação profissional mundial.

Até aqui, o presidente Jair Bolsonaro vem sendo tratado por veículos e opinadores de mídia como um político meio desastrado, que teria um relacionamento ruim com o Congresso, dificuldade de fazer acordos políticos, e sem pulso no trato com os franco atiradores que deveriam estar ao lado do próprio governo - em especial, o guru Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro, filho e mentor de comunicação digital do presidente.

Para esses detratores, Bolsonaro dá cabeçadas desde o começo, expelindo pelo caminho, sem querer, colaboradores de primeira grandeza - casos dos ex-ministros Gustavo Bebbiano e do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. E deixaria livres os amigos da onça de maneira inexplicável.

Tudo tem explicação - desde que se aceite o fato de que o inexplicável, na realidade, é de propósito. Passados pouco mais de seis meses de governo, o que parecia  uma série de tropeços vai se configurando agora como um método político. A confusão não é resultado de incompetência. Mesmo o que às vezes parece sem lógica faz parte de uma estratégia, baseada em objetivos, que vão ficando cada vez mais claros.

Enquanto em Brasília os três Poderes se debatem num torneio de verão para identificar quem tem mais poder, ou mais mazelas, fora da cúpula de vidro se desenrola o Brasil de verdade, onde impera a realidade. E ela tem sido dura.

O IBGE informa que temos no momento 13 milhões de desempregados. Um número alarmante, não apenas pelo tamanho, como pela longevidade. Pior que o desemprego, é o tempo que ele já dura. A população perde a poupança, afunda cada vez mais na pobreza e vai entrando em desespero. O que vemos é um país em sofrimento.

Para acabar com o abuso machista, chumbo quente

Além do embate entre o Executivo e o Legislativo, tragados num rodamoinho em que um tenta anular as ações do outro, o Brasil assiste um outro preocupante fenômeno, que alimenta ainda mais a espiral da incerteza: a politização da Justiça.

Não faltará tentação no caminho do capitão, mas a história tem conselhos a dar

O advogado Glenn Greenwald, principal sócio do The_Intercept, acusou a TV Globo de querer "encobrir" a divulgação do conteúdo que acabou saindo pelo seu próprio site. E lembrou que a Globo noticiou no Brasil o caso Snowden, o escândalo de espionagem do governo americano, pelo qual o próprio Greenwald se tornou conhecido. Snowden acabou refugiado na Rússia e ele, Greenwald,  sob risco de ir preso na Inglaterra, radicou-se no Rio de Janeiro.

O que Greewald não explicou foram as razões pelas quais a Globo não quis publicar o material, e que mostram a distância existente entre um veículo tendencioso, como o The_Intercept, e a mídia profissional. Não se trata do fato de a atual investigação atacar a operação Lava Jato, como Greenwald quis fazer parecer, como se a Globo quisesse proteger Sérgio Moro. Quando colocou no ar o caso Snowden, a Globo sabia qual era a fonte da informação (Edward Snowden) e sua confiabilidade. O que não acontece na situação atual.

A origem e a certeza da fonte são fatores decisivos para a credibilidade da informação e, por conseguinte, de quem a veicula e sustenta. O esforço de Greenwald em fazer o conteúdo circular por veículos com muito mais audiência que o dele mostra apenas seu empenho em colocar o objetivo político dessa ação acima dos interesses do seu próprio negócio. E que ele gostaria de usar a credibilidade de um veículo como a TV Globo para endossar a publicação de um conteúdo cuja origem lança mais suspeitas sobre Greenwald que sobre Moro.

Trabalhos iguais salários iguais?