26 Fev 2020

Nós, os Estoicos, já sabemos há 24 séculos que tudo tem anima (alma) -- cada Ser Humano, animal, vegetal, mineral ou ecossistema, é tudo microcosmos do mesmo Cosmos. No Século VI, São Bento criou uma jornada de contemplação da Natureza como método de oração; e Francisco de Assis veio pelo mesmo caminho quando, inspirado pela Alteridade, compôs o Cântico das Criaturas (Irmão Sol, Irmã Lua), reconhecendo a Vida e a Sacralidade em todas as manifestações da Natureza.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que está estudando trazer de volta a velha CPMF, antigo "imposto do cheque", que incidia sobre todas as operações bancárias. Disse que se o valor for "pequenininho" não fará mal. Fará. Porque qualquer aumento de impostos, num país já exaurido pela crise, não só vai contra o liberalismo pregado por ele, desmoralizando sua proposta, como é algo que o brasileiro já conhece - e sabe que, por achatar ainda mais o cidadão, é outra medida recessiva, que não dará certo ao final.

Há, porém, um lado ainda pior das ideias em voga no governo.

Desde 1992 o Planeta está em colapso. Ou seja, já tem quase três décadas que a capacidade de regeneração espontânea da Natureza é menor do que a extração de seus recursos por nossa civilização.

No Brasil, as últimas eleições presidenciais foram marcadas pela vitória de políticos de legendas minoritárias, com algo em comum - seja de esquerda como de direita, primam pela radicalização. Com isso, o chamado centro, ou tudo aquilo que não é radical, acaba sendo levado, geralmente a contragosto, a escolher um lado, mais por rejeição ao outro do que por opção.

É a chamada polarização, que na prática leva sempre uma minoria, seja qual for seu sinal ideológico, a governar a maioria. É o rabo - a parte menos importante, embora mais ativa e vistosa - a abanar o cachorro, e não o contrário.

Jovens, inexperientes e arrogantes

Tirania, despotismo, absolutismo, totalitarismo, ditadura... o Leviatã é insaciável em sua sede de poder. É criativo, genial, luciferiano, sempre a encontrar subterfúgios para abusar das nossas liberdades. No Brasil, tornou-se uma hidra. Tem policial que prende (ou atira) a esmo, jornalista que destrói reputações sem checar, juiz que sentencia sem ler, político que aprova leis em proveito próprio, o funcionário público que prevarica...

O presidente Jair Bolsonaro deu para se lamentar da indigência do governo, para justificar cortes e contingenciamentos. Na sexta-feira, dia 16, reclamou que não há recursos para fazer nada. "Não tem dinheiro e eu já sabia disso", afirmou. "Estamos fazendo milagre, conversando com a equipe econômica. A gente está vendo o que a gente pode fazer para sobreviver."

As manifestações de rua na última terça-feira, com a bandeira da Educação à frente, mostraram uma novidade de marketing nos movimentos de esquerda: a substituição das bandeiras vermelhas dos partidos como o PT e congêneres pelas bandeiras verde-amarelas, uma marca das manifestações pró-Bolsonaro. Com isso, pretendeu-se tomar literalmente a identificação do bolsonarismo com as causas nacionais e procurar atrair o cidadão comum, o não ativista, deixando para trás o negativismo associado ao desempenho do PT no governo federal.

Funcionou? Nem tanto.

Mais uma vez: a Amazônia não é o pulmão do mundo

O ex-deputado e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto já patrocinou outras desgraças econômicas quando esteve no governo, mas é inegável sua vasta experiência e o fato de que se tornou o mentor de gerações seguidas de economistas brasileiros. É, portanto, uma autoridade quando se trata de pontificar sobre problemas nacionais, o que ainda faz, com espantosa lucidez para um nonagenário.