18 Out 2021

Antonio Conselheiro de circo conduz seu rebanho ao ridículo

É obrigação do jornalista manter a isenção, o que significa narrar os fatos, sem fazer juízo de valor. É difícil, porém, não fazer qualquer juízo de valor, diante do amontoado de fatos a a respeito do presidente americano, Donald Trump.

Muitos perguntam se Jair Bolsonaro fica até o final ou se haverá alguma solução política que abrevie seu mandato. E qual o tamanho da crise econômica? – indagam os mais aflitos.

É obvio que nem o melhor dos videntes tem as respostas. Contudo, é possível fazer uso da análise prospectiva para traçar um cenário provável. Vou então arriscar algumas previsões:

Um parasita, instalado no coração dos governos democráticos, deles obtendo seu alimento e causando-lhes dano, potencialmente, fatal. Não estamos falando aqui do coronavírus, mas do populismo, regime político que opera a partir de um determinado organismo, a democracia representativa, e, testando seus limites, desfigura-o pouco a pouco, a partir de um discurso e de atos autoritários e do ataque sistemático ao arcabouço constitucional.

Essa é a ideia central de We The People, How Populism Transforms Democracy (Nós, o povo, como o populismo transforma a democracia – numa tradução livre), de Nadia Urbinati, cientista política da Universidade de Columbia (EUA), que se propõe a dissecar o avanço, aparentemente incontornável, do maior fenômeno político desde o final da guerra fria, e que foi instalado nos governos sob os quais se acomoda parcela significativa da população mundial.

Isolamento social é política oficial do governo Bolsonaro. Então, por qual razão os bolsonaristas atacam a imprensa, os governos estaduais e os especialistas?

Peçam ao Capitão Banana para ser macho e suspender o isolamento. O fanfarrão só faz fofoquinha e intriga, papo de lavadeira em beira de rio.

Poderia, como tantos já estão fazendo, listar fatos suficientes e argumentos convincentes para mostrar a perigosa mediocridade que nos governa desde Brasília.

Na hora mais perigosa da Nação, diante de ameaça formidável, falta-nos com certeza competência política no Planalto.

É certo também que nos faz muita falta um estadista que substitua o bravateador vulgar de duvidosa acuidade cognitiva que temos à testa da Nação.

O Brasil é um país democrático, mas sua história é uma história da elite brasileira, que conduz os regimes e, na prática, levanta os nomes dos seus presidentes. Tem feito suas escolhas, e é hora de se perguntar se tem feito as escolhas melhores.

O pedaço mais influente do empresariado nacional apostou em 2018 no capitão Jair Bolsonaro, por algumas razões. Primeiro porque Bolsonaro, nas reuniões a portas fechadas, comprometeu-se em não tomar de volta o dinheiro que ganharam nos governos do PT, recuperando em impostos a imensa transferência de recursos do Estado, exaurido até quebrar, transferindo o dinheiro para o setor privado.

Depois de duas semanas de resguardo, por conta de uns sintomas de gripe que eu nunca soube serem de corona ou não, entro no sacolão das Perdizes, com a missão de comprar algumas frutas, um pacote de sal e aquela terceira coisa que nós homens sempre esquecemos de lembrar.

É uma experiência estranha. Primeiro, porque me acostumei a não sair de casa. Depois, por estar com essa máscara preta de ninja, o que me dá a sensação de entrar no supermercado para assaltá-lo, e não como um cidadão prevenido que evita passar ou contrair o vírus que vai matando milhares de pessoas pelo mundo.

Comprei um par dessas máscaras pela internet, chegaram em três dias pelo correio. Olho a etiqueta. Fabricadas na China, o país de onde se espalhou o virus. Sim, o colosso econômico que cultiva hábitos milenares como o Mercado Vivo de Wuhan, onde os dejetos de porcos e galinhas se misturaram com o de um pangolim, um bichinho parecido com o nosso tatu. E assim propiciaram a mutação desse ser microscópico que agora ameaça a Humanidade, depois de despachado por avião dentro do pulmão de chineses desavisados, para todo o mundo globalizado. Ironia que agora os chineses vendam máscaras para a pandemia mundial que eles mesmos inventaram.

Examino visualmente o sacolão. Não é fácil, porque a máscara chinesa é pouco permeável: a respiração sobe pelo nariz, injeta ar sob os óculos e embaça as lentes por dentro. Não enxergo nada e tenho medo de limpar os óculos, já que não podemos, por conta das regras sanitárias, levar as mãos ao rosto. As alças da máscara são enroscadas atrás da orelha, fazem a armação deslizar, meu precioso acessório salta das orelhas para o vazio e acaba pululando em minhas mãos, na tentativa desesperada de evitar que se espatife no chão.

Quando consigo recuperar um pouco de visão, observo, contra minhas expectativas, ou minhas esperanças, que o sacolão está cheio de gente. Há no salão umas cem pessoas, de todas as idades, incluido aquelas consideradas de maior risco. De toda aquela gente, menos de 20% usa máscara como eu. Há álcool gel na entrada  e cada caixa tem uma garrafinha dessas de jardim para borrifar as mãos, mas eu pressinto a morte pairando no ar, invisível, e me pergunto quem, entre toda aquela gente, daqui dois meses, ainda estará vivo. 

Escrevi e publiquei há alguns anos artigo sobre o AI5, ou Ato Institucional nº 5, levando em conta a minha própria experiência como acadêmico quando este entrou em vigor, e avaliando-o, sem exageros, como um dos atos mais insanos e autocráticos cometidos no País, mesmo durante a ditadura militar, principalmente no terreno da liberdade da expressão.

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