26 Fev 2020

No fim de semana do feriado de 7 de setembro, a pequena cidade de Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, foi pela quinta vez cenário do Hack Town - evento que reuniu mais de 600 palestrantes e um público de cerca de 6 mil pessoas para assistir palestras, debater inovação, tecnologia, comportamento e, por que não, se divertir.

Nerds e jovens de todas as tribos se misturavam em vários lugares da cidade para discutir tanto a economia digital como a comida vegana e o documentário La Planta, sobre a experiência da maconha medicinal no Uruguai, dirigido pelos cineastas Beto Brant e Yael Steiner.

É um sopro de vida na economia e na sociedade brasileira, ignorado pelo governo federal, assim como pela mídia nacional. Como se fosse um evento de importância local, contou apenas com a cobertura regional da TV Globo, e a participação do governador mineiro Romeu Zema, que, na abertura, disse que a tecnologia está entre as suas prioridades.

Enquanto em Brasília o ministro da Economia, Paulo Guedes, deblaterava sobre a reintrodução da velhíssima CPMF, e o presidente Jair Bolsonaro tuitava do hospital que não haveria aumento de impostos, sem qualquer solução fora da mais arcaica ortodoxia econômica, em Santa Rita, sem sequer uma testemunha de Brasília, se discutia o que pode levar o Brasil para a frente de verdade.

Não subestime a inteligência de ninguém. Incluindo a sua.

Pode parecer um conselho estranho, ainda mais numa era em que todo mundo parece saber tudo melhor que ninguém e emite suas verdades pelas redes sociais. Ocorre que as opiniões hoje em dia seguem sempre as mesmas correntes. O que não é bom, sobretudo no que concerne à defesa de interesses próprios e ideias individuais.

Protestantes da censura e guardiães do Index Librorum Prohibitorum

A Bienal do Livro de 2019, no Rio de Janeiro, passará para a história pelo mais insólito ataque à liberdade já visto no Brasil desde a ditadura militar. E por ter resultado no efeito contrário.

Ao mandar recolher "Vingadores, a Cruzada das crianças", um gibi sobre heróis onde há um beijo  entre homens, o prefeito evangélico Marcelo Crivella acabou dando notoriedade a uma obra antes perdida no meio dos saldões da feira. Com isso, a obra que ele queria que não fosse lida virou  sucesso instantâneo e esgotou rapidamente, no meio de uma onda de manifestações em favor da liberdade.

Garantidos por imunidades e cumplicidades, alguns dos acossados pela Lava Jato empenham-se com ofensivo cinismo na aprovação de leis que inviabilizem o combate à corrupção. A justificativa é coibir o abuso de autoridade. Na mesma campanha embarcam improváveis ingênuos da Academia jurídica, uns e outros argumentando que supostos abusos de autoridade, afetando hoje congressistas e seus prepostos na administração pública, são ameaça futura para todos. Pode ser. 

Mas não pelos motivos que impulsionam esta campanha que a rigor visa reforçar a já robusta couraça dos foros privilegiados e imunidades legais super-protetoras dos homens públicos.  

A revolução do meio digital tem provocado uma profunda mudança política na era contemporânea. Ao permitir a informação em tempo real, e assim a fiscalização do poder público também ao vivo e em período integral, a internet viabilizou uma nova forma de democracia participativa, que acaba substituindo a democracia representativa do século XX.

É como se voltássemos aos primórdios da antiga Pólis grega, em que os cidadãos iam para a praça votar, levantando a mão. Esse tipo de consulta democrática acabou se tornando inviável, com o aumento da população e também das decisões de Estado. E a democracia assumiu sua forma representativa, em que alguns são escolhidos para representar ses eleitores nas decisões da esfera pública.

Porém, o fato de cada cidadão agora se transformar num potencial ativista político, participando de grupos de pressão que podem inclusive rapidamente se mobilizar em manifestações de rua, permite a criação de uma nova forma de democracia participativa em larga escala, na qual o poder público tem de dar respostas também de forma direta, o tempo todo, e acaba sendo obrigado a ouvir os movimentos de pressão a cada passo.

O que leva alguém a duvidar das vacinas

A substancial vantagem nas eleições primárias do candidato da oposição na Argentina, Alberto Fernández, que sugere uma vitória com larga margem na votação decisiva em outubro sobre o atual presidente Mauricio Macri, não significa apenas uma volta dos Kirchner ao poder, com Cristina Kirchner na vice-presidência e suas políticas populistas de esquerda. Quer dizer que, depois de selado o fracasso da era Kirchner, os argentinos experimentaram o outro lado - e agora podem voltar atrás. É a saudade do ruim, diante do pior.

O jogo pendular entre esquerda e direita dos argentinos é o mesmo que ocorre no Brasil, ainda que numa fase anterior. Depois da tentativa social democrática com FHC e depois o lulismo, o Brasil experimenta o liberalismo radical de Jair Bolsonaro e seu ministro econômico, Paulo Guedes. Porém, o resultado também vai parecendo igual.

Macron ensaia uma farsa colonialista

Caro presidente Macron,

Em reunião extraordinária, o G10 considera que os vinhos da Borgonha são patrimônio universal, indispensável para a Humanidade. E portanto a França deve aceitar uma soberania relativa desse território, de importância que vai além de suas fronteiras.