18 Out 2021

Saiu a esquerda, entrou a direita. E a imprensa continua apanhando

O presidente Jair Bolsonaro chamou seu ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de "Judas". Como dizem as escrituras, Judas era o apóstolo favorito de Jesus, mas justo esse foi também aquele que o traiu. Não se sabe se Moro irá se arrepender, como Judas, que se enforcou. O presidente, porém, já tem a sensação de que está sendo enviado para a cruz.  

Enfrentem como machos essa gripezinha chinesa!

Tudo indica que o ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu ficar. Pelo menos até fim crise coronavirus. O presidente Jair Bolsonaro disse que precisa dele neste momento no qual está acossado. 

O Brasil acompanhou de longe o desenrolar da pandemia, enquanto estava na Europa, como se não tivesse nada com isso. Parecia que o Primeiro Mundo estava com seus problemas e tomava sua lição. Acontece que a lição chegou ao Brasil. E a pandemia, num país que já se arrastava com uma crise, despreparado para enfrentar outra pior, ameaça se tornar implacável.

As vivandeiras voltam a rondar os bivaques e recebem o afago de um presidente destemperado

O novo ministro da Saude, o médico Nelson Teich, é um técnico que foi chamado a dar palestras ao grupo dos generais (como o Heleno), que fazia o Programa de governo de Bolsonaro e, depois, frequentou o Governo de Transição.

E somos governados por macacos escolhidos por nós

O esforço desesperado do presidente Jair Bolsonaro em fazer as coisas voltarem ao que eram antes, indo contra o próprio ministério, o círculo de militares, a Justiça, os governadores e a maior parte da opinião pública, mostra não apenas que ele perdeu o controle do próprio governo, se é que um dia realmente o teve. A pandemia do coronavírus tirou do presidente a autoridade e ainda levou de roldão aquilo com que ele mais contava para concluir bem seu mandato: o projeto econômico liberal, tocado pelo ministro Paulo Guedes.

É difícil para o presidente aceitar, mas, ainda que ele suspendesse o isolamento domiciliar e ninguém mais ficasse doente por milagres da hidroxicloroquina, o mundo para o qual ele quer rapidamente voltar já não existe. Bolsonaro ficou sem plano e sem propósito. Ou o governo arruma outro plano para o resto de seu mandato, ou o plano terá de arrumar outro governo.

O Brasil não é um país cheio de miséria e atrasado por acaso. É toda uma história de gestão atrabiliária de uma Nação, mistura de um capitalismo fundado na selvageria com falta de educação, que deram numa Nação que até teve a oportunidade de mudar de estágio, mas continua a ser uma República das Bananas, onde o bananismo, em tempo de pandemia, se torna perigoso. Ainda mais sob a admninistração de um presidente que se comporta como a Rainha de Copas.

Alguém imagina, por exemplo, o presidente da França ofendendo jornalistas e dizendo que o francês não morre de coronavirus porque rola no esgoto e assim adquire imunização contra tudo? Para o presidente Jair Bolsonaro, isso é natural.

O comportamento do presidente, assim como da elite dirigente brasileira, e boa parte da população que o apoia, mostra que o Brasil hoje se encontra na lista dos piores países do mundo, em todos os sentidos. Trágico destino para quem aspirava subir para o andar de cima do desenvolvimento.