15 Set 2019

Jornais, revistas e sites informam, ao seu modo, as boas notícias do governo

Já era preocupante o fato de o presidente Jair Bolsonaro estar se afastando cada vez mais da ala operacional do governo, incluindo os militares. Agora, ele se afasta da própria realidade, apegado à construção ideológica do mundo como ele o vê. Uma espécie de Doutor Caligari da política.

Para quem nunca viu o filme de Robert Wiene, Caligari é um louco, para quem o mundo distorcido pela própria loucura parece normal. Ao ver o filme pelos seus olhos, o espectador adota sua perspectiva e vai pensando que as coisas são mesmo daquele jeito, distorcidas, quase góticas. Até que se percebe que é apenas o filtro do louco que nos fazia ver assim.

Bolsonaro está ainda na fase de fazer alguns acreditarem que é normal e flerta com a ideia de ampliar sua massa de seguidores fanáticos, com ajuda das redes sociais e pendores para o fascismo. Algo também muito próximo da loucura mais delirante do poder. Mas muita gente vai acordando para a realidade.

O rei vai ficando nu. O último choque que faz acordar o eleitor brasileiro foi a declaração de que ele saberia o destino de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. 

Bolsonaro disse ter informações de que ele teria sido morto não pela ditadura, mas pela "esquerda" - uma deformação da realidade tão flagrante que seria o caso de repúdio geral, não fosse a consternação com o estado mental do presidente.

O importante é manter a narrativa

O Itamaraty confirmou a indicação pelo presidente Jair Bolsonaro de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Para ser empossado no cargo, Eduardo terá de passar pelo aval de uma comissão no Senado. E por um duplo erro do pai.

Boris Johnson, o populista, é o novo primeiro-ministro britânico. O populismo, entendido em seu sentido mais raso, continua em alta no mundo ocidental. À esquerda, sofreu um solavanco na Argentina, e na Venezuela. Mas espreita ainda por toda a América Latina.

À direita, vem acumulando vitórias, graças aos faniquitos do esquerdismo histérico que lhe empresta combustível. A que se deve esse fenômeno? Sei lá. Mas tenho cá uma ideia. O desenvolvimento econômico, com a inclusão das massas populares na vida moderna, travestidas de consumidores, eleitores, cidadãos com direitos, variados canais de participação, como nunca antes na história deste hemisfério, tem muito a ver com isso.

Em 1991, James Carville, marqueteiro do então candidato Bill Clinton, apostou que o sucesso da política internacional do presidente George Bush não bastava para reelegê-lo. O motivo era a forte recessão econômica, que Carville transformou em lema da campanha e jogou agressivamente no rosto dos eleitores o que realmente era importante - ” É a economia, estúpido”.

No Brasil, o recente debate eleitoral perdeu a oportunidade de usar o que existe de essencial na frase de Carville. A ousadia de criticar aberta e asperamente os que deram à corrupção o protagonismo que sempre foi da Economia.

O número de 13 milhões de desempregados no país é hoje o centro das preocupações nacionais, um problema maior que o da corrupção, à qual a crise econômica acabou sendo associada: ambos são resultado das formas variadas de malversação do dinheiro público. Porém, há no ar algo mais grave: a sensação, vinda das profundezas do solo, de que a democracia brasileira não deu certo.

O Brasil é um país que não consegue força para se manter na rota do desenvolvimento sustentável e que, contrariando sua própria base democrática, vive agora jogado de um lado a outro por projetos políticos cuja principal característica, paradoxalmente, é o autoritarismo.

Para sairmos disso, é preciso primeiro entender como chegamos até aqui.

No último final de semana, o programa Silvio Santos trouxe dois convidados especiais: os filhos do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio e o deputado federal Eduardo. Foram participar do Jogo das Três Pistas, um teste de conhecimento que repete as velhas fórmulas dos programas de auditório do quase nonagenário dono do SBT.

Os eleitores de Bolsonaro não se penitenciam, como julga a oposição

Entre as muitas ironias assombrosas que volta e meia assaltam um país que vai ficando com cara de desastre, o Brasil acaba de assistir ao impensável do impensável.

Graças a uma manobra jurídica do filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, a Lava Jato tomou um golpe capaz de paralisar a maioria de suas investigações, jogando no lixo todo o discurso moralizante que elegeu não apenas o titular do Palácio do Planalto como todos os que levam seu sobrenome.