13 Jul 2020

O Supremo Tribunal Federal foi a última das instituições a ser alcançada pela onda de descrédito provocada por mensalões, operações em série da Lava Jato e seus desdobramentos em estados, municípios, ministérios, departamentos, onde quer que se deteve a atenção mais vigilante sobre o dinheiro público. Foi a última, mas talvez a mais culpada pelo estágio avançado da crise moral em que mergulhou o País. Afinal, para supremo Poder corresponde suprema responsabilidade.

Considerando as alianças políticas, vices, tempo na TV, a primeira rodada de entrevistas e debates, como a repercussão dos mesmos nas redes, as piadas, memes e congêneres, há fumaça de que o segundo turno pode ter Bolsonaro versus Alckmin. Com 40% de indefinidos segundo as pesquisas, os candidatos miram o voto útil e tudo é possível, mas, olhando pela radiografia de hoje, cada um está assim: 

Embora existam muitos candidatos à presidência do executivo federal, existem apenas dois programas em disputa, vestidos com roupagens aparentemente distintas, mas que não resistem a uma análise isenta ou, se algum conseguir se enganar ou enganar os eleitores, não resistirá ao embate com a realidade de seu mandato.

A formidável crise que o Estado Brasileiro atravessa pela primeira vez anuncia seu envelhecimento e sua incapacidade de relançar o nosso desenvolvimento. Esse Estado PATRIONIALISTA, que nos governa há tanto tempo, finalmente apodreceu, denunciado pela Lava Jato, e suas instituições entraram em desarmonia ruinosa pelos seus restos privilegiados, edificados através dos tempos, e agora sacrifica ainda mais as maiorias nacionais pelo enorme desemprego e degradação dos serviços públicos.

Diversos sinais recolhidos do noticiário mostram que o ex-presidente Lula, assim como Marcola, o chefe do PCC, tem comandado a sua organização a partir da cadeia, com incrível liberdade.

O Marcola da política, segundo se entende agora, está por trás de uma série de acontecimentos que têm afetado o rumo da eleição no país. Seria dele, por exemplo, a intervenção que fez o empresário Josuel Alencar mudar de ideia e recusar ser vice na chapa de Geraldo Alckmin. Alencar, como se sabe, é filho de José de Alencar, o falecido ex-vice de Lula em seus dois mandatos.

Também da cadeia, por meio de seus intermediários, como a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, Lula teria mandado recado a Valdemar da Costa Neto para que manobrasse o Centrão longe de Ciro Gomes. Na hora H, como se viu, o acordo encaminhado com Gomes foi desfeito. E o Centrão foi parar nas mãos de Geraldo Alckmin, que, se por um lado ganhou mais tempo na TV, de outro ficou  ainda mais com a cara do atual governo.

POR QUE O MEIRELES VAI VIRAR PÓ?

E vai mesmo!

Mas como o ex-presidente mundial do poderoso Banco de Boston, duas vezes presidente do Banco Central do Brasil, deputado federal mais votado de Goiás e, até pouco tempo, ministro da Fazenda do governo Temer pode virar pó, ser esmagado politicamente?

Simplesmente porque ousou desafiar os “donos do Estado PATRIMONIALISTA”, as poderosas e privilegiadas CORPORAÇÕES ESTATAIS, ao editar “ingenuamente” a PEC dos Gastos Públicos, propondo a equalização do teto das aposentadorias do setor púbico e privado!

Meireles virou o moderno “caçador de marajás”, cometeu pecado semelhante e acabou sendo defenestrado pelo mesmo lobby burocrático (alguém acredita na história do carro Alba?). Caçadores de marajás equivocados viram pó por razões sistêmicas!!!

Por que estamos num processo eleitoral estranho, tão planejado e milimetricamente operado, de tal maneira que o vencedor vai sendo feito, custe o que custar? Exatamente porque o sistema se sente ameaçado em seus privilégios, depois que a Lava Jato, por engano, naquele posto da Petrobrás, lancetou o tumor estatal, derramou a podridão e cresceu em prestígio junto ao povo, há tempos caçador de marajás.

Por isso não pode haver renovação na representação política; a campanha tem que ser curta, com um mínimo de discussão, porque só um programa será vencedor: DESFAZER A PEC DOS GASTOS PÚBLICOS! E, se possível, colocar o Moro e o Bretas para rezar um ato de contrição em cima de milho, por conta de sua ingenuidade, pois o lobby PATRIMONIALISTA não admite outro senhor.

Você entendeu por que o Meireles vai virar pó?

O presidente Donald Trump não vê nenhum problema, assim como o presidente brasileiro Michel Temer, em fazer coisas do arco-da-velha e voltar atrás. Ocorre que vai sofrendo desgaste - em coisas bem mais sérias do que a caricatura com a qual o mundo se acostumou.

É comum hoje, no Brasil, encontrar um político com medo de ser preso ou outro, já preso, com vontade de ser solto. Mas dificilmente você encontrará um político preso com medo de ser solto. É o caso do Lula!

Estou na fila do avião em Moscou, retornando a Roma depois de assistir em Kazan a Brasil e Bélgica, e me posto diante de um balcão aberto da Alitalia para fazer o check in.

Na fila ao lado, um brasileiro reclama.

- Estamos aqui há meia hora, vocês precisam passar para trás desta fila em que estamos aqui.

O pessoal atrás dele resmunga também. A atendente daqueles passageiros está ocupada com outra coisa e eles estão ali parados. Como não foram atendidos, querem administrar a fila ao lado para ninguém ser atendido ali também.

Para não criar confusão, eu e mais outros dois passageiros recém chegados vamos para trás da fila deles, como solicitado. Ao chegar lá atrás, passa um atendente da companhia aérea, que não tem nada a ver com a brasileiragem, e nos manda expressamente de volta para o balcão livre, com algumas palavras ríspidas em italiano.

A tese de que ordens devem ser cumpridas, chamada de Obediência Devida, foi derrubada histórica e juridicamente pelo Tribunal de Nuremberg, quando, ao longo de um ano, entre 1945 e 1946, as mais proeminentes lideranças nazistas alegaram em suas defesas que estavam apenas cumprindo ordens de Hitler. A tese não convenceu os juízes. Desde então, a jurisprudência internacional entende que ordens absurdas devem ser desobedecidas, doutrina esta adotada como fundamento do Tribunal Penal Internacional, de Haia.

Com a ruína do regime PATRIMONIALISTA e o consequente apodrecimento do Estado brasileiro, o Brasil vive uma curiosa situação de anomia da autoridade. Se o critério de verificação da legitimidade da autoridade for a eleição regularmente convocada, a autoridade seria a Dilma, mas ela não é, pois foi impedida.

Agora, se o critério passou a ser o vice-presidente empossado em seu lugar, a autoridade seria o Temer, mas ele está completamente desmoralizado, alvo de vários processos criminais.

Se procurarmos essa autoridade entre os chefes do poder legislativo, pior ainda, pois a classe política atingiu um nível desconhecido de rebaixamento político e moral junto à opinião pública. Resta o poder judiciário, que atualmente está sendo chamado a decidir até disputa de par-ou-ímpar! Quem está mandando no Supremo, a presidente Carmen Lúcia, que mal controla a pauta dessa Casa de sua responsabilidade? A primeira turma, que manda prender, ou a segunda, que manda soltar?

Ou seria qualquer ministro, já que estão liberando preso sem sequer ser acionado por seus advogados? O Plenário é que não é! Seria então o juiz Moro, se o critério da autoridade for a legitimidade conquistada pela obra revolucionária que está fazendo no âmbito da Justiça, processando e condenando poderosos criminosos pela primeira vez na vida e conquistando por isso mesmo os aplausos do nosso povo? Parece, mas não é, pois antes ele tem que pedir permissão para o Tóffoli, se a questão em jogo envolver o Dirceu, seu ex-chefe...

E se não restar mais ninguém, a não ser apelar para os pré-candidatos a Presidência e formos buscar o mais destacado entre eles? Não é possível, ele está preso!!!

Só restou mesmo o Tite... até o melhor da Copa!