13 Jul 2020

O último Data Folha registrou que 50% dos brasileiros manifestaram receio de que uma ditadura seja implantada no Brasil, nas águas dessa eleição...

Em 1591, o primeiro Visitador do Santo Oficio, Heitor Furtado de Mendonça, chegou a Salvador com a missão de ouvir os cidadãos, receber denúncias e assim instaurar a Inquisição no Brasil por crimes ao mesmo tempo contra a Igreja e o Estado. Antigo desembargador real, capelão fidalgo do rei Filipe II de Espanha e deputado do Santo Ofício, ele não esperava, no entanto, pela realidade que encontrou.

Enquanto na Europa era preciso a tortura para extrair confissões e denúncias, no Brasil ocorreu o contrário: uma facilidade inaudita que instalou uma fila permanente na porta do Visitador. Choveram relatos de gente sequiosa tanto para confessar os próprios pecados quanto denunciar os outros, de preferência vizinhos ou desafetos.

Como mostro no meu livro A Criação do Brasil (1600-1700), em dois anos Dom Heitor tinha uma lista com 40.000 nomes de acusados, quase a população inteira de Salvador. Embora sua missão fosse levar a Inquisição a toda a colônia, sequer conseguiu sair da capital. Num ambiente em que todos falavam mal de todos, o efeito final foi nulo.

Um estudo divulgado nesta semana no Economist mostrou que a opção pela alimentação vegana teria potencial de aumentar o suprimento de alimentos em um terço.

Uma alimentação baseada exclusivamente em vegetais é benéfica para o meio ambiente. A produção desse tipo de alimento demanda menos utilização de solo do que aqueles que têm por base a criação de animais.

Quando foi eleito pela primeira vez, Lula era uma grande esperança brasileira. Saído da Nova República, vinha acrescentar a justiça social ao trabalho de estabilização econômica. O país tomava o rumo do desenvolvimento sustentável ao mesmo tempo que de uma sociedade mais justa.

Desse ponto, Lula se perdeu, num delírio de poder. Construiu na prática a carreira de um líder populista, um outro pai do povo. Quebrou o Estado distribuindo dinheiro como se fosse seu. Permitiu e patrocinou o alastramento da corrupção, que de algo ocasional virou um método de trabalho. Instalou-se o crime no país de forma sistêmica.

Astro conhecido pelos tempos da banda Pink Floyd, com pendores lisérgico-libertários, Roger Waters resolveu colocar no seu show em São Paulo, em luminoso garrafal, a hashtag #elenão. Achou que faria o maior sucesso, e se deu mal. Tomou uma vaia retumbante, prolongada e raivosa, e confessadamente se arrependeu de ter metido a mão nesse  vespeiro. "Eu não conheço bem a situação", explicou, ao microfone, numa tentativa de apaziguar os ânimos e continuar o espetáculo.

O que causa estranheza não é o fato de um estrangeiro que não "conhece bem a situação" se achar no direito de dar pitaco na política de outro país, desdenhando do princípio da livre determinação dos povos. Afinal, o pensamento e as posições políticas são livres e globais. Um gringo pode ter também a opinião que quiser, com a diferença de que não vota. E também não faz a cabeça de ninguém, como ficou provado pela vaia histórica no Allianz Park.

Estranho, mesmo, é que Waters resolva fazer seu protesto contra Bolsonaro, e Bolsonaro somente. Se é verdade que o ex-capitão simpatiza com o golpe militar de 1964, já desculpou até a tortura e se apresenta como uma figura constrangedora para a liberdade política e de pensamento, também é verdade que o polo oposto - a coligação PT-PcdoB, que se arvora agora segundo Fernando Haddad como defensora da democracia, é igualmente de natureza autoritária e ditatorial. 

"Eu acho que tem de votar contra o PT, mas o Bolsonaro fala também tudo o que eu penso, só não posso dizer", afirma D., engenheiro paulistano de 50 anos, executivo de uma construtora, casado e pai de três filhos.

A carreira do social democrata alemão Willy Brant, por sua origem proletária, seu grau de instrução elementar e seus feitos, é a que mais se assemelha à de Lula. Essa semelhança esclarece equívocos e explica a crise que, finalmente, incapacitou o petismo para administrar o capital e destacou a liderança consequente do lulismo para tal.

A Constituição Federal de 1988 faz 30 anos. Como advogada, tenho recebido vários convites comemorativos da data. Mas me pergunto se há, realmente, o que comemorar. Se, ao invés dessa pseudocelebração, não deveríamos de forma crítica e consciente refletir sobre a Carta que agoniza.

Faltando cinco dias para a votação em primeiro turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou e promulgou um manifesto em defesa do candidato tucano, Geraldo Alckmin. Contando com o próprio FHC, o documento tem 91 assinaturas de notáveis do tucanato, incluindo economistas e cientistas políticos. Parece, contudo, mais uma exortação do capitão que antevê o iminente naufrágio.

Qualquer que seja o resultado dessa eleição, deve-se ressaltar um fato indiscutível: do isolamento de uma cadeia, Lula esmagou o candidato preferencial do Sistema, apoiado pela poderosa Rede Globo e inundado por recursos materiais e partidários de todo tipo.