15 Nov 2019

O mundo virtual facilitou espalhar notícias falsas, interesses de todos os tipos, disfarçados de interesses do bem comum, numa época que coincide com a falencia dos veículos de imprensa tradicionais, substituídos pela comunicação política, político-corporativa ou corporativista.

A construção de uma falsa realidade a partir de um grupo minoritário de interesses aproveita períodos de turbulência real para espalhar ideias absurdas, que, por alcançarem um grande número de pessoas pelos meios virtuais, podem parecer hegemônicas.

A crise do protesto dos caminhoneiros foi uma dessas oportunidades: deu margem aos aproveitadores para espalhar ideias e falsos acontecimentos, danosos ao país. Como o andamento de uma suposta intervenção militar, que chegou a contaminar os debates no Congresso Nacional, ou a deposição de Michel Temer.

O protesto está chegando ao fim, o abastecimento vem sendo normalizado, e é hora, agora, de rever realmente o país. Não para espalhar o caos, burlar as instituições e ameaçar a democracia, e sim para implantar um projeto construtivo de forma a recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento sustentado e da justiça social.

O presidente Michel Temer achava que estava tudo bem. Chegou até a ensaiar uma candidatura à presidência, achando que a economia estava voltando a crescer, a intervenção no Rio lhe daria popularidade e sairia dessa para a glória.

Achava.

Bastou o protesto dos caminhoneiros, que não querem sofrer mais a sangria produzida pelo governo no já sofrido povo brasileiro, para mostrar como é precária a estabilidade brasileira.

E acordou o governo de repente para a realidade de 13 milhões de desempregados e duas centenas de milhões de insatisfeitos, que clamam por mudanças. Nem estão reclamando dos agentes do caos, que criaram no seu rastro um clima de desordem, congestionamentos nas estradas, carestia galopante dos produtos em falta, a paralisação de serviços públicos como o transporte coletivo e o desabastecimento em geral. Ao contrário, dividem com os 2 milhões de trabalhadores das estradas o sentimento de que não é mais suficiente bater panelas para acordar e espantar os vampiros de Brasília. 

Passados 20 anos da proclamação da Constituição Cidadã, sob a qual vivemos hoje, está  bem claro que chegou a hora de uma reforma, com a qual deviam se comprometer não apenas o próximo presidente como os parlamentares que formarão o Congresso Nacional.