15 Set 2019

A popularidade do presidente despencou 15 pontos percentuais em apenas três meses. Em relação à população, significa que cerca de 30 milhões de brasileiros estão, digamos... menos animados com os rumos do governo. Em relação ao eleitorado, são 22 milhões de novos desanimados. 

É preciso um certo cuidado com o catastrofismo, mas, num país em que aconteceu um Brumadinho logo depois de Mariana, é preciso prestar mais atenção nos detalhes que levam aos desastres.

E há hoje muitos sinais de um grande desabamento que não devem ser desprezados.

Por vezes ocorrem grandes movimentos históricos internacionais, e o atual pende para a direita. Nos Estados Unidos, deu Donald Trump; no Brasil, Jair Bolsonaro; na Grã Bretanha, o Brexit; e por aí vai. Esses grandes movimentos por vezes passam por cima da lógica e até das leis, quando necessário. Viram até revoluções.

A proximidade do presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo com Steve Bannon, ex-guru no marketing digital de Donald Trump, é tão significativa quanto a de Olavo de Carvalho, o aiatolá da direita, incensado pelo filho do presidente e que nutre com o governo uma relação de amor e ódio, conforme sua ciclotimia.

Um velho ditado da política diz que o poder é como o violino: se toma com a esquerda, mas se toca com a direita.

O presidente Jair Bolsonaro fez o caminho inverso de Lula para chegar ao Planalto: tomou o poder com a direita. E deveria agora governar com a mão esquerda, para também ampliar sua base de apoio no Congresso, aproximar-se da média no espectro político, azeitar a passagem de seus projetos e ganhar mais legitimidade, como o presidente não apenas da fatia do eleitorado que o elegeu, como de todos os brasileiros.

Um dilema que os insensatos não querem encarar

Na entrada da cidade de São Bento do Sapucaí, sobre um mastro de ferro em um antiquário semiabandonado, tremula hoje em trapos uma bandeira do Brasil. Esquecida por quem a colocou ali, ignorante da lei, que não permite o uso de uma bandeira desfigurada, ela é mais do que um símbolo: é o retrato bem atual daquilo que somos, em vez daquilo que queríamos ser.

O pedaço que falta nessa bandeira é a o que deveria ter sido realizado pelo Brasil ao longo dos últimos séculos. Nos quinhentos anos que nos separam da chegada dos portugueses à costa brasileira,  Nações ricas foram construídas com maior rapidez e durabilidade.

Os Estados Unidos se tornaram a Nação mais rica do planeta. Países como a Austrália e o Canadá possuem um nível de vida muito superior ao nosso. Os países do Velho Mundo, se bem que inicialmente às custas da colonização, se transformaram em países ricos, com um padrão de vida mais equilibrado entre todos os cidadãos, dentro de modelos democráticos que se sustentam há muito tempo, apesar das crises eventuais.

Na véspera do Dia Internacional da Mulher, assisti tardiamente a The Wife, ou A Esposa, filme indicado para o Oscar pela atuação de Glenn Close na categoria dramática. Teria sido sua primeira estatueta, apesar das seis indicações recebidas nas quatro décadas de carreira. Mas não aconteceu: o prêmio foi concedido à atriz de A Favorita, Olivia Colman que, no palco, mostrou-se tão grata quanto estupefata e, cheia de humor, pediu desculpas a Glenn Close.

O UOL estreou em meio às festas de carnaval a coluna do ex-deputado Jean Wyllys, que deixou seu mandato e o Brasil sob a alegação de que sentia medo de ser assassinado por milicianos supostamente ligados à família do presidente Jair Bolsonaro.

Os veículos de imprensa do Grupo Folha têm como política editorial a abertura a colunistas de todos os matizes políticos, como uma publicação pluralista, em nome do respeito a todos os pontos de vista. A coluna de Wyllys, porém, nada tem de democrática, ou plural.

Rapidamente, revelou-se uma metralhadora de ofensas sem nenhum controle. Em vez de uma visão progressista da política e do comportamento, manifesta puro ódio, do tipo que só alimenta os polos engalfinhados nessa batalha sem fim que não traz qualquer benefício para o país.

Temos dificuldade de aceitar os fatos