24 Ago 2019

Os sócios do desastre nacional

Por   Sáb, 02-Jun-2018

O drama político ora encenado no País começou faz muito tempo, quando Michel Temer, então presidente do PMDB, conseguiu somar maçãs e melancias.

Neste casamento de conveniência, o PMDB levou como dote o vírus do fisiologismo e o PT entregou-lhe a vice-presidência e, com ela, alguns lotes valiosos da Esplanada dos Ministérios.

Lastimável equívoco, sobretudo porque o vírus fisiológico contaminou quadros importantes do partido. Deles, chegou ao governo e adoeceu toda a máquina estatal. 

Para o PMDB nasceu a oportunidade, esperada desde 1985, de conquistar a presidência. Porque ser vice é viver no ostracismo institucional, torturado pela esperança invejosa do protagonismo. Em política, contudo, o improvável acontece com frequência, especialmente quando o vice impulsiona com mão matreira e discurso maquiavélico o impedimento de seu presidente. No caso, presidenta.

O primeiro surto de fisiologismo levou o PT a acreditar que governar é comprar adesões. Na barganha que se seguiu, o PT mandou às favas os princípios de seu ideário político, duramente testado nos anos de chumbo, e emprestou de gente mais experiente a metodologia do mensalão. Afinal era o que todos faziam.

A decisão custou a cabeça de figuras eminentes do partido, mas imagina-se que alguém lembrou que “em toda guerra as perdas são o preço da vitória”. No caso, as reeleições de Lula e Dilma Rousseff e o projeto continuísta.

O mensalão foi o primeiro episódio significativo de uma sucessão de escândalos ainda em curso. Perdida a proteção da ética, perdeu-se também nos governos do PT o controle das máquinas partidárias. A aliança PT&PMDB, em nome e pretexto da governabilidade, filiou aliados menores em peso politico, reunidos pela mesma sofreguidão de dinheiro público.

O conluio PT&PMDB e Associados criou o melhor dos mundos para corruptos e incompetentes porque seus critérios de gestão do Estado foram astúcias eleitorais, confiadas a uma casta de prepostos, operadores, diretores, assessores e amigos do peito. Em posições estratégicas das máquinas estatal e paraestatal, sangraram o Tesouro e o melhor dos mundos que produziram para seus padrinhos políticos criou o pior Brasil desde 1500.

O desastre tem muitos desdobramentos e antecedentes impróprios para menores. Sem autoridade profissional para as funções assumidas, dedicados prioritariamente ao projeto eleitoral a que serviam, a casta de funcionários também não tinha autoridade nem interesse em cobrar de subordinados um desempenho compatível com as funções de sua pasta, até porque não precisavam de colaboradores, mas de cúmplices silenciosos. Além de sangrar o Tesouro, o processo corruptor desqualificou o serviço público.

O desastre desencadeia mais desastres e nesta lista se inclui a campanha pela reforma da Previdência. E aqui cabe bem duvidar das reais intenções do governo, porque é difícil aceitar que o governo esperava convencer o Congresso a aprovar, em vésperas de eleições, uma legislação espinhenta como a reforma da Previdência, sobretudo sabendo melhor do que ninguém que o maior peso do problema está no serviço público, abrigado em um regime previdenciário que é negado à maioria dos trabalhadores.

O Congresso talvez pudesse endossar, em inesperado élan patriótico, a reforma da Previdência, confiando na amnésia do eleitorado, mas a elite do funcionalismo público não esquece. Lembrar e cobrar benefícios e vantagens é parte de seu trabalho. Depois de meses de parlamentação e escambo, votos por liberação de emendas, o presidente Temer abandonou a bandeira maltrapilha da reforma da Previdência ao Deus-dará-solução.

Se reconhecemos a experiência politica acumulada em décadas de exercício parlamentar, é forçoso concluir que a iniciativa foi jogo para arquibancadas eleitorais. O próprio presidente Temer deu-se à canseira de explicar, em aparição nacional, o que já se sabia desde o início. Rolando a mão no ar e enrolando a argumentação, o presidente reconheceu que a assombração da falência financeira da Previdência não assustou o Congresso com o qual compartilha o governo, na modalidade que batizou de semipresidencialista.

Fica entendido que reforma da Previdência, especialmente em ano eleitoral, não é tarefa para semipresidente, ainda que apoiado pelos números catastróficos que a equipe econômica projetou com paciência pedagógica.

Quando nenhuma das metades do governo funciona, é hora do instituidor de todas as instituições, o povo brasileiro, realizar uma faxina geral e sanear nossa Democracia.