17 Nov 2019

Os militontos na questão ambiental

Por   Qua, 14-Ago-2019

Mais uma vez: a Amazônia não é o pulmão do mundo

Preservar a Amazônia devia ser consenso entre nós. Aliás, deveria ser consenso a necessidade de preservação dos rios Pinheiros e Tietê, mas esses rios, cartões postais negativos de São Paulo, não têm o charme da Amazônia nem sua importância.

É como pedir que os defensores das baleias defendessem também as sardinhas. Tudo normal, é assim que a banda toca. O que devemos levar em conta é que a necessidade de crescimento trabalha contra a preservação do meio ambiente.

No passado não se levava em consideração o respeito à natureza. Pelo contrário. O homem lutava para dominá-la, pois dependia disso para sobreviver. Seus recursos eram imediatamente vitais à sobrevivência humana.

Os países desenvolvidos detonaram suas florestas, queimadas como combustível ou tombadas para dar lugar à agricultura e construção de cidades. Eram outros tempos, a população mundial era bem menor e os recursos mais abundantes. Os países do Terceiro Mundo chegaram atrasados a essa fase do desenvolvimento e é certo que enfrentam dificuldades para crescer preservando rios e florestas.

Mas há sempre como equilibrar crescimento com preservação. A URSS detonou o lago conhecido como Mar de Aral, desviando para a irrigação os rios que o alimentavam, e por em andamento seus planos quinquenais, que estabeleciam rígidas metas de crescimento a ser cobradas com rigor dos agricultores.

Na China, o gigante Rio Amarelo sofreu um impacto tão grande do assoreamento causado pela exploração agrícola nas suas margens que deixou de despejar as antes volumosas águas no mar.

A Europa e os EUA detonaram suas florestas da mesma maneira. Sem madeira não há moradia nos EUA. Os americanos e os colonos ingleses, antes deles, detonaram espécies, como os búfalos e os lobos – sem falar nos nativos - domando territórios hostis.

E assim foi por todo o planeta. O que esses gigantes fizeram no passado remoto ou mais recente ainda é feito nos países em desenvolvimento, onde a explosão demográfica demanda recursos cada vez mais volumosos.

Então não há saída? Vamos explorar a natureza até o osso? Não necessariamente. Há como reduzir a destruição dos recursos naturais e crescer de modo mais sustentável. Mas para isso é preciso tirar a questão das mãos de amadores e deixar que os pais da matéria tratem do assunto sem paixões superficiais próprias dos ignorantes bem intencionados.

Para começo de conversa, precisamos parar de uma vez por todas com palavras de ordem baseadas em equívocos, embora soem bem como slogans de campanha. O principal deles, que serve bem aos que querem internacionalizar a região, é esquecer essa história de que a Amazônia é o pulmão do mundo, pois ela não é.

Devemos aos mares quase todo o oxigênio que respiramos. São algas, plânctons e fitoplânctons que produzem nosso ar. Florestas estabilizadas consomem quase todo o oxigênio que produzem. Nesse sentido, qualquer projeto de reflorestamento de eucalipto produz mais excedente de oxigênio que a mesma área na Amazônia.

Quer dizer que podemos acabar com a floresta? Claro que não. Ela é fundamental para a estabilidade do clima como o conhecemos. Principalmente para o nosso regime de chuvas. Sem contar a infinidade de espécies vegetais e animais ali concentrada.

Superado esse mito, precisamos relativizar o ataque que se faz ao agronegócio como destruidor da floresta. Há um grave crime de grilagem de terras no norte do país, que precisa ser combatido com polícia.

Há derrubada de mata para roubo de madeira, que da mesma forma deve ser reprimida e substituída por projetos controlados de manejo. Mas fora isso, o que representa a agricultura em matéria de destruição dos recursos naturais entre nós? Em 2016, a Embrapa calculou que o Brasil tem uma área de lavouras correspondente a 7,8% do seu território.

Recentemente, a Nasa corrigiu o dado da Embrapa para menos: 7,6%. De modo que a fotografia divulgada para a opinião pública mundial de que a Floresta Amazônica está cedendo terreno perigosamente para o setor agrícola não passa de campanha de ecologistas de final de semana e ONGs que vivem de verbas de empresas, organismos e países desenvolvidos para se manter.

O que torna esses temas terreno fértil para a demagogia é o charme das questões ecológicas junto a artistas sem conteúdo e jovens mal informados.

Ecologia deveria ser uma ciência, mas virou um hobby. As pessoas se apresentam como ecologistas sem ter a menor ideia de como funciona a natureza. Virou moda.

Há algum tempo não se fala mais do buraco na camada de ozônio. Será que é porque os cientistas hoje minimizam a questão, diante da redução contínua de seu tamanho, confirmando o que diziam os céticos dessa suposta catástrofe?

A questão perdeu espaço para seu suposto efeito, que seria o aquecimento global, que segue s despeito da diminuição do buraco. Aqui a questão é bem simples. Temperatura é medida há muitas décadas.

Basta fazer um gráfico e comparar sua evolução. O que se discute é a razão desse aquecimento. Uns dizem que se dá em função da atividade humana, outros dizem que ele ocorre independentemente disso, como fenômeno natural contra o qual nada podemos fazer.

Não há ponto pacífico na questão. Mas é de se perguntar se realmente poluímos mais o ar hoje do que no passado. É certo que a população da Terra cresceu muito dos anos 70 para cá. Mas quem viveu aquela época pode confirmar que nunca nosso ar foi tão irrespirável. Os carros não contavam com os filtros eficientes de hoje. Ônibus e caminhões emitiam fumaça preta que empestava o ar das cidades. Hoje, além de filtros, o combustível é mais limpo, sem o chumbo que contaminava o ar de então.

Quem olhasse o horizonte de nossas capitais notaria as colunas de fumaça que emanavam das chaminés das fábricas. Hoje, as fábricas contam com energias e processos mais limpos. Sem contar que o número de fábricas com chaminés diminuiu muito. Resta jogar a culpa no nosso rebanho. Seria a criação de gado de corte a responsável pela emissão nociva de gás na atmosfera. Ora pelas queimadas para ampliação de pastos, ora por efeito da flatulência bovina. Por coincidência, o Brasil é dono da maior floresta do mundo e o maior produtor de carne.

É preciso ir com cuidado na discussão sobre o papel do Brasil na preservação do meio ambiente. A Noruega e a Alemanha retiraram o financiamento do fundo de preservação da região. Mas a mesma Noruega é a origem da empresa de mineração do Pará que está sendo responsabilizada por despejar restos tóxicos que contaminaram comunidades de Bacarena e através de tubulação clandestina poluíram com esses rejeitos nascentes amazônicas. Além disso, o país segue na caça às baleias. Quanto à Alemanha, não se discute a intenção, mas o fato é que o país ainda queima carvão para gerar energia. Cada um faz o que precisa, quando se trata de sobreviver e oferecer à sua população os recursos de que necessita para viver.

O importante é saber qual é o verdadeiro problema, onde ele se encontra e como enfrentá-lo.

No caso, sem perder de vista a necessidade de preservação da floresta, se conscientizar que o problema maior está nos oceanos, onde a cada ano são despejados cerca de 10 milhões de toneladas de lixo na forma de esgoto, garrafas e sacos plásticos, brinquedos, pneus etc.

Preservar os mares, combater as embalagens descartáveis, promover mutirões de limpeza e, principalmente, tratar as águas em vez de despejar esgoto in natura nos rios e córregos, são as prioridades que devemos ter. O primeiro passo para dar seriedade à questão é tirá-la das mãos de amadores e demagogos e deixá-la a cargo de técnicos e cientistas. Chega de militontos na questão.