13 Jul 2020

Os fatos sugerem essa estratégia

Por   Qui, 10-Mai-2018

Estamos vivendo sob os escombros de um velho Estado PATRIMONIALISTA. Com a honrosa exceção da Lava Jato, não há uma única instituição estatal que não esteja sendo questionada, quando não completamente desmoralizada (partidos e políticos).

Com as velhas e velhacas relações estatais deslegitimadas pelas revelações sucessivas do Mensalão e da Lava Jato, as vísceras apodrecidas do tumor estatal se espalharam pelo País, desorientando boa parte dos brasileiros, afinal descobertos em plena prática da lei de Gerson (“é preciso levar vantagem em tudo, cerrrto?”), acometendo desde o pequeno malfeito até os grandes assaltos ao dinheiro público.

Abandonados à nossa própria sorte e divididos, encontramos nas próximas eleições uma saída para essa angustiosa situação, um evento capaz de conter nossa esperança de reencontro. Já que estamos dispostos a nos redimir e não podemos pôr em discussão a nossa própria culpa, foi preciso encontrar um símbolo que a explicite, além de contar que nossa indispensável redenção virá naturalmente da expansão vitoriosa das bênçãos do juiz Moro.

Até agora, essa estratégia parece acertada, embora poucas pessoas aceitem discutir aberta e publicamente o regime PATRIMONIALISTA, com receio de destacar suas práticas viciosas, comprometedoras de quase todo mundo. Enterrar o regime com o mínimo de barulho possível é uma proposta inteligente, para não dizer pragmática, como apregoa a cultura sistêmica, cujo alimento reprodutor é a vantagem antiética: esperteza em privado e o crime nas relações estatais.

Contudo, esse caminho só se firmará caso três passos subsequentes se adequarem a ele: o primeiro exigirá resignação da liderança que assumiu a culpa por todos; o segundo virá da capacidade de Moro superar a previsível oposição de sua poderosa CORPORAÇÃO JUDICIÁRIA; o terceiro dependerá da escolha de um estadista para direcionar a mudança indispensável.

Essa figura ainda está em falta e apenas duas metas recebem apoio generalizado: a construção de uma Nova Justiça, a partir da expansão da Lava Jato, e o combate aos privilégios públicos e privados. Prometem união, mas são também insuficientes para governar!