24 Ago 2019

Os Bolsonaro são coisa nossa

Por   Sáb, 20-Jul-2019
Os Bolsonaro com Sílvio: bons moços Os Bolsonaro com Sílvio: bons moços

No último final de semana, o programa Silvio Santos trouxe dois convidados especiais: os filhos do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio e o deputado federal Eduardo. Foram participar do Jogo das Três Pistas, um teste de conhecimento que repete as velhas fórmulas dos programas de auditório do quase nonagenário dono do SBT.

Apresentados por Silvio como "dois galãs", os filhos do presidente recebiam as três pistas para dar a resposta. Eduardo acabou ganhando, por 65 pontos a 18. "Simpatia é pouco!" - disse Flávio de Sílvio, em seu Twitter.

A participação dos Bolsonaro em velhos programas populares vai se tornando comum. O próprio presidente já foi a um programa de Silvio e tem combinada, agora, uma aparição na Praça É Nossa, programa que estreou na TV brasileira em 1956.

Os marqueteiros do presidente trabalham para humanizar a imagem da família, que eles mesmos desgastam nos confrontos constantes ao seu redor. Talvez acreditem que mostrar a imagem de bons moços dos filhos do presidente possa ajudá-los a encobrir os problemas nos quais estão metidos.

Com seus advogados, o senador Flávio Bolsonaro paralisou toda a Lava Jato para proteger-se das investigações sobre suas contas como deputado na Assembleia do Rio de Janeiro, onde é suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro.

Já Eduardo quer ganhar pontos em outro jogo. O presidente avisou que deseja indicar o filho como embaixador brasileiro nos Estados Unidos, apesar das críticas do corpo diplomático e da suspeita de que o Senado não aprovará a indicação.

Com isso, o presidente, que anunciou a si mesmo como novidade na política, vai fazendo a "velha política" que tanto criticava. No caso de Eduardo, atropela a ética mais elementar ao nomear um parente para um cargo público.

Sobretudo, apesar de querer se mostrar como o presidente do Twitter, eleito pela internet, vai usando os mesmos velhos truques do populismo mais arcaico, usando também programas tão antigos quanto a TV em preto e branco, para ir suavizando sua imagem perante a opinião pública.

Funciona? Assim como a TV da era da válvula, parece que a velha política ainda está tendo tempo de dar um último suspiro.