19 Nov 2019

Oil leaks

Por   Seg, 28-Out-2019

O escândalo do governo que não é do governo

O Brasil começa a apresentar dados positivos na economia, com a retomada lenta e gradual do emprego, as reformas, a inflação e juros baixos, medidas desburocratizantes, leilões de campos de petróleo e programa de privatização. Tudo muito tímido e mais devagar do que o ideal, mas andando.

Porém, tudo isso parece ser pouco diante das tempestades que se aproximam vindas do exterior. Não bastasse isso, o “vereador da República” segue criando crises em cima de factoides, no que é ajudado fortemente pela oposição - da qual não de pode esperar outra coisa - e pela imprensa “progressista”.

Além das obradas do presidente e seus rebentos, é preciso acossar o governo nas cordas mesmo quando não há razão para isso. Na cobertura do vazamento de óleo no mar do nordeste isso fica bem claro. Quem vê a atuação da imprensa e desconhece os detalhes do acidente chega à conclusão de que o presidente jogou óleo na água pessoalmente.

Primeiro, ouvindo militantes locais, insistiram com a colocação de boias na foz dos rios e entradas de mangues para barrar a entrada do poluente. Houve até uma medida judicial dando 48 horas para o governo federal fazer isso, ignorando a extensão da área afetada, o que impediria o cumprimento da ordem em tempo tão curto.

Pouco importou especialistas dizerem que no caso desse óleo de média densidade essa medida fosse ineficaz. Como o produto viaja sob as água, as barreiras não são capazes de segurá-lo. Mas a chorumela continuou, ignorando o que diziam os que entendem do assunto.

A coisa é tão claramente militante que num canal de notícias se desenvolveu o seguinte diálogo entre o representante de um consórcio internacional e o sabá de jornalistas. Em vez da jornalista conduzir a pauta, era por ela conduzida. E tome atropelo da lógica! E tome acossa dos fatos! Vejam que primor:

Jornalista: Por que o governo federal deixou de acionar os satélites do consórcio chinês?

Entrevistado: O consórcio não é chinês, é internacional, a China é um dos integrantes. Nesse caso os satélites não foram utilizados porque seriam inúteis, já que o óleo só pôde ser detectado quando atingiu as praias, e aí já não se teria como localizar o ponto de origem.

Segue a militonta: E em que data o governo federal deveria ter solicitado a atuação dos satélites do consórcio que o senhor representa?

Entrevistado: Como eu disse, nesse caso o governo não teria por que solicitar os nossos serviços, pois pelas características não teríamos como detectar a origem do óleo.

Cai o pano. Segue em frente como se nada tivesse acontecido. Não se ouve uma crítica aos governos municipais ou estaduais, como se tudo dependesse do governo federal.

Há consenso quanto ao ineditismo do acidente. Não havia sinal do óleo na superfície até ele aflorar na praia. Ninguém poderia prever a extensão do problema. A Marinha entrou no caso ainda no início de setembro. Mas todos agem como se o acidente fosse culpa do omisso governo federal.

Até aqui, a explicação mais plausível é de que, para driblar as restrições americanas, petroleiro transportando produto venezuelano clandestinamente teve problemas em alto mar. Transferindo óleo de um navio para outro, acidentado ou dispensando o flagrante. Mas parece que qualquer explicação que não envolva a condenação sumária do governo brasileiro é negligenciada. Hora ruim para se fazer politica de má qualidade.

Com homens da Marinha, do Ibama e dos municípios trabalhando arduamente, o fim de semana no litoral pernambucano foi de praias cheias, mostrando que quando se quer e se trabalha o problema é superado. O que deve prosseguir é a investigação para descobrir os responsáveis, puni-los e tentar evitar casos parecidos no futuro.

Vazamentos houve em todos os governos, não é privilégio deste, que pode ser criticado por muitas coisas, mas não é culpado pelo acidente ou crime que assolou nosso litoral. O governo tem mais a explicar sobre outros tipos de vazamentos.