24 Ago 2019

O recall e outras ideias para um novo Congresso

Por   Qui, 22-Fev-2018
Congresso: grandes desafios para os próximos ocupantes Congresso: grandes desafios para os próximos ocupantes

Estou contente com a decisão de Luís Bucciarelli de candidatar-se nas próximas eleições para deputado federal. (Leia sobre Bucciarelli aqui). Eu o conheci ainda ginasiano e dele sempre tive boas notícias, que poderia resumir em homem-decente-e-profissional-competente. É um forte sinal de que as pessoas fora-da-política renunciam à segurança de suas casas e profissões para prestar real serviço comunitário.

É o que tenho dito e incentivado com adição de que não basta ser a favor dos bons, é importante ser contra os maus candidatos, um grupo que inclui todos os atuais congressistas, porque ou são criminosos ou são incompetentes - e ainda há os que reúnem as duas mazelas.

Assumida como um compromisso sério, exercida com probidade e coragem, a Política é a mais nobre das atividades humanas, um exercício permanente da caridade, a mais difícil das virtudes cristãs. Em seu significado mais amplo abrange mais do que a doação de bens e implica priorizar o bem-estar da comunidade e de cada um de seus membros, com sacrifícios e renúncias voluntárias de benefícios e vaidades pessoais.

Vista desta maneira, a missão do político requer coragem e integridade de caráter, virtudes ausentes nos homens e mulheres que nossa ingenuidade e/ou desinformação mandaram para o atual Congresso.

A tarefa que espera a nova geração de políticos é gigantesca - haja coragem e integridade para levar adiante a missão em contexto dominado pelos vilões .

Os três poderes da República manipulam o binômio moral-legal conforme conveniências pessoais ou corporativas, ambas medidas em moeda cobrada e contada, nunca suficientes para saciar as ambições. O resultado é um elenco teratológico de consequências morais, sociais e econômicas que assombram o País.

Ainda acredito que existe, nos três poderes da República, gente honesta que se arrepia quando desonestidade e imoralidade aparecem diante de seus olhos; mas é arrepio superficial, epidérmico, porque nada fazem, pela razão que nada pode fazer quem, sendo honesto, mantem-se no convívio da malta desonesta.

Neste contexto são incompetentes porque incapazes de sanear o ambiente politico e liderar as boas causas; talvez tenham merecido a eleição, mas desmerecem a reeleição, porque a incompetência também lhes trouxe a impotência. São figuras ornamentais da Democracia. Precisamos remeter estes ornamentos ao ostracismo.

Também não precisamos daqueles carregados de suspeitas de entesourar moeda de origem misteriosa em seus colchões . Podemos conceder-lhes o beneficio da dúvida mas as eleições são juízos políticos que aconselham cautela e autorizam evitar o risco desnecessário, sobretudo quando o voto cria imunidades e foros privilegiados.

A Democracia estaria muito bem servida apenas com a imunidade de voz e voto; como não é permitido sonhar, é melhor não arriscar.

Terminado este desabafo, volto ao candidato Bucciarelli. O que se segue é para ele e para todos os que estão ingressando na politica e esperam meu voto e, na medida de minhas forças e influências, meu apoio às suas pretensões..

Destes aspirantes ao Congresso espero:

1) apoio à ideia do recall - Desde que Ortega y Gasset filosofou “eu sou eu mais minhas circunstâncias’’, é preciso que eleitor e eleito mantenham convivência proativa. Ocorre que a eleição transforma todas as circunstâncias em que escolhemos nosso candidato. Damos poder a quem não tinha; responsabilidades além da família e da empresa; recriamos seu ambiente social; alargamos o horizonte de suas expectativas e criamos relacionamentos formais e sociais que mudam as tentações inviáveis em possibilidades reais. Por isso, antecipando desculpas a Bucciarelli e a todos os candidatos, insistimos - precisamos das garantias do recall.

2) que considerem sempre a educação como um processo permanente, do berço à senioridade, subordinando conhecimento e progresso à valores intangíveis mas indispensáveis, listados na declaração dos direitos humanos.

3) que acreditem e ajam para dar ao magistério condições para cumprir seu papel de mãe e mestra da cidadania

4) apoio explícito à proibição da terceira reeleição seguida, para qualquer cargo eletivo. Após 8 anos de mandato, o político entraria em "quarentena cívica" de quatro anos, durante os quais não pode pleitear nenhum mandato ou emprego público, exceto o que já ocupava antes de sua primeira eleição. Este é o verdadeiro reencontro com as bases eleitorais; depois desta quarentena de 4 anos, se quiser, poderá disputar novo mandato.

5) que proponha e defenda na sua casa legislativa a extinção do foro privilegiado e a limitação das imunidades à voz e ao voto.

Quem assinar aqui embaixo leva o meu voto e o meu empenho em divulgar sua candidatura.