19 Nov 2019

O presidente quer uma revolução

Por   Qui, 01-Nov-2018

Passada a eleição menos propositiva até hoje vista pelos brasileiros, vimos que o novo Presidente se elegeu explorando principalmente a imagem negativa do oponente, responsabilizando-o pelo estado de decomposição moral e paralisia econômica em que nos encontramos e adotando uma posição ideológica corretiva francamente reacionária nos costumes - salvo o combate progressista à corrupção e ultraliberal na economia. 

Em face das surpresas verificadas no início do segundo turno, com momentânea reação de Haddad, as constatações das pesquisas acerca do prestígio popular da democracia e do casamento entre homossexuais, Bolsonaro recuou das posições reacionárias, mantendo as demais que, se confirmadas na prática, configurarão uma mudança radical na correlação de forças do poder, uma verdadeira e pacífica “revolução”. 

As CORPORAÇÕES ESTATAIS é que sustentam esse Estado agigantado e garantem os seus próprios privilégios e de outros setores selecionados. Seu poderio foi demonstrado recentemente por ocasião da votação da reforma da previdência, que acabou custando o falecimento precoce do governo Temer. A ação da Lava Jato, denunciando a corrupção sistêmica existente entre agentes públicos e empresários, característica desse ESTADO PATRIMONISLISTA, não foi suficiente para inibir os velhacos “donos do poder”.

Legitimado pela vitória conquistada, Bolsonaro aproveita a crise generalizada e o enfraquecimento do estamento burocrático para, apoiado em frações de duas das mais importantes corporações estatais, a judiciária e a militar, rediscutir seus próprios privilégios e, de sobra, “salvar os empresários deles mesmos”, retirando seus penduricalhos e instalando um regime concorrencial.

Como demonstrou a Lava Jato e sugere a promoção de Moro, o Brasil tem todas as condições de refundar a verdadeira República Democrática. A oportunidade parece bem escolhida, mas a missão é hercúlea! 

Será curioso ver o PT assumindo a defesa do arruinado ESTADO PATRIMONIALISTA.